Uma vez que o Facebook mudou a internet, o negócio e até a política | Tecnologia

0
49
Links Patrocinados

Empresas criadas em torno da internet, que se tornou atingível depois da geração e da popularização da World Wide Web, a partir de 1995, receberam investimentos e atingiram valorizações astronômicas. Quando o prolongamento econômico diminuiu em partes do mundo, incluindo os Estados Unidos, grande secção das empresas digitais faliu.

Nos anos seguintes, os esforços em torno desse mundo do dedo foram repensados. Nasceram as plataformas em que pessoas podiam produzir sua presença online e interagir com outros usuários. Uma delas, criada em 2004, viria a se transformar numa das maiores empresas do mundo. O Facebook mudou o uso da internet, o negócio, a publicidade e até a política.

Junto com o Google, a rede social estabeleceu um novo padrão para a economia do dedo. Para o muito e para o mal, em grande medida o Facebook definiu porquê seria a vida nas primeiras décadas do século 21.

Em meados dos anos 1990, uma espécie de corrida do ouro do dedo foi iniciada, em procura de um lugar ao sol na novidade veras da World Wide Web. O que simbolizava tal disputa era a procura por um bom domínio, ou seja, um bom “ponto com”.

Essa primeira geração da internet contou com inúmeras novas empresas nos Estados Unidos – e muitas fracassaram de forma espetacular.

Um caso simbólico foi o da Pets.com, que foi criada em 1998, atraiu mais de US$ 80 milhões em sua preâmbulo de capital e, no término de 2000, foi à falência. Sem projecto de negócio ou estudo de mercado, a Pets.com foi um exemplo dos tempos irresponsáveis do início da internet.

O site Friendster, lançado em 2002, foi a primeira típica rede social da Web — Foto: Getty Images via BBC

Muitas empresas fecharam na viradela do milênio, devido a mudanças no cenário econômico e falta de planejamento. Outras foram compradas por valores estratosféricos por empresas maiores, porquê a Broadcast.com, vendida por US$ 5,7 bilhões ao Yahoo em 1999.

Três anos depois, o Yahoo fechou as operações da Broadcast.com, selando o que é considerado um dos piores negócios da história da internet.

Enquanto algumas empresas tornaram-se potências digitais – porquê Amazon ou Ebay –, o cenário universal foi de engano com o setor. Entre o primeiro semestre de 2000 e o último de 2002, o índice Nasdaq da Bolsa de Novidade York, de empresas de tecnologia, sofreu uma queda de 78%. Foi o estouro da chamada “bolha da ponto com”.

A internet precisava urgentemente de novos modelos – e uma novidade injeção de ânimo. O sigilo veio na vocábulo “interatividade”. Das cinzas da bolha anterior, começaram a surgir nos Estados Unidos as primeiras plataformas e empresas baseadas na participação do usuário.

O concepção ficou publicado porquê Web 2.0, em oposição à primeira versão, a Web 1.0, termos usados pela primeira vez pela técnico em tecnologia do dedo Darcy DiNucci, num item publicado em 1999.

“A Web que conhecemos agora, que é carregada numa janela de navegador essencialmente em telas estáticas, é exclusivamente um embrião da Web que está para vir. Os primeiros sinais da Web 2.0 estão começando a desabrochar.”

O que DiNucci já via desde 1999 começou a virar veras no cenário pós-bolha. Na novidade Web, os usuários já podiam provê-la de teor e participar ativamente da geração dos negócios formados na internet. Com isso, proliferaram os weblogs – ou simplesmente blogs – e surgiu o concepção de UGC – user generated content, ou teor gerado por usuário.

Foi nessa veras que apareceu a primeira rede social da Web 2.0. Em março de 2002, Jonathan Abrams fundou o Friendster, um site que mostrava conexões indiretas (amigos de amigos), incentivando o estabelecimento de novas amizades.

