quando o encarregado se torna espião – Jornal Folha do Litoral

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Em 2020 o uso de ferramentas para monitorar funcionários em uma empresa aumentou significativamente. Um motivo de preocupação, pois a Justiça helvética não está ainda preparada para mourejar com a questão.

A digitalização muda o mundo do trabalho. O ano de 2020 consolidou esta mudança – mormente a tendência de trabalhar à intervalo. A pandemia tem encorajado – ou forçado – muitas pessoas a trabalhar em morada. O fenômeno também atingiu níveis sem precedentes na Suíça, e espera-se que esta tendência continue em 2021.

Olhando desta forma, o encontro entre a digitalização e o mundo do trabalho poderia ser uma bela história com um final feliz. Não somente a produtividade e a satisfação dos funcionários ganham, mas também o meio envolvente. Pois, o trabalho à intervalo durante meia semana pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em murado de 54 milhões de toneladas por ano.

Na Suíça, uma pesquisa de consultoria constatou que, nos primeiros meses de 2020, murado da metade dos funcionários trabalhava em morada, e não eram menos produtivos do que antes da crise. No ano anterior, a participação dos tele trabalhadores era de murado de 25%. No terceiro trimestre, esse número caiu ligeiramente de congraçamento com a Pesquisa da Força de Trabalho Suíça.

No entanto, a tendência do “homeoffice” continuará em 2021: a empresa de consultoria Global Workplace Analytics estima que de 25% a 30% dos funcionários em todo o mundo continuarão a trabalhar de morada vários dias por semana no novo ano.

Idílio imperfeito

O progresso, no entanto, tem seu preço. E desta vez, a conta vem para o trabalhador: com sua privacidade. Uma avaliação da plataforma Top10VPN, que analisa e classifica os serviços de VPN (n.t.: rede virtual privada) em todo o mundo, constatou que a demanda mensal por softwares de vigilância aumentou em 51% desde o início da pandemia, em confrontação com a média anterior. Em abril, o aumento chegou a 87%.

A vigilância do lugar de trabalho também está em subida na Suíça. Embora faltem estatísticas precisas sobre as atividades das empresas privadas, a Percentagem Federalista de Proteção de Dados e Informação (EDÖB, na {sigla} em boche) confirmou que o fenômeno está aumentando e sendo monitorado na Suíça.

“Durante a pandemia, houve um aumento nos relatos de violações de privacidade no lugar de trabalho. Estamos cientes do problema e abrimos uma investigação com uma empresa. Infelizmente, não podemos fornecer mais detalhes”, disse Hugo Wyler, porta-voz da EDÖB, à swissinfo.ch.

O Instituto de Pesquisa para o Trabalho e Ambientes de Trabalho da Universidade de St. Gallen aplicou um questionário a 213, gerentes de recursos humanos (RH) suíços entre junho e setembro de 2020. O resultado: a maioria das empresas está investindo nas chamadas ferramentas analíticas de RH, independentemente da pandemia. Entretanto, até 10% disseram ter “investido massivamente na expansão de ferramentas analíticas de pessoas”, desde o surto de Covid-19.

A pesquisa também constatou que aqueles que investiram nestas tecnologias antes da crise continuarão a fazê-lo depois, e que o investimento em soluções analíticas de desempenho aumentou 10% em relação a 2018.

Espião no computador

Softwares de vigilância podem realizar uma gama muito ampla de tarefas, monitorando cada atividade no computador de um funcionário – desde a gravação de palavras digitadas até o monitoramento de sua tela, pesquisas na Internet e e-mails.

Alguns softwares incluem até monitoramento de câmeras, geolocalização, gravação de áudio e aproximação a telefones celulares. Os programas mais populares – incluindo Hubstaff, Time Doctor e FlexiSPY – oferecem a maioria destas funções.

Os programas de espionagem não podem ser percebidos pelos usuários, mas registram tudo. © Thomas Kern/swissinfo.ch

A Microsoft lançou recentemente um software chamado Productivity Score. Originalmente levante software era capaz de rastrear as atividades de funcionários específicos. Desta forma era provável, por exemplo, verificar o uso dos serviços e aplicativos Microsoft 365 em nível individual.

O programa despertou grandes preocupações de privacidade, forçando a Microsoft a ajustar seu foco, e retirar algumas funções. A Microsoft é o trabalhador de software mais vendido no mundo. Seus sistemas operacionais têm uma participação de mercado de mais de 75%, principalmente no setor empresarial.

Em uma nota, Jared Spataro, vice-presidente da Microsoft 365, escreveu que a empresa não somente removeu os nomes dos usuários do resultado, mas também “revisou a interface do usuário para tornar mais simples que o Productivity Score mede o uso da tecnologia por toda a empresa, não o comportamento individual de usuários.” Quando solicitada a Microsoft Suíça preferiu não comentar mais sobre o objecto.

Foto: Programas especiais podem monitorar tudo, desde as palavras que você digita até sua tela, pesquisas na Internet e e-mails. Bally/Keystone

SWI

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