Tribuna do Setentrião – Coleta seletiva corre risco de parar em Natal

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Cláudio Oliveira

Repórter

Sem a renovação do contrato com a Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana), o trabalho da coleta seletiva da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis (Coocamar)  está sob risco de parar, de modo a reduzir esse serviço na capital. Na quinta-feira (15), representantes das duas entidades se reuniram para discutir uma opção, porém, ainda não há nenhuma previsão de solução pela Urbana, que argumenta falta de recursos para o pagamento do serviço.

Créditos: Tiago RochaCooperativas de reciclagem de lixo em Natal poderiam ampliar serviço se dispusessem de mais infraestrutura para coleta, separação e destinação dos itens reciclados

O presidente da Coocamar, Severino Francisco de Lima Júnior, explicou que os repasses feitos pela Urbana através do contrato são equivalentes ao que seria pago às empresas de coleta e que é substituído pelo serviço dos catadores. “Mas estamos desde dezembro sem contrato e esses meses trabalhados a gente não sabe se vai receber”, pontuou.

Outrossim, relatou Severino Júnior, em 2020 ficaram três meses sem repasses, totalizando R$ 70 milénio. Isso aconteceu porque a Cooperativa alcançou a produção prevista em contrato antes do prazo. Mas, ele explicou que essa questão está prestes a ser resolvida. “De qualquer forma, estamos confiantes que vamos renovar esse contrato que valerá por quatro anos e chegaremos a uma saída, ou portanto precisaremos parar o trabalho no final de maio”, lamentou.

A  Urbana explicou que os últimos contratos com Cooperativas foram assinados em dezembro de 2015 e fevereiro de 2016, com vigência de 60 meses, tendo a Coocamar e Coopcicla (Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis da Cidade do Natal) uma vez que contratadas. Por isso, a companhia municipal confirmou que os contratos, inicialmente, tiveram sua vigência até dezembro de 2020 (Coocamar) e fevereiro de 2021 (Coopcicla).

“Durante o período de pandemia houve um aumento na coleta dos resíduos recicláveis na cidade do Natal. Com isso, o contrato com a Coocamar não foi verosímil, legalmente, aditar seu prazo uma vez que as quantidades previstas para o mesmo foram executadas. O contrato com a Coopcicla, uma vez que ainda havia saldo orçamentário, foi verosímil a prorrogação”, explicou o diretor de Planejamento e Gestão Ambiental da companhia, Joacy Pereira.

Ele ressaltou que o rito processual para contratação de outra cooperativa encontra-se em curso. “Hoje são atendidos tapume de 15 bairros com coleta seletiva no município, executados pela Coopcicla que apresenta um número de aproximados 37 associados em sua formação”, explicou.

Para cada tonelada recolhida são repassados R$ 200 à Cooperativa. A venda do material às empresas recicladoras ajuda a complementar a renda e cobre os custos de manutenção desses empreendimentos e a remuneração dos cooperados, que fica em torno de um salário mínimo e mais alguns benefícios, uma vez que cestas básicas e doações que chegam de empresas e entidades comprometidas com a pretexto ambiental.

Faltam caminhões para serviço da coleta em Natal

Além da falta de repasses, a redução de caminhões para transportar o material coletado também tem interferido na coleta seletiva em Natal. Até fevereiro pretérito eram três veículos cedidos pela Urbana para a Coocamar. Agoras são unicamente dois. Com exceção desses, há mais dois caminhões próprios doados pelo Programa Pró-Catador, ainda na gestão do ex-presidente Lula.

Sem ter uma vez que transportar mais material, não tem uma vez que recolher uma quantidade maior e incluir mais pessoas no programa. A zona Setentrião da cidade, por exemplo, é a única extensão da cidade onde nenhum bairro tem coleta seletiva justamente por isso, segundo Severino Júnior.

A coleta seletiva do lixo é uma atividade sustentável, que gera renda, economiza recursos públicos e preserva o meio envolvente. Porém, para sobrevir é necessário que haja colaboração também da população que precisa isolar os resíduos secos dos molhados. 

Nas cooperativas de reciclagem, esses materiais são separados e vendidos às empresas recicladoras. Para tanto, é necessária uma política de ensino ambiental direcionada à população. De consonância com o presidente da Coocamar, Severino Júnior, leste trabalho não está sendo executado pelo Município.

