Subida demanda de pacientes com Covid-19 sobrecarrega atendimento na UPA 24h em Santarém | Santarém e Região

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Quem precisa de atendimento urgente para tratar Covid-19 em Santarém, no oeste do Pará, tem que racontar com a sorte. A porta de ingressão ao sistema hospitalar do município é a Unidade de Pronto Atendimento 24 horas (UPA 24h), que está atendendo, exclusivamente, a pacientes com o novo coronavírus, está sobrecarregada – tanto com número de pessoas internadas, quanto de defasagem de pessoal, segundo o Sindicato dos Médicos do Pará.

A situação tem sido acompanhada de perto por órgãos de fiscalização, uma vez que o Parecer Municipal de Saúde, Sindicato dos Médicos e também o Ministério Público do Pará (MPPA).

A médica Nástia Irina Santos, que representa o Sindicato dos Médicos no Parecer de Saúde de Santarém, diz que a situação da unidade de saúde é sátira e tem disposto vidas em risco.

Os pacientes ficam divididos em dois tipos de salas: a vermelha, onde ficam pessoas intubadas e aguardando transferência para UTI, e quatro de isolamento. As salas somam murado de 50 vagas, atualmente ocupadas.

Um das unidades que recebem pacientes transferidos por regulação é o Hospital Regional do Reles Amazonas (HRBA), que teve a quantidade de leitos clínicos e UTI aumentada nos últimos dias, mas atende a todos os municípios da região. Desta forma, o preenchimentos de leitos é feito de forma imediata.

Pacientes críticos x falta de pessoal

Sem assistência em UTI, pacientes com insuficiência respiratória têm quadro galeno agravado e, consequetemente, em sua maioria, falência dos órgãos.

“Um dos primeiros órgãos que param são os rins e na UPA não tem uma vez que fazer diálise, logo os pacientes ficam à margem da morte. A UPA não é hospital, não é uma UTI. Se essas pessoas não forem tratadas com diálise, eles vão a óbito”, alertou a médica.

Nástia destacou ao G1 ainda que na sala de isolamento muitos pacientes têm entrado em condições críticas provocados pela Covid-19, necessitando de máscaras de oxigênio. “Se eles agravam, entram no quadro de septicemia ou insuficiência renal, são levados à sala vermelha. Se isso acontece hoje, não tem uma vez que entrarem na sala vermelha, a não ser que seja feita uma transferência ao Regional, ou se o paciente morre”, completou a médica.

A crise no sistema de saúde requer, segundo o sindicato, mais profissionais na traço de frente, inclusive no atendimento primordial. Atualmente, os profissionais atuantes precisam atender o volume maior de pacientes.

Para o Sindicato dos Médicos do Pará, Santarém não tem testado o que a demanda requer. Ou seja, a quantidade de testes é subordinado ao de pessoas que apresentam sintomas da doença. Outro agravante apresentado é que o teste disponiblizado, o que representa a grande maioria dos resultados positivos, é o rápido que identifica os anticorpos formados posteriormente a infecção pelo coronavírus.

A médica Nástia Irina ressaltou que esses testes não tem capacidade de revelar que a pessoa está doente, mas sim que já foi infectada. “Você acaba não tendo o levantamento epidemiológico real”, disse.

Profissionais analisando emagem de imagem para Covid-19 — Foto: China Daily via Reuters

O teste RT/PCR, que tem amostras tiradas da nasofaringe (nariz) e orofaringe (goela), estariam demorando murado de cinco dias para ter divulgação do resultado. “Nesse período, não tem uma vez que, o paciente agrava e vai a óbito. Não tem uma vez que esperar”, enfatizou Nástia.

Outra forma de verificar se o paciente está agredido é o vistoria de imagem (tomografia), do qual resultado mostre comprometimento comportável com Covid-19.

Transferência de pacientes

Com as filas crescendo diariamente e a espera sem previsão para transferência a hospitais em Santarém, uma das possibilidades apontadas pelo Sindicato dos Médicos é a transferência para outros municípios, uma vez que Itaituba e até mesmo Belém, para o Hospital de Campanha, porque para quem precisa de atendimento todo minuto é decisivo.

