Tecnologia em prol do racismo? – 01/05/2021 – Opinião

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Estive recentemente em uma conferência sobre a presença de mulheres negras na extensão da disseminação da informação científica; esses convites têm sido recorrentes. Sim, nós também fazemos ciência, decodificamos DNA, desenhamos softwares, algoritmos e, sim, nós também podemos falar sobre qualquer tema para além das nossas experiências pessoais e coletivas com o racismo persistente e estrutural deste país.

Projetos porquê mulheres na TI, meninas na ciência de dados, soapbox science, women in science, que buscam retratar o protagonismo feminino na extensão, revelam por evidência nossa invisibilidade em universidades e laboratórios ainda muito brancos.

A pandemia fez lucrar as telas do país mulheres falando sobre temas porquê imunização, bioética, políticas de saúde, sofrimento psíquico. Entretanto, entre essas mulheres, poucas são negras.

Estudos de teóricas afro-americanas da extensão da TI mostram a desigualdade na distribuição global de recursos científicos, tecnológicos e midiáticos, demandando de nós um compromisso em reduzir os danos às comunidades racialmente afetadas pela chamada algocracia, isto é, sociedades governadas pelo regime dos algoritmos. Não podemos romantizar os processos de transformação do dedo das empresas e corporações de mídia e também precisamos reconhecer que, porquê toda produção humana, as tecnologias e seus algoritmos são campos de guerra. Será preciso disputar os lugares e papéis que cada cidadão, cada grupo étnico e social e cada empresa e organização ocupa nesse campo.

É preciso reconhecer que o racismo, porquê uma tecnologia, cria seus próprios mecanismos de sobrevivência, forçando parcelas inteiras da sociedade a permanecerem à margem do desenvolvimento tecnológico.

Racismo, mídia e tecnologia são práticas que se moldam em narrativas cada vez mais sofisticadas em torno da representatividade ou certeza sobre quem pode e quem não pode ter direitos a uma vida digna de ser contada e de ser lembrada.

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