Um ano depois, usuários do Friendster que trabalhavam na empresa eUniverse resolveram fazer alguma coisa parecido. Nascia o MySpace, que, assim porquê a rede de Abrams, acumularia milhões de usuários.

Era clara a disposição de pessoas, principalmente os mais jovens, de usar a internet para contatos sociais.

Zuckerberg fundou o Facebook aos 19 anos, com alguns amigos da faculdade, entre eles Chris Hughes — Foto: RICK FRIEDMAN/GETTY IMAGES via BBC Brasil

Em 2004, o mercado ganhou novos competidores. Em janeiro, o engenheiro Orkut Buyukkokten, que trabalhava no Google, lançou uma rede social criada por ele porquê um projeto paralelo da empresa. A plataforma ganhou seu nome – Orkut.

Depois do grande sucesso inicial, principalmente em países porquê os Estados Unidos e o Brasil, a Friendster acabaria fechada anos depois. O MySpace trocou de mãos de forma multimilionária, mas perdeu usuários e relevância. O Orkut não se modernizou e, ofuscado pela concorrência, acabou fechado pelo Google.

Em fevereiro de 2004, porém, surgia na Universidade Harvard, no Estado de Massachusetts, uma versão de rede de amizades online que teria muito mais sucesso. Ajudado por outros quatro colegas, o estudante de psicologia e ciências da computação Mark Zuckerberg, talentoso programador de exclusivamente 19 anos, colocou no ar o que chamou de The Facebook.

Era uma rede social inicialmente exclusivamente para o público de Harvard. Em três semanas, 6 milénio estudantes se cadastraram.

Um mês depois, o site começava sua expansão para outras universidades, porquê Columbia e Yale, na costa leste, e Stanford, na Califórnia. No mesmo ano, Zuckerberg transferiu a empresa para a região de São Francisco, dando início ao que se tornaria um verdadeiro poderio do dedo.

Convergência na rede vencedora

Zuckerberg apresentava seu The Facebook porquê “um diretório online”, porquê disse numa entrevista ao meio CNBC, ainda em 2004. “Você entra, faz um perfil sobre você mesmo respondendo a algumas perguntas, coloca algumas informações, porquê o que você estuda, números de telefone, interesses, de que livros você gosta, filmes. E o mais importante: quem são os seus amigos.”

Sem incerteza, essa era a informação vital para The Facebook.

Diferentemente de outros ambientes sociais online, que ofereciam formas de produzir novos contatos, o Facebook – o “The” original não duraria muito – apostou na teoria de trazer seus contatos da vida real para o mundo do dedo.

Em 2006, quando a plataforma já tinha tapume de 8 milhões de usuários, o portanto diretor e co-fundador Chris Hughes explicou a lógica em uma entrevista.

“A teoria é de que nós todos temos comunidades da vida real em que vivemos, no dia a dia, e nós queremos edificar um espaço para elas na internet, para as pessoas saberem mais sobre seus colegas. Você não está indo online para saber, de forma aleatória, alguém que vive a 8 milénio milhas de você. Você está entrando para ver informações sobre pessoas que já são importantes para você.”

Em 2007, o Facebook abriu para o público em universal e se consolidava porquê a principal rede social da Web — Foto: CHRIS JACKSON/GETTY IMAGES via BBC Brasil

O Facebook não foi a primeira rede social do mercado, nem era a mais badalada em seu início, mas aumentou sua base de usuários de forma consistente. Durante mais de dois anos, foi um site fechado, que Zuckerberg e sua equipe ofereciam a universidades, escolas de segundo intensidade e empresas. Estudantes dessas escolas ou funcionários dessas firmas entravam na rede e viam os perfis de seus amigos e colegas.

O Facebook só foi lhano para qualquer usuário, a partir de seus 13 anos de idade, em setembro de 2006. “Estamos expandindo para atender aos pedidos de milhões de pessoas que querem fazer secção do Facebook, mas até hoje não podiam”, disse Mark Zuckerberg em um transmitido.