Mais de 12 toneladas de lixo eletrônico recolhidas

Se a coleta seletiva de resíduos sólidos uma vez que papel, metal, plástico e vidro tem trilhado a passos lentos, o recolhimento de materiais eletrônicos trazem outra preocupação quanto à destinação correta que evite o acúmulo desses materiais compostos por substâncias nocivas ao meio envolvente e à saúde das pessoas. Nesse sentido, a iniciativa de recolher material eletrônico é responsabilidade das empresas que o comercializam. Uma delas, a Miranda Computação, conseguiu recolher 12 toneladas em dez anos.

De consonância com o fundador e diretor da empresa, Afrânio Miranda, a iniciativa começou oito anos antes da Lei Estadual 10.478/2019 instaurar às empresas que comercializam produtos eletrônicos (pilhas, baterias e aparelhos eletrônicos de pequeno porte) a instalação de coletores desse tipo de lixo. “Recolhemos 12 toneladas em Natal e Mossoró antes mesmo de ser obrigatório criarmos ponto de coleta. A gente recebe todo o material e encaminha para a empresa que dá o fado correto para reciclá-lo”, disse o empresário.

O ecoponto da Miranda é na loja da Avenida Prudente de Morais, em Barro Vermelho. Para Afrânio, a conscientização das pessoas é importante para evitar que esses materiais contaminem o envolvente e cheguem às pessoas. “Ainda falta conscientização da secção do consumidor. No Brasil, unicamente 3% desse material é coletado. São equipamentos que possuem substâncias nocivas que se degradam com a chuva e contaminam o envolvente podendo envenenar as pessoas, gerando problemas à saúde e até cancro”, pontuou.

Considera-se lixo eletrônico uma vez que sendo todo equipamento obsoleto ou em desuso que, para sua funcionalidade, depende de uma manante elétrica ou outra natividade de virilidade. Os equipamentos mais perigosos são as placas de circuitos, pilhas, baterias, tonners, cartuchos de tinta, tubos de monitores e TVs.

A Miranda Computação, por exemplo, recebe celular, carregador, notebook, nobreak, estabilizador, tablet, CPU, monitor, TV, impressora, modem, CD-ROM, telefone, DVD, vídeo cassete, rádio, caixa de som, relógio, liquidificador, secador, pendrive, fios, cabos elétricos, fone de ouvido, teclado, mouse, controle remoto, câmera fotográfica, retroprojetor, placas de circuitos, conectores, gravador, scanner, switch, ipod, mp3, calculadora, lanterna, auto falante, antena, receptor, webcam e microfone. Não recebe TV tubo, monitor tubo e lâmpadas.

Pandemia prejudicou cooperativas

Na Coocamar, a pandemia do novo coronavírus fez reduzir de 60 para 45 cooperados, pessoas que tiram da reciclagem do lixo o sustento da família, uma vez que é o caso de Sônia Maria do Promanação, de 40 anos. “Se não fosse a cooperativa, eu acho que estaria trabalhando no lixão, sob sol, na sujeira. Cá é limpo, tem uniforme, é organizado e o verba é notório. Me preocupa saber que pode parar porque vai ser muito difícil pra eu encontrar outro trabalho”, declarou a catadora que mora com cinco filhos.

Do outro lado do muro da Cooperativa, funciona a Estação de Transbordo de Cidade Novidade, onde os resíduos coletados pelos caminhões compactadores em todos os bairros natalenses são descarregados para serem transportados para o Aterro Aanitário de Ceará-Mirim. Na Estação de Transbordo, o cenário é o que Sônia não gostaria de conviver, com pessoas catando materiais do lixo em meio à sujeira e o odor, dividindo espaço com urubus, sem o mínimo de segurança e correndo riscos diversos.

Regras sanitárias

Enquanto isso, na Cooperativa, o manuseio com os resíduos é dissemelhante, organizado e, dentro do verosímil, com saneamento, mormente, neste período de pandemia, onde os cooperados seguem as regras sanitárias, com uso de álcool em gel, máscaras e evitam estar aglomerados.

O serviço também ajuda o jovem Francisjúnior Martins, de 21 anos, com as despesas da família. “Trabalho cá há dois anos. A quantidade de material reduziu e sem o contrato da Prefeitura vai permanecer mais difícil. Não sei nem uma vez que vai ser se precisar parar a Cooperativa”, disse.

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