Por que a Cacau Show não deveria ter feito piada com leite condensado

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Esse meu despretensioso item não tem porquê objetivo explorar o colossal consumo de Leite Moça por secção do poder Executivo sob uma ótica política, nutricional, moral ou moral. Imprimo meu olhar cá sob um ângulo que vi pouca gente jogar luz: o desdobramento nas marcas. Os memes do leite condensado invadiram nossos feeds (pelo menos, os meus). O presidente xingou a prelo. Alguns tentaram dar uma pirueta argumentativa tentando justificar o ocorrido. Outros criticaram ferozmente. E por aí vai. Embora não tenha visto números, não tenho a menor incerteza de quem saiu ganhando, e muito, com essa treta toda foi a marca do Leite Moça Nestlé e a categoria leite condensado porquê um todo no vácuo.

Reprodução/Twitter/@cacaushow

Em meio a todo esse alvoroço, me deparo com a Cacau Show querendo pegar carona nesse ocorrido. Confesso que fiquei #chatiado. Sempre curti a Cacau Show, não somente pelo chocolate muito muito feito que eles produzem, mas porquê uma empresa fantástica e que parece ter um propósito de marca muito simples. Adoro o enorme quadro do KOBRA na fábrica deles na Rodovia Forte Branco/SP. Eu senhoril a loja flagshipstore deles cá do lado na minha morada no Morumbi Shopping. Sempre vou no bar de Mousse deles. Meu predilecto é o chocolate branco. Aquilo vira um Cirque du Soleil dentro da minha boca. E agora vejo essa marca tão admirada, tão brasileira, tão impecável, querendo capitalizar em cima do ocorrido do leite condensado e um suposto caso de superfaturamento. Me surpreendo ao ver a Cacau Show querer bancar a engraçadona no Twitter criando um meme porquê esse da imagem que publico cá e que printei das redes sociais deles. Oras! Para a marca entrar na conversa do dedo ela deve se preparar e planejar cirurgicamente.

Ações porquê essa que vejo da Cacau Show, eu chamo nas minhas aulas da “síndrome do pai indo buscar a filha da sarau rave às 7h da manhã”. O pai vê a sarau rave e não entende o que aquilo e pensa: “nossa, que sarau sem perdão, no meu tempo todos dançavam coladinho, cá todos dançam sozinhos… no meu tempo, eu me alcoolizava até desabar, hoje eles só bebem chuva”. Tadinho! Mal sabe ele a loucura que é uma sarau rave de verdade… Ele não compreende o que é aquilo. Ele está dessintonizado. Marcas que tentam lacrar (pra pegar o termo da tendência) em cima de um traje porquê esse alcance pátrio me soa porquê esse pai vacilão na sarau rave que, claramente, não entende a complicação do rolê.

Vamos com calma… Vem comigo nesse raciocínio: cada marca adota a bel-prazer a sua estratégia comunicacional, simples! Mas parem de querer ser engraçadonas a qualquer dispêndio. Parem de querer lacrar. Por mais que isso possa gerar uma viralização, um buzz, um verosímil aumento de vendas de uma trufa, isso não contribui para construção de reputação e brand awareness. David Aaker, um dos maiores teóricos de marca, hoje professor emérito da Universidade de Berkeley diz em cume e bom tom: “Crie associações positivas para sua marca”. Esse é meu ponto!

Infelizmente, a vasta maioria dos profissionais de marketing não considera que o resultado que é importa, mais do que uma medida de engajamento de plebeu nível – um ‘Curtir’, um ‘Compartilhar’, um glosa – é introduzir uma emoção positiva e uma conexão mais verdadeira com a marca. Se você patroa mesmo um tanto, você compartilha proveniente e organicamente. Você realmente deseja que as pessoas compartilhem qualquer teor da sua marca? Pois muito! Logo faça um tanto planejado em sua estratégia de engajamento e principalmente atrelado ao teu posicionamento de marca, que deve ser sagrado e espetado em pedra. Eu te garanto que a chance de dar claro é muito maior. A sua informação de marca, seja das redes, seja no balcão da sua loja, seja no seu 0800, deve trasladar o seu ponto de vista sobre a vida de seus consumidores, ou seja, seu posicionamento. Momento MIND BLOWING! BUM!!!

Olhando o Instagram e o Twitter da Cacau Show, você claramente vê que eles têm uma certa leveza na informação, tem uma certa maleabilidade (porquê eu chamo) na presença online da marca. Mas esse movimento simples do buzz pelo buzz é um tanto que dá buzz mas não favorece a marca. A sentimento que fica é: vemos uma tendência dos marketeiros e o povo de dependência se sentirem tão entorpecidos pela tecnologia e pelo zumzumzum das redes, que ficam cegos para um instinto fundamental que devemos ter porquê mote de nossas estratégias comunicacionais de marca: entender porquê as pessoas se comportam.

Veja só, eu sou um consumidor, você que lê esse item é um consumidor, somos todos consumidores nessa vida. Quando interagimos e conversamos sobre as marcas que amamos, percebemos que costuma ser um tanto muito proveniente, real, é muito humano, concorda? Se você adotar uma postura baseada somente no viral e no espaço do dedo, você está sendo um marketeiro míope e braço limitado. No momento em que você refletir mais e pensar “Qual é a nossa missão maior porquê marca?”, você começa a perceber e cai sua ficha que o que você está tentando fazer é: tocar a vida das pessoas e mudar o comportamento delas.

O Leite Moça, que é o epicentro desse fuzuê todo, está astutamente e certamente assistindo e rindo ao ver os seus números de volume de vendas aumentando em virtude dessa enorme mídia e publicidade espontânea gratuita. Mônica Bergamo disse ontem na FOLHA que “Leite Condensado” já teve mais de 1 milhão de menções no Twitter. A real é que amamos o Leite Moça e essa marca dialoga com a gente e com nossas famílias há décadas, seja no brigadeiro, no pudim, ou raspando o dedo na lata mesmo (com atenção para não se trinchar, simples).

Embora seja altamente calórico, me arrisco a proferir que 98% das pessoas que estão lendo esse meu texto nesse momento possuem uma lata de Leite Moça guardadinha agora na sua cozinha. Ela está ali pronta pra ser usada. Leite Moça é indulgência pura. Puxa vida! Já que estou em morada trancado com a família toda e com susto da Covid, acho que mereço um brigadeiro. Não me resta incerteza que esse foi e está sendo uma auto-recompensa nesse período doido que estamos atravessando. O Leite Moça Nestlé agradece! E prefiro beijinho a brigadeiro, ok? #pas

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