Padrão de negócio: personalização

Franco ao público em universal, o Facebook cresceu de forma ainda mais impressionante, ultrapassando os 100 milhões de usuários em 2008. A plataforma também evoluiu rapidamente, deixando de ser o “diretório” descrito por Zuckerberg em seu primeiro ano.

Em 2007, ela chegou ao telefone celular, apesar de ainda numa solução simples, baseada na navegação via Web. No mesmo ano, dias antes de permitir a ingresso de qualquer pessoa na rede, em caráter individual e sem relação com alguma escola ou empresa, o site criou o chamado News Feed.

Apresentado porquê uma home page escolha, o News Feed trazia o registro de tudo o que seus amigos faziam na plataforma – o teor que postavam ou comentários que deixavam.

A partir de 2007, o Facebook foi rapidamente adotado em outros países e tornou-se um fenômeno global — Foto: ULLSTEIN BILD/GETTY IMAGES via BBC Brasil

Uma vez que em muitas coisas que o Facebook faria ao longo dos anos, o News Feed causou polêmica inicial por expor seus usuários de uma forma que eles não haviam autorizado. Zuckerberg desculpou-se, e níveis de privacidade foram criados com o tempo.

O News Feed, entretanto, ficou e tornou-se a núcleo da plataforma: a utensílio oferecia um relatório em tempo real das atividades de seus amigos, sem a urgência de o usuário visitar seus perfis.

Ou por outra, o News Feed era uma reunião de conteúdos exclusiva, já que ninguém tinha os mesmos amigos nem, portanto, os mesmos registros em sua tela. Essa experiência única seria a base para o horizonte da monetização do Facebook.

Seu poderio seria construído a partir da geração de uma experiência, de serviços e de mensagens publicitárias específicos para cada pessoa.

Tal personalização foi verosímil a partir da maciça e ininterrupta coleta de informações sobre cada usuário, o que permitia um ajuste metódico de seu algoritmo – o comando matemático que determina o comportamento da plataforma – para implantar a oferta individual de forma cada vez mais eficiente.

A aposta na personalização exigia que o Facebook soubesse mais e mais sobre cada um que usasse a plataforma. Mais do que saber quem eram seus amigos e de que música ou filmes gostavam, o Facebook passou a se esforçar para deslindar todo tipo de hábito de cada usuário. Isso envolvia proceder significativamente sobre sua privacidade.

Quando esse progresso mostrava-se exagerado, o Facebook costumava pedir desculpas, recuava, mas logo depois achava outra forma de seguir em frente em sua missão.

Em poucos anos, o Facebook dominou o mercado, com seguidos anúncios de novos produtos para a rede — Foto: JUSTIN SULLIVAN/GETTY IMAGES via BBC Brasil

Um grande exemplo foi o Beacon, uma utensílio do Facebook lançada em novembro de 2007, que conectava a plataforma com outras empresas. Quando o usuário fazia uma compra numa dessas empresas, essa informação era publicada, via Beacon, em sua News Feed, numa combinação de compartilhamento de atividade pessoal com publicidade.

Com um pormenor: os usuários não haviam autorizado tal publicação, tal qual cancelamento exigia uma complicada ação de “opt-out” para que o usuário desligasse o Beacon de seu perfil.

Em poucas semanas, o serviço tornou-se motivo de um processo contra a empresa, e o Facebook criou as opções de desligamento além de tornar o serviço “opt-in” – ou seja, o Beacon só seria ativado se o usuário o solicitasse.

Em 2008, ao participar de uma conferência de tecnologia, Zuckerberg disse: “Você não perguntou, mas eu vou te expor: o Beacon foi um grande erro para nós, de várias maneiras”.

Em setembro de 2009, menos de dois anos depois de sua geração, a utensílio foi encerrada, porquê secção do contrato feito na Justiça.

