Patrocínio máster cai pela metade desde 2017, mas Corinthians compensa e mira R$ 100 milhões | corinthians

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Em quatro anos, o Corinthians viu desabar pela metade o valor recebido por seu patrocínio máster.

Em 2017, a Caixa Econômica Federalista se despediu do clube pagando R$ 30 milhões por temporada (R$ 34,9 milhões em valores corrigidos pela inflação). Agora, para gravar a marca das Vitaminas Neo Química no espaço principal da camisa, o clube receberá R$ 17 milhões fixos.

Causada por diversos fatores – alguns dos quais fogem do controle do Corinthians – tal redução foi compensada pelo clube com a geração de novas receitas de publicidade. Uma delas é a participação no lucro das empresas parceiras, uma vez que ocorreu no caso do Banco BMG (patrocinador máster em 2019 e 2020) e uma vez que será a partir deste ano com as Vitaminas Neo Química (os percentuais acordados não foram divulgados).

Outra opção encontrada pelo Timão para lucrar mais foi vender mais propriedades do uniforme, que atualmente conta com 14 estampas, considerando camisa e calção.

O saldo final, na avaliação da diretoria corintiana, é positivo. O clube mira fechar 2021 com uma arrecadação com patrocínios supra de R$ 100 milhões.

Fagner e Cássio exibem camisa com novo patrocinador do Corinthians — Foto: Divulgação

Em 2020, a previsão de receitas neste segmento era de R$ 77 milhões. Até setembro do ano pretérito, quando foi divulgado o último balancete financeiro, o clube havia embolsado R$ 55,2 milhões.

Em números absolutos, os R$ 100 milhões estimados em patrocínios representam um recorde. Mas, corrigindo a arrecadação das últimas temporadas pela inflação, o faturamento previsto para 2021 não irá destoar tanto em relação a anos anteriores. Compare nos gráficos inferior:

Receitas de patrocínio e publicidade do Corinthians

Em números absolutos, sem correção inflacionária

Nascente: Balanços do Corinthians

Receitas de patrocínio e publicidade do Corinthians

Valores corrigidos pela inflação (IPCA) até dezembro de 2020

Nascente: Balanços financeiros do Corinthians

Uma vez que fica evidente nas imagens supra, o Corinthians sofreu com a saída da Caixa. Em 2017, quando conquistou os campeonatos Paulista e o Brasílico, o Timão ainda compensou o termo da parceria com o banco (que só ocorreu em abril) firmando patrocínios pontuais, uma vez que o da Cia. do Terno. Na temporada seguinte, porém, não houve empresa disposta a remunerar o que era pedido e, logo, o clube baixou a régua.

Em 2019, a diretoria alvinegra aceitou receber R$ 12 milhões do BMG, com a esperança de turbinar os ganhos com a participação no banco do dedo “Meu Corinthians BMG”. A parceria nunca decolou uma vez que imaginado. O ex-presidente Andrés Sanchez prometeu surpresas caso 200 milénio contas fossem abertas, mas dois anos depois o número de clientes não chega nem à metade.

Mas uma vez que explicar tal queda no valor do patrocínio máster do Corinthians?

– A coisa é muito simples: uma vez que era o momento do Brasil, da economia, da sociedade e do futebol no tempo da Caixa versus o momento em 2021? Você não pode confrontar patrocínios com anos de diferença sem considerar o contexto. A veras hoje é profundamente impactada pela maior crise sanitária da história, uma recessão que só vai piorar, pois nascente ano não haverá auxílio emergencial do governo, desemprego recorde, uma perda de renda recorde, e o futebol tem enormes incertezas, até se vai ter futebol o ano inteiro. Sem falar que não há público no estádio – argumenta José Colagrossi, superintendente de marketing, informação e inovação do Corinthians.

Especialistas ouvidos pelo ge afirmam que antes mesmo da pandemia do novo coronavírus os valores dos patrocínios a clubes de futebol vinham caindo. Esse movimento aconteceu depois de 2014, passada a Despensa do Mundo (que havia aquecido o mercado) e num cenário de recessão da economia brasileira. Aliás, empresas começaram a direcionar seus investimentos para as mídias digitais e também outras modalidades, inclusive os e-sports.

Além da questão macroeconômica, a forma uma vez que clubes de futebol são geridos no País também influencia.

– Isso é trajo, não é minha opinião ou de qualquer pessoa: os números de patrocínio esportivo caíram. Há diversos motivos para isso, uma vez que a falta de “cases” de sucesso, que estimulem a ingresso de novas empresas no mercado. Aliás, via de regra, há muita rotatividade nos departamentos de marketing e nas diretorias dos clubes, uma vez que acontece no poder público, que pode mudar a cada eleição. O trajo de não ter uma perpetuidade do trabalho muitas vezes atrapalha a relação com patrocinador – afirma Fábio Wolff, sócio-diretor da filial de marketing esportivo Wolff Sports.

– Se os clubes fossem mais profissionalizados, certamente teríamos mais interessados em firmar parcerias e, com uma demanda maior, os contratos de patrocínio teriam valores maiores. Muitas vezes as decisões são tomadas sem um cunho racional e financeiro. Já assinei contrato que quase não acreditei, de tão grave. O dirigente fez isso só para pacificar pressão da prelo ou dos sócios e conselheiros. Pior: depois anunciaram um número cinco vezes maior do que o real – completa Wolff.

Neste cenário de retração dos valores de patrocínio desde 2014, a Caixa foi uma exceção, mantendo um patamar ressaltado de pagamentos por mais alguns anos antes de deixar a camisa de diversos clubes. Alguns deles sofrem os impactos disso até hoje, uma vez que é o caso do Santos, que desde o termo da parceria com o banco estatal, em 2018, não teve mais nenhum patrocinador máster fixo.

A solução encontrada por diversas agremiações, entre elas o Corinthians, foi preencher mais a camisa, alguma coisa que a própria diretoria alvinegra admite não ser o ideal.

– O melhor protótipo é aquele em que não é preciso expor diretamente a marca do patrocinador na camisa para ter retorno. Outro dia, uma marca de macarrão que patrocina a Juventus lançou um mercantil com cinco jogadores cantando o jingle da empresa, entre eles o Cristiano Ronaldo. A peça publicitária não era nem formosa, mas era efetiva, juntava a marca, o clube e os jogadores. Muita gente falou dessa propaganda, e a patrocinadora não está na camisa da Juventus. Essa forma de orientar a relação agrega valor a todo mundo: o clube, que não precisa expor tantas marcas no uniforme, e a empresa, que não precisa remunerar tanto para edificar essa relação – explica Cesar Grafietti, economista e consultor de gestão e finanças do esporte.

– Porém, em um envolvente com pouco moeda, uma vez que o do futebol brasílio, é muito difícil o dirigente recusar um patrocínio de meião, por exemplo, que vai render R$ 200 milénio, quando você está com salário procrastinado. Vira um ciclo vicioso – pondera Grafietti.

Atualmente, o maior patrocínio máster do Brasil é do Flamengo, que recebe R$ 35 milhões do Banco de Brasília. O Palmeiras arrecada R$ 81 milhões com a Crefisa/FAM, mas a parceria engloba todas as propriedades do uniforme – o grupo ainda paga outros bônus e premiações ao Alviverde.

Segundo Cesar Grafietti, apesar de receber menos pela exploração de seu principal espaço no uniforme, o Corinthians está no mesmo patamar destes dois rivais quando o tópico é receita de patrocínio:

– Desde o ano pretérito os números do Corinthians cresceram muito. O Flamengo conseguiu um máster muito bom, o Palmeiras tem um grande contrato com a Crefisa, que é único, e o Corinthians, com sua grande quantidade de patrocinadores, fez crescer muito a arrecadação. Agora, com uma equipe ainda mais profissional e um nome potente na direção, uma vez que o do José Colagrossi, isso pode melhorar ainda mais. Quando o clube tem um profissional qualificado, os patrocinadores sabem que ele vai entregar não só o espaço na camisa, mas uma serie de ações. Isso atrai gente.

Antes de assumir o marketing do Corinthians, no início deste ano, Colagrossi foi por nove anos diretor-executivo do Ibope Repucom, empresa especializada em julgar alcance, impacto e eficiência de patrocínios em esporte, entretenimento e cultura.

Presidente do Corinthians, Duílio Monteiro Alves, e o superintendente de marketing José Colagrossi — Foto: Divulgação

Confira inferior os patrocínios do uniforme do Corinthians e a validade de cada um deles:

  • Vitaminas Neo Química – Máster – Dezembro de 2025
  • Banco BMG – Ombros – Dezembro de 2026
  • Positivo – Barra das costas da camisa – Termo de 2021
  • Ale – Barra frontal da camisa – Abril 2021
  • Guaraná Poty – Secção traseira do calção – Dezembro de 2022
  • Galera Bet – Mangas (fora da camisa temporariamente) – Julho de 2025
  • Serasa – Ombros (realocado nas mangas) – Abril de 2021
  • Cartão de Todos – Secção da frente do calção – Abril 2022
  • Hapvida – Peito – Agosto de 2021
  • Midea – Secção superior das costas – Dezembro de 2021

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