Perto do leilão, restaurante La Fiorentina entra no Cadastro dos Negócios Tradicionais e Notáveis do Rio

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RIO — Prestes a ser leiloado na próxima terça-feira, o restaurante La Fiorentina, no Leme, foi inscrito no Cadastro dos Negócios Tradicionais e Notáveis do Rio. A medida foi publicada no Quotidiano Solene do município nesta terça-feira.

A ingressão no cadastro criado pelo Decreto Nº 39.705 de 30 de dezembro de 2014 permite que o município busque incentivos para conservação das características do envolvente e manutenção das atividades da lar que ocupa um imóvel de 408 metros quadrados na Avenida Atlântica. “O restaurante ‘La Fiorentina’ é, notoriamente, um negócio tradicional e segmento integrante do nosso referencial cultural”, diz segmento da publicação.

Possuidor do estabelecimento famoso pelas dezenas de assinaturas de artistas e celebridades em suas pilastras, Omar Peres, o “Catito”, também espera que isso influencie no processo de tombamento da lar e também na revogação do leilão. A lar possui uma dívida de pouco mais de R$ 9 milhões com o Banco Cédula S.A., e Omar está recorrendo judicialmente da ação.

— O banco está cobrando levante valor há três anos. Nós entramos com uma ação na Justiça, e eles contrapuseram nossa argumento de que o valor correto dessa dívida seria de R$ 2,5 milhões — alega o empresário.

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Em junho de 2019, houve a tentativa de se fazer um leilão pelo mesmo motivo. Mas Omar, que só teria desvelado o trâmite através de uma reportagem do GLOBO — ele diz não ter recebido nenhuma cobrança solene do banco —, conseguiu impedir na estação a medida pela via judicial.

Na lajeada do La Fiorentina onde ficavam mesas sob um toldo, só figura a estátua de Ary Barroso Foto: Gabriel de Paiva

Aliás, uma mobilização da classe artística tenta sensibilizar o prefeito Eduardo Paes em prol do tombamento desse tradicional point da boemia intelectual do Rio. A estratégia é conseguir, junto a Paes, que o restaurante seja tombado porquê Patrimônio Material do Rio. Com essa intenção, foi prestes um requerimento, que já reúne mais de 800 nomes e será entregue ao prefeito nesta quinta-feira. Caso o tombamento seja concretizado, o restaurante poderia seguir de pé independentemente de quem comprar o imóvel.

— Oriente requerimento é o resultado de uma comoção que houve na cidade e na classe artística — diz o proprietário, acrescentando. — A pandemia foi um tiro na cabeça de todos os restaurantes. No ano pretérito, nós deixamos de faturar R$ 7 milhões. E os custos, obviamente, continuaram.

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O empresário afirma que o restaurante, hoje fechado, só está “dando um tempo”. Quando voltou a terebrar levante ano, o movimento e o faturamento ficaram 70% aquém do normal. E, por conta da paralisação das atividades por 15 dias em abril, a operação acabou sendo interrompida. Catito alega que, por mês, os prejuízos com a lar ocasião chegavam a R$ 400 milénio.

— Em setembro, eu acredito que o mercado vai conseguir responder a levante setor — avalia ele, confiando na vacinação até lá da maioria da população do Rio.

Fundado em 1957, o La Fiorentina apoiou mais de 500 peças de teatro na cidade, além de também servir de ponto final da boemia em seguida as apresentações nos palcos cariocas. O seu montão inclui assinaturas de artistas nacionais e internacionais nas pilastras internas, porquê de Fernanda Montenegro, Pelé, Erasmo e Roberto Carlos, e também uma coleção fotográfica de mais de 300 imagens — incluindo cliques do fotógrafo luso-espanhol-brasileiro Antonio Guerreiro, morto em 2019, consagrado por retratar artistas e beldades em poses intimistas.

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— Tudo isso é de um valor inestimável porque as pilastras não saem de lá, sendo um patrimônio intáctil e material que só existe no La Fiorentina. Onde mais se encontra no Rio uma foto do Jô Soares com seus 20 anos de idade? — diz Omar.

Procurado por telefone e e-mail, o Banco Cédula S.A. ainda não respondeu os pedidos de informação do GLOBO.

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