A experiência, entretanto, foi valiosa para o Facebook, que aprendeu na prática até onde poderia ir antes de incomodar – ou revoltar – grande secção de seu público.

Em 2008, a rede social lançou a utensílio de se “logar” com outros sites usando sua identidade do Facebook – o chamado “Log in with Facebook” ou, em seu nome solene, Facebook Connect.

No ano seguinte, foi a vez do lançamento do botão de “Like”, que facilitou a frase de sentimento positivo em relação a qualquer tipo de teor dentro da rede. Gostou do que viu ou leu? É só dar um “like”, e o responsável ficará sabendo – assim porquê outras pessoas.

Para o Facebook, o botão potencializou o conhecimento sobre os gostos e inclinações de cada pessoa por meio de uma coleta indireta. Em vez de o usuário declarar claramente seu paladar por qualquer tipo de comida, esporte ou música, o botão de “like” registrava aquele paladar na prática, de forma espontânea.

O Facebook começava a saber mais sobre seus usuários do que eles mesmos – um “like” poderia revelar um interesse que a própria pessoa ainda não tinha percebido ter.

O botão de “Like” do Facebook nasceu porquê um marca da rede e virou uma lucrativa utensílio de negócios — Foto: GETTY IMAGES via BBC Brasil

Em 2010, o “Like” ganhou asas. Em abril, em sua conferência interna anual chamada F8, o Facebook anunciou a expansão do botão de “Like” para toda a Web.

Ao iniciar sua apresentação, Mark Zuckerberg disse no palco: “O que temos para mostrar a vocês hoje será a coisa mais transformadora que já fizemos para a Web”. E era mesmo: o botão de “Like” passava a permanecer disponível para qualquer site que quisesse implantá-lo, levando o Facebook para todos os cantos da Web.

A teoria, disse ele, era “fazer experiências instantaneamente sociais e personalizadas em todo lugar que você vá” usando a internet. Para isso, ele contava com a quase onipresença de sua rede social, que em 2010 já acumulava 400 milhões de usuários.

Zuckerberg falava em experiências “sociais e personalizadas”, dando destaque ao “sociais”, mas o que interessava mesmo era o “personalizadas”.

Quanto mais o Facebook sabia sobre seus usuários e crescia, mais poderoso e lucrativo ele se tornava. Ao noticiar a novidade, a revista americana Time identificou o potencial mercantil que o progresso da rede social sobre a rede de computadores representava.

“A empresa já tem uma plataforma de publicidade altamente desenvolvida, permitindo que anunciantes visem consumidores em demografias estreitamente definidas. (…) Se o Facebook de repente puder ter contato também com suas preferências, a plataforma poderá ser muito mais poderosa. A empresa manteve-se calada sobre qualquer projecto de monetização para o horizonte (…), mas poderá em breve ter a capacidade de direcionar anúncios de uma forma mais estreita do que qualquer outro.”

Com o impressionante prolongamento do Facebook, Zuckerberg tornou-se notoriedade internacional — Foto: FRANCOIS G. DURAND/GETTY IMAGES via BBC Brasil

Os números confirmaram tal previsão. Até 2008, o Facebook ainda acumulava prejuízo – tapume de US$ 56 milhões de perdas naquele ano, para um faturamento de US$ 272 milhões. No ano seguinte, a empresa entrou no azul, com lucro de US$ 229 milhões. Foi, porém, a partir de 2010 – ano do lançamento do botão de “Like” na Web – que tanto seu faturamento porquê seu lucro dispararam.

Em 2010, entraram US$ 1,97 bilhão na empresa, que registrou lucro de US$ 606 milhões. Em 2015, o faturamento foi nove meses maior que cinco anos antes – US$ 17,9 bilhões –, e o lucro o acompanhou: US$ 3,7 bilhões.

Esse desempenho refletiu-se no valor totalidade da empresa. Em 2009, ela era avaliada em US$ 10 bilhões pelo mercado.