Uma das dificuldades apontadas pelo Meio Regional de Governo é a negativa de familiares de pacientes que não os liberam para receber os atendimentos em outras cidades que dispõem de leitos clínicos e UTI.

Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Maria Uchoa Martins, em Santarém, abrigará o Hospital de Campanha — Foto: G1/Registro

Para amenizar a situação, o Governo do Pará anunciou a reabertura do Hospital de Campanha na Escola Estadual Maria Uchôa, com 60 leitos clínicos. O secretário regional de Governo, Henderson Pinto, disse à TV Tapajós que a previsão para início da operação da unidade seria em 15 a 20 dias. As regiões do Reles Amazonas e Tapajós contam, atualmente, com 136 leitos.

Ao G1, a Secretaria de Saúde do Pará disse que devido ao grande número de pacientes intubados, que têm um tempo médio de permanência hospitalar longo, em média de 20 dias, é provável iniciar essa semana, as transferências de pacientes de Santarém para o Hospital de Campanha do Hangar, em Belém.

Bandeira preta – lockdown

Uma vez que medida preventiva, o Estado instituiu a mudança na bandeira da região do Reles Amazonas, que passou de vermelha para preta, com lockdown que começou a valer a partir de 00h desta segunda-feira (1º).

A orientação do Governo é que os 14 municípios pertencentes à região suspendam todas as atividades não essenciais e decretem restrição máxima à circulação de pessoas. Outra medida tomada para melhorar a situação na região do Reles Amazonas, será preferenciar a região com um número maior de vacinas, na próxima remessa de vacinas que o estado receber.

Vistoria e séquito ministerial

Relatório do Parecer Municipal de Saúde posteriormente vistoria na UPA-24h em Santarém, no dia 21 de janeiro — Foto: Divulgação

No dia 21 de janeiro, foi feita uma inspeção para verificar os equipamentos, quantidade de profissionais e estrutura da UPA-24h a pedido do Ministério Público do Pará. Foram encontradas dificuldades pelos profissionais e no atendimento devido ao quantitativo insuficiente para a demanda.

De concórdia com o promotor de justiça Bruno Fernandes, as vistorias foram realizadas com objetivo de verificar os atendimentos. Depois a fiscalização, foram encaminhados à O.S que administra a unidade e à prefeitura de Santarém pedidos que tinham uma vez que base as demandas encontradas na inspeção. O MPPA ainda aguarda o retorno das instituições.

Promotor público Bruno Fernandes, do Ministério Público do Estado do Pará, acompanha situação da pandemia em Santarém — Foto: Sílvia Vierira/G1

O órgão ministerial também acompanha o processo de medidas preventivas decretadas pelo governo municipal para minimizar os impactos da Covid-19.

A médica Nástia Irina apontou ainda a disparidade entre os números relacionados à fileira de espera para UTI em Santarém. No sábado (30), a Semsa havia divulgado que somente uma pessoa esperava a transferência, no entanto, o prefeito Nélio Aguiar havia dito em vídeo nas redes sociais que seriam seis.

À TV Tapajós, o prefeito Nélio Aguiar informou que esses números mudam rapidamente conforme a demanda é absorvida pelo sistema de saúde do município.

A direção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas informou que a Unidade tinha, até às 14h30 desta segunda-feira, 61 pacientes internados. Desses, 58 estavam em leitos e 3 em reparo. Ainda sobre o totalidade de internados, 7 estavam na sala vermelha fazendo uso do respirador mecânico e aguardam transferência para um Hospital de Subida Dificuldade, 3 já tem autorização para transferências, que serão realizadas ainda nesta segunda-feira.

Sobre o questionamento do uso de O2, 5 pacientes não estavam fazendo uso do oxigênio, por não ter premência clínica. A direção ressaltou ainda que não é verdade sobre a falta de material para respiração mecânica.

Sobre o questionamento de aumento de pessoas no quadro de funcionários, a direção ressaltou que já foi realizada contratações, entre eles de fisioterapeutas. A capacidade mínima de atendimento da Unidade seria de 10.500 acolhimentos aos mês e com pandemia esse número diminuiu.

O G1 entrou em contato com a prefeitura de Santarém, questionou sobre os problemas apontados pelo Sindicato dos Médicos do Pará, mas até a publicação desta reportagem não teve respostas.

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