XP mira ‘big techs’ com promoção de CTO a CEO | Finanças

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No dia 12 de maio, o diretor de tecnologia da XP, Thiago Maffra, assumirá o posto de CEO, na primeira mudança desde que a companhia foi fundada, há 20 anos. O pregão na sexta-feira à noite surpreendeu – é a primeira vez que uma instituição financeira brasileira faz uma promoção do tipo – e atiçou a curiosidade do mercado no término de semana sobre o perfil do executivo.

Mineiro de Araxá que cresceu no interno de São Paulo, Maffra, de 36 anos, já queria seguir curso no mercado financeiro quando se formou em governo no Insper, em 2006. Fez um MBA na Universidade de Columbia. A formação se deu em instituições estreladas, mas quem o conhece diz que foi suado.

No Insper tinha bolsa parcial, o notebook obrigatório e o aluguel na república de sete vieram da venda do sege da mãe – o sege foi reposto quando ganhou o primeiro bônus no mercado financeiro. Inglês aprendeu na internet e no léxico, traduzindo os livros também obrigatórios da faculdade paulista.

Tirou CFA, a certificação de exegeta, e começou a curso uma vez que “trader” nas corretoras na Bulltick e na Souza Barros – quando a corretora estava fechando as portas, o fundador Carlos Souza Barros foi quem fez a indicação para que Guilherme Benchimol desse uma oportunidade ao garoto. Sua entrevista de trabalho quem fez foi Carlão Ferreira Fruto, “head” da mesa institucional, e ele foi alocado na equipe de Bernardo Amaral – ambos sócios da XP desde os primórdios, caminho que já colocou Maffra sob os olhos vigilantes da “partnership”.

Sua primeira missão na XP foi montar a mesa de algotrading e ele foi um dos sócios, em 2017, da corretora de criptomoeda XDEX. O projeto, estruturado pela XP Controle e fundo General Atlantic, acabou sendo encerrado em menos de dois anos – um stop limitado típico da XP para negócios que não engrenam.

Maffra passou dois anos e meio uma vez que gerente de equity no varejo. Nessa período, sua personalidade ajudou a lucrar espaço na companhia. “O Maffra é um rosto humilde, com trânsito na companhia, unânime na diretoria. Tem muita serenidade e muito bom siso”, afirma Benchimol, fundador da XP e único CEO da empresa até agora.

Em dez anos, a XP teve cinco CTOs (principal executivo de tecnologia). Quando entregou a diretoria de tecnologia a Maffra, há três anos, Benchimol disse: “Rostro, vou te dar um duelo que é o pior da sua vida. Os últimos cinco que entraram, rodaram”. Pelo reconhecimento atual, deu conta do recado. “Ele já era head de 40% dos funcionários e os outros 60% dependiam da extensão dele”, diz o fundador.

Em uma das poucas entrevistas já dadas pelo executivo, há um mês, Maffra disse que a XP quer ser reconhecida “uma vez que a melhor companhia de tecnologia brasileira” e ser disruptiva em outros segmentos, “uma vez que fez em investimentos”.

A estimativa da XP é contratar muro de 180 funcionários da extensão de tecnologia no trimestre, voltados a desenvolvimento de software, ciência de dados e perceptibilidade sintético. No ano pretérito, foram mais de 500 contratações de profissionais vindos de empresas uma vez que Facebook, Google, Amazon e Mercado Livre.

A arquitetura das empresas está cada vez mais definida pela tecnologia – que deixa de ser uma “tiradora de pedidos” dos outros departamentos, uma vez que define Benchimol. Ainda assim, a chegada de Maffra à presidência da XP marca a inédita escalação de um executivo de TI para o comando de uma instituição financeira relevante. Tecnologia sempre foi uma extensão de espeque para os bancos, e os nomes fortes da extensão nunca assumiram os holofotes.

Mesmo os bancos mais tradicionais começam a buscar formas de colocar a tecnologia no núcleo de seus negócios, dada a prestígio vital que ela assumiu na competição. Basta lembrar que um dos nomes que disputaram a presidência do Itaú Unibanco no término do ano pretérito foi André Sapoznik, portanto vice-presidente de tecnologia. O missão acabou ficando com Milton Maluhy Fruto, mais maduro em áreas de negócios. No rearranjo que se deu em seguida, Sapoznik assumiu a recém-criada estrutura de pagamentos do Itaú – onde tecnologia é vital – e ficou também com as áreas de operações, atendimento e marketing. O comando da TI passou para as mãos de Ricardo Guerra, que passou a conceber o comitê executivo do banco.

Outro exemplo é o do BTG Pactual, maior rival da XP entre as plataformas de investimentos. Roberto Sallouti, presidente da instituição, foi estudar programação alguns anos detrás enquanto o banco de investimentos preparava sua irrupção no mercado de pessoas físicas.

No Bradesco, a grande aposta é primar estruturas mais baseadas em tecnologia para que elas não fiquem presas às amarras da estrutura tradicional. Com essa estratégia, o banco do dedo Next foi transformado numa empresa à secção e o Bradesco recentemente colocou um de seus principais executivos, Renato Ejnisman, adiante da operação com a missão dar mais graduação ao negócio. Da porta para dentro, as equipes de TI também vêm ocupando mais espaços nos bancos.

As principais instituições financeiras do país passaram a se organizar em “squads”, times multidisciplinares voltados ao desenvolvimento de produtos e à solução de problemas de forma mais rápida. Foi um tirocínio trazido pela concorrência das fintechs, que já nasceram dessa forma. Se os bancos buscam inspiração nas fintechs, estas tentam fugir do rótulo de “bancos” à medida que ganham clientes e se tornam operações mais complexas.

O Nubank, que tem mais de 30 milhões de clientes, costuma se definir uma vez que uma empresa de tecnologia que presta serviços financeiros. Na XP, Benchimol diz ter mirado nas “big techs” para propor o CTO para o missão de CEO. “Estamos lutando para lucrar a guerra, não para ser mais um participante. E a guerra vai ser ganha com tecnologia, de cloud a perceptibilidade sintético”, diz. “Nossa agenda de tecnologia vai para intensidade máxima.”

Para Benchimol, muitos diretores de extensão nas empresas tratam “tech” uma vez que uma “software house” – “quero isso, preciso daquilo” – quando a tecnologia deveria estar na jornada do negócio. “Eu uma vez que CEO e Maffra uma vez que CTO estávamos o tempo todo falando dessa prestígio. Mas não tem forma mais clara de empoderar a tecnologia na empresa do que colocar o CTO de CEO.”

No exterior, o movimento de promoção do CTO a CEO começou nas empresas de tecnologia, mas já tem sido visto em outros setores. Companhias uma vez que a telecom Verizon, as empresas de apostas Betfair e Willian Hill e a GE Do dedo colocaram os executivos de tecnologia no posto de presidente-executivo.

Uma pesquisa da McKinsey mostra que, mesmo antes da covid-19, 92% das empresas já entendiam que a digitalização demandava mudança no protótipo de negócio. Sinalização dessa rápida transformação no mundo dos negócios está na bolsa americana. As empresas que compõem o S&P 500 tem idade média de 22 anos – na dez de 60, o índice era formado por empresas com 61 anos de existência, em média.

Na XP, Benchimol assegura que não vai desacelerar no juízo, no missão definido uma vez que chairman executivo. “No fundo, eu e Maffra estamos formando uma dupla. Ele é o CEO para dentro e eu sou o CEO da porta para fora”, diz. “Vou continuar na visão do negócio. E ele na visão do dia a dia, da realização, da tecnologia, da disrupção.”

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