Em 2012, posteriormente anos de especulação, o Facebook fez sua estreia na Bolsa de Novidade York. A US$ 38 cada ação, a empresa, de exclusivamente oito anos de existência, abriu seu capital avaliada em US$ 104 bilhões.

O período de 2007 a 2010 foi decisivo para o Facebook, particularmente o ano de 2008. Em março, chegou à empresa para assumir a posição de COO (Chief Operating Officer, ou diretora de Operações) a executiva Sheryl Sandberg.

Economista, Sandberg vinha do Google, onde era responsável pela espaço de publicidade. Em linhas gerais, ela fazia o Google lucrar muito moeda com anúncios publicitários – e chegava ao Facebook para repetir o feito.

Com suas ferramentas e algoritmos, o Facebook havia criado a personalização social em grande graduação, mas o lucro em grande graduação com a personalização era obra do Google.

Sheryl Sandberg levou do Google para o Facebook muito conhecimento sobre publicidade do dedo — Foto: GETTY IMAGES via BBC Brasil

Fundado em setembro de 1998 pelos engenheiros americanos Larry Page e Sergey Brin, estudantes de doutorado na Universidade Stanford, na Califórnia, o Google revolucionou o mundo do dedo em vários aspectos.

Primeiro, com seu algoritmo PageRank, que classificava a relevância de páginas da Web com base em suas conexões com outros sites – páginas que apareciam em mais links de terceiros eram mais relevantes. Depois, com seu Google Ads, criado em 2000 porquê uma plataforma de anúncios publicitários que usa leilões em tempo real para definir preço e visibilidade.

É verosímil que a maior revolução do Google, no entanto, tenha sido sua terceira inovação. A empresa percebeu que, no processo de navegação pelo Google, com suas pesquisas e perguntas, todo usuário deixava uma trilha de pegadas. Um enorme amontoado de dados revelando interesses de uma pessoa era produzido e recebido pelo Google.

A empresa, portanto, decidiu fazer alguma coisa com isso. Passou a considerar essas informações na hora de oferecer os resultados de suas buscas a um sujeito. Mais: passou a considerar esses interesses pessoais na hora de exibir anúncios para cada pessoa.

Estava criada a publicidade direcionada – que, de posse de cada vez mais detalhes sobre cada usuário, se torna uma publicidade microdirecionada.

Larry Page e Sergey Brin, criadores do Google, perceberam que seus usuários deixavam rastros sobre seus interesses — Foto: GETTY IMAGES via BBC Brasil

A pesquisadora e escritora americana Shoshana Zuboff identificou na invenção do Google o promanação do que ela considera um novo – e perverso – sistema econômico.

“A invenção do Google de anúncios direcionados abriu o caminho para seu sucesso financeiro, mas também estabeleceu o pilar de um caso de alcance ainda maior: a invenção e a elaboração do capitalismo de vigilância“, escreveu Zuboff em seu livro A Era do Capitalismo de Vigilância (Editora Intrínseca).

Fundamentado no metódico monitoramento dos comportamentos dos consumidores – a partir do que eles pesquisam na internet, o que compram, aonde vão, o que leem e muito mais –, esse novo capitalismo tem, segundo a autora, o poder de se antecipar aos desejos das pessoas.

Ou por outra, diz Zuboff, depois de se antecipar a esse libido e oferecer-lhe exatamente aquilo que uma pessoa buscava, esse novo sistema adquiriu a capacidade de influenciar o comportamento dos consumidores. Criou assim um círculo virtuoso para os lucros de empresas, mas vicioso para a privacidade e autonomia dos cidadãos.

Sheryl Sandberg entrou no Google em 2001 e foi peça fundamental na geração de tal padrão extremamente lucrativo para a empresa de Page e Brin, porquê vice-presidente para vendas globais.

