“Quando você domina a tecnologia, você domina os resultados”, diz Diego Barreto – Idade Negócios

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Diego Barreto é responsável do livro “Novidade Economia: Entenda por que o perfil empreendedor está engolindo o empresário tradicional brasiliano”  (Foto: Divulgação)

O que difere as empresas 4.0 das companhias convencionais? Ter tecnologia proprietária, avalia Diego Barreto, VP de Finanças e Estratégia do iFood. Professor com passagem pela FGV e FIA, ele acaba de lançar o livro ‘Novidade Economia: entenda por que o perfil empreendedor está engolindo o empresário tradicional brasiliano”, pela editora Gente.

O executivo define porquê fascinante a transformação pela qual os negócios estão passando. Um ciclo virtuoso de reinvestimento entre empresas, em procura sempre de “outras ótimas ideias”. Um ecossistema vibrante, em contraponto ao ritmo linear de operação da velha economia. 

Diego conversou com Idade Negócios sobre o livro e suas percepções sobre o envolvente  de inovação no país. Confira a entrevista:

Qual o principal ponto em que a novidade e a velha economia se diferenciam?

Nós temos uma novidade economia a cada era. Primeiro com a Revolução Industrial, depois na dominação do petróleo, portanto veio a era da notícia e da informação…Toda vez que a tecnologia altera de forma ampla as cadeias de valor, temos portanto uma novidade economia.

Hoje o que diferencia as empresas não é exclusivamente o uso de tecnologia, mas ter tecnologia proprietária, com um time que produz a suas próprias ferramentas, com modelos e posicionamentos próprios. Quando você domina a tecnologia, você domina os resultados.

Enquanto a velha economia entrega um resultado ou serviço, a novidade tende a entregar resultado e serviço. A novidade economia traz mais produtividade e mais competitividade.

E o Brasil pode se considerar inserido nesse novo cenário? A transformação do dedo colocou – ainda que na marra – as empresas dentro da novidade economia?

Dizem que a pandemia foi o impulso para a  transformação do dedo. Para mim, no entanto, isso aponta para um problema. A transformação deveria ter ocorrido antes. 

Hoje as empresas focadas em tecnologia dominam no Brasil: Stone, PagSeguro, Magalu, iFood. Basta olhar as maiores listadas na B3. 

No pretérito, o Brasil se atrasou demais na globalização dos negócios. O país também ficou muitos anos sem um empreendedorismo possante. Mas, nos últimos 15 anos, o país passou por uma maduração grande, principalmente com a pacificação da tecnologia – uso de redes, nuvem, smartphones. Conseguiu capilarizar e massificar tudo isso.

E, assim se passa a utilizar a tecnologia para fabricar negócios. Hoje há, sim, um segmento da economia brasileira que se utiliza da múltipla convergência de tecnologias e modelos modernos de gestão. E em tempos de transformação acelerada, a destreza não está só na pessoa ou na cultura da empresa, mas no domínio do objecto.

Por exemplo?

O iFood é um exemplo. Graças a uma equipe grande de analistas de dados e desenvolvedores, a empresa tem grande capacidade de adaptação; é expediente em incorporar mudanças. Tem ainda a XP Investimentos, tal qual CEO era diretor de tecnologia. Basta olhar para as as inovações, as aquisições que a empresa tem feito… Isso tudo mostra que entendem o valor que a velocidade e a destreza têm.

A sustentabilidade é hoje um pilar fundamental nos negócios. De que maneira a novidade economia tem endereçado esse objecto?

As empresas da novidade economia não resolveram esse problema. O que existe é o maior proporção de consciência, até por uma questão geracional, já que as pessoas ligadas à novidade economia são mais jovens. Não quero manifestar que exclusivamente os jovens podem participar da novidade economia… Todos podem, evidente. Não é uma questão de idade, mas de predominância dos mais novos.

Uma carcaterística fundamental da novidade economia é a transparência radical. Falar o que secpensa, ter um diálogo franco, colocar os assuntos na mesa. E quando se fala, imediatamente se começa a fazer. E porquê detentores de tecnologia, conseguem ter mais amplitude para mudanças. 

É a combinação de consciência, transparência e velocidade que permite que as empresas da novidade economia sejam expoentes da mudança [na questão da sustentabilidade]. Na velha economia, sem tecnologia proprietária, as mudanças são lentas.

As empresas hoje trabalham muito em parceria, principalmente entre startups. Isso é um fenômeno ligado à novidade economia?

É um oferecido facinante da novidade economia. Quando você estuda o case de empreendedores, vê que o que eles ganham com seus negócios, reinvestem em novos negócios e/ou em startups. A lógica é buscar outras ótimas ideias. E aí você cria um ciclo muito virtuoso de geração de valor e riqueza. Devolve para o ecossistema e fomenta a novidade economia.

Na velha economia havia uma atuação mais linear. Hoje a lógica é de atuação em ecossistema. E isso também é fomentado por outra propriedade da tecnologia; o uso de API (integração de plataformas). Essa capacidade de fazer a união entre sistemas e soluções faz com que as empresas se liguem mais, alimentando essa lógica.

Outro impacto da novidade economia é no mercado de trabalho. 

A formosura da novidade economia é também que para se tornar um programador ou desenvolver, por exemplo, você não precisa necessariamente de uma faculdade. É a compreensão de uma linguagem. A capacidade de se formar pessoas com domínio de tecnologia passa a ser muito maior do que com os profissionais mais tradicionais.

Você citou anteriormente a Magazine Luiza ao lado de nativas digitais. A varejista é uma empresa da velha economia, mas que hoje também é referência em atributos da novidade economia. É um exemplo de as empresas tradicionais podem fazer essa transição? E porquê fazer?

Sempreé provável mudar. A novidade economia também é um estado de espírito. Veja, o Yahoo e a Blackberry, por exemplo. Nasceram na novidade economia, mas perderam o timing. 

E o que as empresas que mudaram têm em generalidade? Acionistas que entendem a empresa. O acionista é o responsável por fazer a mudança. Por isso também vemos a figura da Luiza e do Fred (Trajano) porquê referência.

E existe epaço para velha economia nesse cenário? 

Sim, mas muito menor.

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