Retorno do auxílio emergencial dependerá de Bolsonaro e não do Congresso, dizem analistas | Brasil e Política

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O retorno do auxílio emergencial dependerá do presidente Jair Bolsonaro e não do Congresso Pátrio, segundo avaliam analistas políticos. Apesar de os candidatos do governo à presidência da Câmara e do Senado defenderem a extensão do favor neste ano, a decisão caberá exclusivamente ao presidente, que teme o descontrole fiscal e resiste em subscrever o pagamento de novas parcelas do auxílio.

Em debate promovido pelo banco do dedo Modalmais hoje, o diretor-executivo para as Américas da Consultoria Eurasia, Christopher Garman, afirmou que somente o Palácio do Planalto poderá sentenciar sobre a volta do auxílio emergencial.

“A chave encontra-se no presidente”, disse. Na avaliação da Eurasia, Bolsonaro teme que o gasto com o pagamento do favor gere uma crise de crédito no país e ligeiro ao descontrole fiscal. “Se o fiscal entrar em descontrole, Bolsonaro pode seguir o caminho de Dilma”, afirmou Gama, em relação ao impeachment enfrentado pela ex-presidente Dilma Rousseff, depois de seu governo fazer pedaladas fiscais. Segundo o comentador, Bolsonaro pode republicar o programa se o país enfrentar uma crise ainda mais severa por conta da pandemia.

No ano pretérito, o Congresso aumentou o valor do favor, de R$ 200 para R$ 600, quando o auxílio foi revalidado. Os analistas, no entanto, ponderam que os parlamentares não podem recriar o favor, extinto em dezembro. E evitaram declarar se o governo deve ou não voltar com o auxílio neste ano.

Na avaliação de Luciano Dias, sócio diretor da CAC Consultoria, deputados e senadores não têm condições de viabilizar a proposta. “O Congresso sozinho não aprova”, disse, durante o debate online.

Para Sergio Denicoli, diretor de Big Data da AP Exata Lucidez em Informação Do dedo, “Bolsonaro é o grande núcleo da decisão” sobre o auxílio, apesar de o debate sobre o retorno do favor lucrar força dentro do Congresso. Tanto o candidato bravo pelo presidente ao comando da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) quanto o postulante ao Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), apoiam o pagamento de novas parcelas neste ano. “Bolsonaro tentou manter o favor, porque é importante para manter a popularidade do governo”, disse o comentador, lembrando que a equipe econômica rejeita republicar o programa.

Ao falar sobre a troca no comando da Câmara e do Senado, no início de fevereiro, os analistas disseram que os problemas na fala política do governo com o Legislativo continuarão. “O problema da coordenação política depende do Planalto, disse Luciano Dias. “Enquanto não mudar quem está no Planalto, vai continuar essa confusão.”

Christopher Gama afirmou que as reformas devem ser retomadas no segundo semestre, sobretudo a tributária e a administrativa. Ao comentar sobre a diferença entre Lira e o candidato Baleia Rossi (MDB-SP), bravo pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o dirigente da Eurasia destacou que Lira faria uma reforma tributária mais alinhada com o pensamento do ministro da Economia, Paulo Guedes, do que Baleia Rossi.

(Teor publicado pelo Valor PRO, serviço de tempo real do Valor)

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