O faturamento do Google, de US$ 400 milhões em 2002, atingiu US$ 16,6 bilhões em 2007. Shoshana Zuboff chamou de “superávit comportamental” a matéria-prima usada pelo “capitalismo de vigilância”, e para ela Sandberg sabia muito muito do potencial do Facebook para monetizar tal material.

“Sandberg compreendeu que, por meio de uma manipulação habilidosa da cultura de intimidade e compartilhamento do Facebook, seria verosímil usar o superávit comportamental não exclusivamente para satisfazer uma demanda, mas também para produzir demanda”, escreveu Zuboff.

O Google criou um novo sistema mercantil fundamentado no monitoramento do que o usuário faz na internet — Foto: GETTY IMAGES via BBC Brasil

Não demorou para que alguns percebessem que o mesmo padrão que permitia a geração de desejos por produtos ou serviços permitia também o incentivo a ações políticas e sociais.

O mesmo Facebook dos anúncios microdirecionados de cosméticos, seguros de veículos ou pacotes turísticos se tornaria uma arma da política.

Aquisições, Cambridge Analytica e abusos

A partir de 2010, com seu crescente poder de maximizar seus resultados baseados no microdirecionamento de anúncios publicitários, o Facebook continuou aumentando de tamanho, tanto a plataforma porquê a empresa.

Os 400 milhões de usuários de 2010 viraram 1,6 bilhão no final de 2015, ano em que seu faturamento atingiu US$ 17,9 bilhões – e lucro de US$ 3,7 bilhões.

O poderio de Zuckerberg não exclusivamente seguiu atraindo mais e mais usuários e clientes porquê intensificou outra estratégia de dominação do mercado: a obtenção de concorrentes.

Em abril de 2012, o Facebook pagou US$ 1 bilhão pelo aplicativo de fotos Instagram, que fora lançado menos de dois anos antes e contava na estação com 30 milhões de usuários.

Dois anos depois, uma compra ainda mais impressionante: o WhatsApp, que contava com 400 milhões de usuários, foi adquirido por US$ 19 bilhões.

O Facebook, segundo informações do mercado, ainda tentou comprar, sem sucesso, outro novo aplicativo em prolongamento, o Snapchat, lançado em 2011. A oferta, que teria sido feita em 2013, teria supostamente chegado a US$ 3 bilhões. Sem conseguir concretizar a obtenção, Zuckerberg resolveu incorporar ao Instagram funcionalidades que faziam do Snapchat uma utensílio peculiar e abriu concorrência direta entre as plataformas.

Em 2014, o Facebook pagou US$ 19 bilhões pelo aplicativo de mensagens WhatsApp — Foto: INDRANIL MUKHERJEE via BBC Brasil

O Facebook cresceu, mas o padrão que permitiu seu progresso sofreu um golpe de imagem significativo em 2018, quando vieram à tona revelações sobre o papel da plataforma – e da empresa – em acontecimentos de 2016.

O escândalo, revelado pelo jornal britânico The Observer – a versão dominical de seu parceiro The Guardian –, denunciava o uso dos dados de milhões de usuários do Facebook porquê utensílio para propaganda política em obséquio do candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump.

A mesma estratégia também teria sido usada por interessados na vitória do Brexit no referendo britânico sobre a permanência do Reino Uno na União Europeia.

Uma vez que resumiu a reportagem do Observer de 18 de março de 2018, logo em sua preâmbulo: “A empresa de estudo de dados que trabalhou com a equipe eleitoral de Donald Trump e a vencedora equipe de campanha do Brexit colheu milhões de perfis do Facebook de eleitores americanos, em uma dos maiores violações de dados do gigante da tecnologia, e os usou para edificar um poderoso programa para prever e influenciar escolhas nas urnas“.

