Percorrer detrás de chip vira rotina para empresas no Brasil – 01/05/2021 – Mercado

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A crise na enxovia global de chips semicondutores prenúncio novas paralisações em montadoras brasileiras e, posteriormente mais de um ano de pandemia, afeta de modo crítico a indústria de eletrônicos, que tenta se apropriar diante da escassez do componente.

A insuficiência de chips impacta fábricas de automóveis uma vez que General Motors, Ford, Stellantis e Volkswagen em todos os continentes. O problema das matrizes reflete diretamente nas subsidiárias, incluindo o Brasil. Há risco de novas paradas nos próximos meses diante da falta de semicondutores, de pacto com Anfavea, associação do setor.

“As empresas indicam essa possibilidade para as próximas semanas, para maio, caso não haja uma solução”, afirma Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

Em seu balanço do primeiro trimestre, por exemplo, a Ford alertou que reduzirá a produção no segundo trimestre em 50%, ou 1,1 milhão de unidades. A montadora disse que a escassez global de semicondutores custará muro de US$ 2,5 bilhões.

​As companhias esperam um cenário mais sólido para a enxovia no segundo semestre, embora alguns analistas joguem o reajuste unicamente para 2022. Por enquanto, as automotivas tentam mitigar o risco acelerando a obtenção de componentes por via aérea, por exemplo, o que encarece a produção.

A indústria de eletroeletrônicos enfrenta o mesmo repto. Embora se beneficie das vendas —que saltaram durante a pandemia—, 44% das empresas relatam entraves para acessar componentes eletrônicos, incluindo chips, vindos da Ásia, mostra sondagem da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) feita em março.

Isso gera detido na produção e na entrega, além de repasse ao preço para o consumidor final de computadores e celulares. Segundo a associação, 87% das empresas perceberam pressões supra do normal nos valores de componentes e matérias-primas em março, índice que era de 30% em janeiro de 2020.

“As empresas estão buscando fornecedores alternativos no mercado internacional porque não há grande disponibilidade de chips no mercado doméstico”, diz Humberto Barbato, presidente da Abinee.

A explosão na demanda por tablets, celulares, TVs e computadores, motivada pelo trabalho remoto de grande secção da população durante a crise de Covid, é uma das principais causas para o desequilíbrio da enxovia. Os componentes-chave para a fabricação de eletrônicos vêm da Ásia e dos Estados Unidos.

“Os kits de componentes aumentaram, em média, 30% nos últimos 12 meses. Coligado ao aumento do dólar, de mais de 30%, gerou uma grande inflação”, diz Alexandre Ostrowiecki, presidente da Multilaser.

A empresa foi menos lesada do que outras porque tem uma vegetal própria de semicondutores, o que não é geral no mercado vernáculo, dependente de importação. Mesmo assim, não está imune: a obtenção de bolachas de silício, a matéria-prima dos chips, também está travada.

“Não há previsão de melhora no limitado prazo porque os custos lá fora continuam subindo”, afirma Ostrowiecki.

Na Positivo, maior trabalhador de computadores do país, os dois últimos meses foram os mais difíceis para a compra de chips. “Nosso dia a dia tem sido decorrer detrás de chip e não vemos luz no término do túnel para essa questão”, afirma Hélio Rotenberg, presidente da companhia.

“Todas as indústrias do mundo usam chips de controlador de som e o resultado está engargalado nas fabricantes.”

Chips semicondutores são essenciais para produtos tecnológicos de ponta, de computadores a carros e ao 5G. Embora o mercado tenha convencionado invocar de “crise de semicondutores”, a escassez não é de silício, um dos elementos mais abundantes do planeta, mas do resultado manufaturado.

De modo simplificado, um chip semicondutor funciona uma vez que um interruptor de luz mecânico, só que ele não se move e depende de uma fluente elétrica para conduzir vigor ou não.

“O simples ato de enviar uma foto do celular a outra pessoa envolve o trabalho simultâneo de milhões de transitores, milhões de circuitos de semicondução dentro do chip do celular”, diz Sergio Gama, diretor de dispositivos inteligentes da Rockwell para a América Latina.

A crise de provimento atingiu o vértice neste ano, embora a indústria já sinalizasse problemas antes da pandemia, quando o ex-presidente americano Donald Trump iniciou uma guerra mercantil contra a China.

Para sofrear o progressão da chinesa Huawei no mercado de 5G, ele impediu a gigante asiática de comprar chips dos Estados Unidos. A chinesa correu para estocar o resultado e começou a afetar a entrega a outras companhias.

Veio a pandemia, que alterou os padrões de consumo nas casas, elevando a procura por computadores, smartphones e tablets, que demandaram maior produção fabril. A Apple, por exemplo, registrou entre outubro e dezembro de 2020 o melhor trimestre em seis anos para a venda de iPads.

Paralelo a esse movimento, o setor automobilístico, que utiliza os mesmos chips de celulares, declinou. Quando iniciou seu processo de retomada, no segundo semestre, se deparou com uma procura por carros superior à projetada. As fábricas de chips não deram conta da demanda simultânea das duas indústrias.

Para finalizar a série de problemas, a japonesa Renesas, que responde por 30% do mercado de chips para automóveis, pegou incêndio em março. Levará meses para trocar as máquinas atingidas e voltar a suprir o mercado.

O gargalo poderia ser resolvido se as fabricantes asiáticas, que respondem por grande secção do provimento, elevassem a produção. Só que a ampliação de vegetação de chips são caras e demoradas, e exigem sofisticados processos de automação. As fabricantes teriam que descrever com a sorte para ampliar as fábricas sem qualquer certeza sobre o comportamento do consumo do pós-pandemia.

Ou por outra, foram as maiores beneficiadas com a corrida por chips, registrando aumentos significativos de receita. O mercado global de semicondutores avançou de 6% a 10% em 2020, a depender da consultoria, com vendas superiores a US$ 440 bilhões. Chips de memória, GPUs e 5G impulsionaram a subida, segundo a Gartner.

A projeção para 2021 é de propagação de 10,9%, de pacto com a World Semiconductor Trade Statistics.

Sem data para a normalização da enxovia global, as indústrias também não podem depender da mudança de governo nos Estados Unidos, que influencia os rumos do mercado detendo grandes fornecedores em seu território. Embora Joe Biden tenha uma postura favorável a soluções multilaterais, o foco do país é o provimento interno.

“Mesmo que os Estados Unidos tomem uma atitude para regularizar a questão, isso vai levar muito tempo, porque o provimento lugar é prioridade bipartidária, de republicanos e democratas”, afirma Carolina Moehlecke, professora de relações internacionais da FGV.

O governo Biden assinou uma ordem executiva que tenta reduzir a submissão de produtos importados, o que inclui semicondutores.​

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