Volta do auxílio emergencial terá efeito pífio na economia, diz RC Consultores

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Estudo da RC Consultores aponta que a novidade rodada do auxílio emergencial terá impacto apertado no consumo das famílias. O mercê deve retornar ainda em março ao dispêndio de R$ 44 bilhões. O valor representa unicamente 15% de tudo que foi injetado pelo coronavoucher na economia em 2020.

“A ajuda será muito valiosa para aquelas famílias que se encontram hoje incapazes de prover sua própria renda de subsistência. Mas insuficiente para qualquer tentativa de incitação macroeconômico mais relevante ao longo de 2021”, analisam Paulo Rabello e Marcel Caparoz, que assinam item da consultoria (íntegra).

Os economistas cruzaram, com dados do Ministério da Cidadania e do IBGE (Instituto Brasílio de Geografia e Estatística), o efeito do auxílio na tamanho salarial (a soma de todos os salários das pessoas ocupadas) e estimaram qual pode ser o efeito da novidade rodada neste ano. Foi considerado o valor médio de R$ 300 para o mercê. O governo do presidente Jair Bolsonaro tem repetido que serão murado de 4 parcelas de R$ 250. Esse valor deve variar dependendo da situação de cada beneficiário. O pagamento para mulheres chefes de família, por exemplo, pode ser de R$ 375.

Para os economistas, a 1ª rodada foi superdimensionada pelo governo. O auxílio atendeu uma quantidade de pessoas muito supra da real premência, o que resultou numa injeção maciça de recursos sem volta na economia.

De março a dezembro de 2020, a tamanho salarial da população ficou supra do nível pré-pandemia. Eles argumentam que não era função do coronavoucher aumentar a renda dos mais pobres, mas mantê-la inabalável durante o período emergencial.

Em 2020 a reposição da renda chegou a ser exagerada, superando muito a risca de manutenção do nível de renda. O governo errou na conta com base do Congresso. O déficit fiscal foi monumental. E não se pensou na verosímil premência de mais recursos em auxílio para 2021, afirma a RC Consultores

Ao todo, foram injetados R$ 293 bilhões em auxílio emergencial em 2020. “Um integral despautério com verosímil motivação política e nenhuma responsabilidade de gestão”, afirmam. Na avaliação deles, se o mercê fosse melhor focalizado, segmento desses recursos poderia ser utilizada em 2021, no momento em que o coronavírus continua se alastrando.

“O desempenho do negócio e serviços já sinaliza a perda de ritmo, que deverá comprometer o desempenho do PIB em 2021. O novo auxílio emergencial no valor totalidade de R$ 44 bilhões não terá, nem de perto, a mesma capacidade de indução ao consumo se comparado à versão de 2020”, afirma.

Inicialmente, o ministro Paulo Guedes (Economia) propôs o valor de R$ 200 para as pessoas desassistidas na crise. Depois de longa negociação entre o governo e o Congresso, a quantia foi estendida para R$ 600 (ou R$ 1.200 no caso de mães chefes de família).

Ao final da 1ª leva de pagamentos, o governo prorrogou o auxílio por duas parcelas. Depois, o presidente Jair Bolsonaro editou uma medida provisória para remunerar mais 4 parcelas, no valor de R$ 300 (ou R$ 600 para mães monoparentais).

No ano pretérito, 68 milhões de pessoas receberam o auxílio (32% da população brasileira). Os economistas estimam que agora 29 milhões podem ser impactadas pelo mercê por 5 meses.

Além de menos quantia no bolso, a população terá que enfrentar um primórdio de ano com aumento dos preços. Marcel Caparoz relata que, com um menor poder de consumo pelas famílias, a demanda tende a diminuir, evitando pressões no preço pelo lado da demanda. Mas há uma aceleração da inflação pelo lado da oferta, pressionada pelos combustíveis.

Nos últimos 12 meses, o dólar subiu quase 30% frente ao real. É das moedas que mais se desvalorizaram no mundo, tornando mais caros os produtos importados. As commodities, uma vez que trigo, soja e milho, continuam em subida.

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