O escândalo da Cambridge Analytica expôs a natureza do padrão mercantil do Facebook e seus riscos — Foto: GETTY IMAGES via BBC Brasil

A reportagem foi baseada nas revelações de um denunciante, Christopher Wylie, que havia trabalhado com um acadêmico da Universidade de Cambridge na obtenção do material.

O acadêmico, Aleksandr Kogan, colheu os dados num trabalho sem relação com a universidade: um aplicativo por meio do qual sua empresa GSR (Global Science Research) e a britânica Cambridge Analytica tomaram dados de centenas de milhares de usuários do Facebook – que receberam por isso.

As empresas, porém, também tiveram chegada a dados pessoais das conexões dessas pessoas na rede social, o que elevou a base de dados a respeito de 50 milhões de usuários. A Cambridge Analytica, na estação da operação, tinha entre seus executivos Steve Bannon, portanto assessor político de Donald Trump.

Em poucos dias, Mark Zuckerberg divulgou uma enunciação em que admitiu que sua empresa havia cometido “erros”.

“Nós temos uma responsabilidade de proteger seus dados, e se nós não podemos, portanto nós não merecemos servir vocês.”

Em entrevista à rede CNN, ele também pediu desculpas ao público.

Mark Zuckerberg teve de depor no Congresso americano sobre escândalo da Cambridge Analytica — Foto: GETTY IMAGES via BBC Brasil

O escândalo, que provocou o fechamento da Cambridge Analytica e levou Wylie a depor no Congresso americano, foi tratado pela empresa e pela maior secção da mídia porquê uma falta de segurança e invasão de privacidade no envolvente do Facebook.

O problema, no olhar de autoridades e muitos especialistas, era o trajo de os dados de milhões de usuários terem derribado nas mãos de terceiros sem seu consentimento. Entretanto, no cenário mais vasto da novidade veras econômica e social criada por Facebook e Google, mais importante ainda era o que foi feito com esses dados.

Os usuários cujos dados foram roubados acabaram alvos de anúncios políticos direcionados especificamente para eles, numa adoção do padrão já usado na venda de produtos para a propaganda – e desinformação – política.

O Facebook, assim porquê aconteceria com outras plataformas digitais, passou a ser uma utensílio na propagação das chamadas “fake news” – informações mentirosas divulgadas de forma deliberada para produzir falsas narrativas e distorcer a veras.

A possibilidade de enviar mensagens a grupos específicos na plataforma também foi usada na organização de crimes. Em 2016 e 2017, a minoria muçulmana Rohingya, de Myanmar, foi escopo de uma campanha de limpeza étnica que, segundo autoridades internacionais, foi promovida pelas Forças Armadas do país.

O Facebook, tal qual aplicativo era o mais popular em Myanmar, sendo usado por mais de um terço da população, foi amplamente utilizado para a espalhamento de mensagens de ódio contra os Rohingya.

Citada pela BBC, uma representante da ONU (Organização das Nações Unidas) para direitos humanos, Yanghee Lee, disse em março de 2018 que “o Facebook tornou-se um monstro, não aquilo que originalmente tinha a intenção de ser”.

O Facebook foi criminado de servir de plataforma para ataques contra a minoria Rohingya, em Myanmar — Foto: NURPHOTO via BBC Brasil

Uma outra plataforma da empresa, o aplicativo WhatsApp, também transformou-se em eficiente utensílio de propaganda política, mas de uma maneira dissemelhante. Sem o vasto uso publicitário visto no Facebook, o WhatsApp trazia outro atrativo: conexões entre pessoas próximas e grupos num envolvente fechado, de difícil monitoramento por entidades externas.

Em vez de anúncios, no WhatsApp a propaganda política ou ideológica passou a ser feita pelos chamados “disparos” – mensagens enviadas e repassadas a um número grande de pessoas.

Uma reportagem da BBC News Brasil, de outubro de 2018, mostrou porquê eleitores brasileiros eram colocados em grupos de WhatsApp sem seu consentimento depois que seus telefones eram coletados de alguma maneira – de listas comerciais ou de dentro do Facebook.

