Valor mais reles do auxílio em pior momento da pandemia é sinal de que mercê foi mal planejado

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Programa mais focado e com valor menor, porquê queria o Ministério da Economia, poderia ter ajudado os mais vulneráveis por mais tempo

LUIS LIMA JR/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Serão quatro parcelas de R$ 150, R$ 250 e R$ 375, dependendo da família, pagas até julho

Um ano detrás, quando começou a ser pago, havia a expectativa de que o auxílio emergencial duraria exclusivamente três meses, com um valor de R$ 600. Acabou se estendendo por três vezes leste prazo e, ao terminar, em dezembro, estava fixado em R$ 300. Agora, três meses depois do último pagamento e com a epidemia da Covid-19 ainda pior, o mercê voltou com um valor menor. Serão quatro parcelas de R$ 150, R$ 250 e R$ 375, dependendo da família, pagas até julho a trabalhadores informais e beneficiários do programa Bolsa Família. No caso do valor mais cumeeira, só se a beneficiária for mãe e ao mesmo tempo a provedora do lar. O calendário começou com o pagamento, nesta terça-feira, 6, dos nascidos em janeiro, que recebem a primeira parcela. Até domingo, receberão aqueles nascidos em fevereiro e março.

Além de ter o valor reduzido, o auxílio emergencial também será pago a menos beneficiários. Na versão de 2021, 45,6 milhões de pessoas devem receber o mercê, segundo o Ministério da Cidadania. São 22,6 milhões a menos do que os 68,2 milhões do programa no ano pretérito. Foi a solução do governo para, com as contas públicas na UTI, poder voltar com o programa. Enquanto o dispêndio em 2020 foi de R$ 294 bilhões, leste ano caiu para R$ 44 bilhões. Praticamente o que se gastava por mês um ano detrás. Não se espera, por isso, o mesmo impacto na economia. Em 2020, o auxílio teve um impacto positivo de 2,5% no Resultado Interno Bruto (PIB), segundo estudo da Universidade Federalista de Pernambuco. Apesar do PIB mesmo assim ter derribado 4,1% no ano, evitou uma queda da atividade que poderia ter transformado a pandemia numa tragédia econômica. Agora, o efeito esperado é menor. A Oxford Economics calcula o proveito em 0,2% do PIB.

Houve muita pressão para a volta do auxílio emergencial partindo do Centrão, grupo de parlamentares do Congresso que apoia o governo. Assim porquê haverá em julho, quando chegar a última parcela, já que a lei que recriou o mercê permite a prorrogação. A piora da pandemia sem que a economia se recupere tornam inevitável as novas rodadas de gastos. Mas o valor, e também a quantidade de beneficiários menores no pior momento da pandemia, com três milénio mortos diariamente, são sinal de que foi um programa mal desenhado. Custou demais e, sem critério, incluiu gente demais. Volta seco por falta de quantia. E com menos possibilidade de proteger quem precisa ser protegido. Um programa mais focado e com valor menor, porquê aliás, queria o Ministério da Economia, poderia ter beneficiado os mais vulneráveis à pandemia por mais tempo.

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