Zelo com a intoxicação do paixão próprio – 04/02/2021

0
24

Arrogância: suposta superioridade moral, social, intelectual ou de comportamento, que assume atitude prepotente ou de desprezo com relação aos outros. Analisando a definição de arrogância, com mais desvelo, talvez tenhamos que comportar que todos nós sejamos arrogantes em determinadas situações. Vamos refletir.

Recentemente, assisti ao documentário que homenageia os 100 anos de Ingmar Bergman. O filme é revelador, uma ode ao processo criativo e um desnudamento do varão por trás do mito.

Bergman é um dos cineastas mais consagrados da história do cinema, ganhou dois Óscares, algumas Palmas de ouro em Cannes, leão de ouro em Veneza, mundo de ouro e diversos outros prêmios. Depois de mais de uma dez realizando filmes medianos, Bergman encontrou a fórmula para ser verdadeiro: falar sobre si mesmo, investigar suas inquietações e, assim, colocar um holofote sobre a sua própria psique.

O seu cinema pode ser entendido uma vez que um processo terapêutico em contínua evolução e transformação. Quando abre a porta do seu inconsciente, o que emerge de lá é um turbilhão de imagens e diálogos profundos e inquietantes.

Porém, um pouco me chamou a atenção nesse documentário. Lá, pude seguir o processo de idolatria e de endeusamento que, aos poucos, transformou Bergman em um tirano ególatra, em uma espécie de monumento vivo e cristalizado.

Vou tentar explicar com desvelo uma vez que age a roda da riqueza. Quando você fica pleno de si, sentindo-se superior e todos lhe dizendo que você é genial, você, naturalmente, se coloca em um pedestal e, a partir desse momento, entrará na rota para, futuramente, ser entronado uma vez que um monumento vivo.

Ao se apegar a essa posição, você passa a se repetir e estaciona, confortavelmente, sobre uma fórmula que já deu evidente. Ou seja, você se transforma em um cover de si mesmo. Já vi isso ocorrer com grandes diretores de cinema, gurus, políticos e atletas. Os grandes artistas da música Pop e as bandas do Rock são o exemplo mais bem-acabado dessa teoria. Quantas bandas vivem em uma gaiola de ouro, tocando os mesmos sucessos há 30 anos? Quantas celebridades tornam-se escravas da própria imagem que criaram?

Vivemos em um mundo narcisista, no qual o douto ao sucesso e as celebridades propagam um protótipo de vida focado no auto interesse e na urgência de autoafirmação. Atualmente, nosso valor de mercado é medido pelo número de pessoas que nos seguem nas redes sociais, ou seja, quanto mais autopromoção e narcisismo, melhor. Porquê não se gostar pelo espelho no mundo moderno? Eis a questão!

O erro de conta

Sentir-se superior é um erro de conta, um autoengano estratégico a nutrir nossa vaidade, uma particularidade geral de nossa humanidade. Em uma sociedade que valoriza a padronização, é uma vez que se tivéssemos uma urgência psicológica de reafirmar, primeiramente, a nós mesmos, o quão próprio e diferenciados nós somos A urgência de autoafirmação se espalha por todos os setores da nossa vida.

Quantos de nós, e me incluo também, não se sentem superiores devido à sua lucidez, posição social, venustidade física, consciência, espiritualidade, escolhas alimentares (ex.: veganos) ou escolhas políticas, entre outros?

Todos nós estamos em procura de reconhecimento e autoafirmação, uma vez que moscas no mel. Quando você aceita ser disposto em um pedestal ou em um altar, é o termo da risca para a sua originalidade. Ali mesmo, ela pode se acomodar e estrear a se repetir. Por isso, me dá calafrios observar uma vez que certas pessoas tratam os gurus espirituais. Isso, obviamente, não faz muito a eles, por fim, ter alguém te idolatrando deve afetar a psique de alguma forma.

Olhando esses mestres, deve ser sedutor pensar que sejam seres evoluídos. Na maioria das vezes, zero disso resistiria a um mergulho na sua intimidade. Esse é unicamente mais um estranho paradoxo, a sedução da vaidade persegue os grandes mestres, uma vez que não ser vaidoso com um séquito voraz te lembrando a todo momento o quão iluminado e próprio você é? Esse é o ser humano: um paradoxo ambulante.

O Santo

Ninguém que viva sobre terreno é transcendente, os santos são ainda mais raros que a nossa capacidade de autocrítica e humildade.

Para um psiquiatra, racional e pragmático, o santo pode ser entendido uma vez que uma espécie de profissional da filantropia, alguém que foi reforçado pela sociedade em sua clemência, sentiu prazer na imagem que viu refletida no espelho e, a partir daí, ficou obcecado em repetir essa experiência. É bom lembrar que, na medida certa, a vaidade é positiva, por fim, no outro extremo, a sua falta denota baixa autoestima e falta de autoconfiança. Todos somos vaidosos, uns mais, uns menos, é tudo uma questão de estabilidade.

Enfim, alguém pode ser chamado de um ser evoluído, uma espírito superior? Superioridade não denota arrogância? Iriamos nos aproximar mais da veras se percebêssemos que evoluir é um processo contínuo, em estável movimento e transformação. Não existe uma risca de chegada, evoluir é um trabalho para a vida inteira. Quem já se acha evoluído, sem perceber, parou. Quando nos apegamos a determinado status ou posição, passamos a gastar muita vigor para mantê-lo e, assim, não sobra vigor para, a exemplo da própria vida, seguir em frente e continuar em processo de geração.

O fluxo da vida pede desprendimento, coragem e introdução ao novo.

A roda da riqueza é caprichosa, quando você atinge o topo, em seguida, devido a uma intoxicação do paixão próprio, pode despencar e tombar de faceta no solo. Se tiver autocritica e humildade, esse processo será construtivo e novamente poderá te reconduzir ao topo.

Mas, por fim, que topo é esse que tanto buscamos? Por que estamos sempre querendo chegar a um lugar ideal que nunca se realiza? Não busque o topo achando que isso é a solução para a sua felicidade. A renome e o sucesso podem desgastar a espírito e tem um enorme potencial de destruir vidas.

A propósito, que saber o sigilo da felicidade? Não encarregar em fórmulas da felicidade passadas por outras pessoas. Cada um tem o recta de ser feliz do seu jeito. Viver é um pouco que tem que ser inventado de forma autoral, uma vez que no caso de Ingmar Bergman.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui