Para proceder no Brasil, carros elétricos dependem de tecnologia, reforma tributária e combate à desindustrialização – Estação Negócios

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Carruagem elétrico (Foto: Pexels)

A Ford anunciou que todos os seus carros na Europa serão elétricos até 2030. Planos semelhantes foram mostrados pela Onça. No green deal europeu, uma vez que segmento do pacote de incentivos pela pandemia, a Alemanha investiu 20 bilhões de euros em veículos elétricos. O Reino Unificado proibiu a venda de carros a gasolina e diesel a partir de 2030. Parece que o horizonte aponta para um só lugar. No entanto, o Brasil está retardado nessa corrida.

Para encetar, o país tem mais modelos eletrificados, aqueles que não são puramente movidos à vontade elétrica. O Toyota Corolla, por exemplo, protótipo mais popular em 2019, com venda de quase 10 milénio unidades, é um híbrido, com um motor a esbraseamento e outro elétrico. O parco leque de opções ao consumidor pode ser explicado pelo cume preço desses modelos.

Segmento do ressaltado dispêndio vem dos impostos — e há a esperança de que isso mude com a reforma tributária, ainda em tramitação no legislativo. Atualmente, os carros elétricos movidos a bateria e a células de combustível de hidrogênio não pagam o imposto de importação, mas têm a alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de 7%. Os modelos mais baratos custam em torno de R$ 100 milénio, enquanto um sege popular no país custa em torno de R$ 40 milénio.

“Existe demanda, mas os nichos de mercado de maior atuação ainda pagam duas a três vezes mais impostos do que veículos a esbraseamento”, diz Adalberto Maluf, presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico). “Ficamos apreensivos em ver o Brasil perder o timing do resto do mundo”. Para o perito, o gap entre o país e o resto do mundo deve permanecer ainda maior com a novidade política ambiental proposta pelo presidente dos EUA, Joe Biden.

Ainda contribui para o pouco alcance dos elétricos a debandada de montadoras do país, a exemplo da Ford, que anunciou que fecharia as portas no início do ano. Sem produção tecnológica própria, o Brasil fica dependente da inovação vinda das matrizes. “Podemos nos perguntar: e se tivéssemos feito uma legislação importante para veículo elétrico? Talvez ainda estivéssemos no planta estratégico dessas companhias”, diz Maluf. O Rota 2030, programa de incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento da superfície automotiva do governo federalista, ainda anda em marcha lenta, avalia o presidente da ABVE.

Receita brasileira

Esse tipo de iniciativa tem se mostrado importante para o desenvolvimento de veículos verdes no país: o Corolla Flex foi resultado do Inovar Auto, segundo Thiago Sugahara, vice-presidente de Veículos Leves da Toyota. Apesar de não ser um elétrico puro, ele atende necessidades específicas do mercado brasílio, diz o executivo.

“Houve investimento em engenharia brasileira pela questão de eficiência energética, com a tradução desses dois desafios”, afirma. Com o uso de etanol uma vez que combustível muito atrelado ao Brasil, foi necessário racontar com a expertise de profissionais qualificados daqui. “Mesmo sem ter uma política muito clara, o Brasil vem criando oportunidades e pretendemos continuar com oferta no segmento”.

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