Uma dona de mansão de São Paulo disse à BBC: “Não sei onde encontraram meu telefone. Os administradores e algumas pessoas tinham números estrangeiros. Eu fiquei com susto. Saí de todos e denunciei todos os grupos para o WhatsApp.”

O Facebook e o WhatsApp prometeram, em várias oportunidades, expelir as brechas de seus sistemas que permitiam a invasão de privacidade indevida e o ataque por grupos políticos. Medidas específicas foram tomadas nos Estados Unidos, em Myanmar e no Brasil, enquanto mudanças nas plataformas – porquê um limite menor de pessoas para quem uma mensagem poderia ser repassada no WhatsApp – foram implementadas.

Mark Zuckerberg e outros CEOs de empresas de mídias sociais e tecnologia, porquê Google e Twitter, foram sucessivamente convocados a depor no Congresso americano devido a problemas no setor de tecnologia, incluindo invasão indevida de privacidade e uso político dissimulado.

Em agosto de 2019, usuários do Instagram e do WhatsApp podem ter notado uma pequena mudança nos aplicativos. Ao lado da marca, aparecia uma referência a seu possessor: “From Facebook” (Do Facebook).

Segundo a empresa, a medida dava mais transparência à relação com o usuário, que passaria a ser informado mais claramente que os aplicativos eram do Facebook.

Três meses depois, um novo logotipo para a empresa Facebook, com a vocábulo em letras maiúsculas, foi adotado para diferenciá-la da rede social.

Tal transparência também atendia a um outro objetivo do grupo: dificultar qualquer tentativa das autoridades americanas de forçar uma subdivisão da empresa, um dos focos de investigações do Congresso sobre monopólios no setor de tecnologia.

Em outubro de 2020, o relatório de uma percentagem da Câmara dos Representantes disse que Facebook, Google, Amazon e Apple exerciam o papel de monopólios no setor.

“Essas quatro corporações servem cada vez mais porquê controladores do negócio e das comunicações na era do dedo, e esse poder de controlador lhes dá uma capacidade enorme de desmandar desse poder“, disse um representante da percentagem, citado pela rede americana NPR.

As conclusões da percentagem tinham caráter consultivo e não implicavam nenhuma medida do Congresso contra as empresas, mas a possibilidade de que alguma norma viesse a forçar a subdivisão dessas grandes corporações não estava descartada.

O Twitter manteve-se independente, porquê concorrente do Facebook, e abriu seu capital na bolsa de Novidade York — Foto: ANDREW BURTON/GETTY IMAGES via BBC Brasil

Enquanto seguia inviolado, o Facebook crescia. Em meados de 2020, a rede social registrava um totalidade de 2,7 bilhões de usuários ativos.

Segundo estimativas do mercado, o WhatsApp contava com 1,5 bilhão de usuários – 120 milhões exclusivamente no Brasil –, e o Instagram acumulava outros 1 bilhão.

O faturamento da empresa em 2019 atingiu US$ 70,7 bilhões, com US$ 18,5 bilhões de lucro.

Os impressionantes números acumulados desde que o ainda jovem Mark Zuckerberg programou a primeira versão do Facebook, em fevereiro de 2004, fazem da mais famosa rede social do planeta uma das histórias mais memoráveis do início do século 21.

Outras redes sociais independentes da empresa de Zuckerberg, porquê Twitter, YouTube, Snapchat e as chinesas TikTok e WeChat, também tiveram grande impacto na forma porquê as pessoas interagem entre si.

O Facebook, porém, concluiu as duas primeiras décadas do milênio sem dar sinais de que perderia público, influência ou poder tão cedo.

Em 2020, com exclusivamente 36 anos de idade e uma riqueza de mais de US$ 100 bilhões, Mark Zuckerberg parecia disposto a continuar fazendo história.

Links Patrocinados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui