Os mais poderosos da América Latina e suas relações com negócios ‘offshore’ | Pandora Papers

0
23

Pelo menos 92 políticos ou altos funcionários governamentais da América Latina criaram empresas offshore com a ajuda dos 14 escritórios de advocacia que estão na origem dos Pandora Papers: 11,9 milhões de documentos confidenciais que se tornam públicos pela primeira vez graças a uma investigação global coordenada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na {sigla} em inglês).

Esses documentos comprovam os negócios, as estruturas e as transações imobiliárias e acionárias de indivíduos que há décadas vêm definindo as políticas públicas da América Latina, a região mais desigual do mundo. Alguns deles continuam em seus cargos ou mantêm posições muito próximas do poder. Outros passaram à atividade privada. Neste infográfico, o EL PAÍS reúne os mais destacados dentre aqueles que os veículos integrantes do CICJ estão revelando neste domingo.

As chamadas empresas offshore, com sede em outro país que não o habitação fiscal de seus administradores, são legais, desde que seu proprietário as declare às autoridades do sítio onde reside. Frequentemente, no entanto, elas são estabelecidas em alguma jurisdição com legislação opaca, os chamados paraísos fiscais, para se aproveitar da pouca ou nula tributação e das regras de confidencialidade. Servem, em linhas gerais, para ocultar e blindar jurídica e tributariamente o verdadeiro possuidor de determinados ativos que podem ser financeiros, mas também podem assumir a forma de imóveis, obras de arte ou veículos. A OCDE calcula que até 27% dos ativos financeiros latino-americanos sejam desviados para offshores, o que representa o equivalente a 118 bilhões de reais em arrecadação fiscal perdida a cada ano.

Mais de 600 jornalistas de 117 países analisaram durante dois anos os 11,9 milhões de documentos. Sites independentes, grandes jornais, repórteres freelance e canais de TV tiveram entrada aos mesmos registros que revelam negócios até agora desconhecidos em sua maioria. Os veículos associados a cada mandatário ou empresário são os que, desde o primórdio, conduziram a investigação em seus respectivos países.

Mapa

Sebastián Piñera

Presidente

Chile — Ilhas Virgens Britânicas

Os negócios offshore de Sebastián Piñera envolvem várias empresas nas Ilhas Virgens Britânicas. As empresas do presidente remeteram valores para duas companhias registradas nesse paraíso fiscal entre 1997 e 2000. Um dos seus filhos foi diretor de uma das empresas, antes que elas fechassem, em 2018. “Hoje, nem Piñera nem sua família possuem ou controlam veículos de investimento no exterior”, alegou um porta-voz.

Luis Abinader
Mapa

Luis Abinader

Presidente

República Dominicana — Panamá — Rep. Dominicana

Os documentos revelam que o presidente é o beneficiário, junto com seus irmãos, de duas empresas no Panamá, ambas criadas antes de ele assumir o função, que serviam para reger ativos na República Dominicana. Até 2018, as ações dessas empresas estiveram atribuídas “ao portador”, uma fórmula utilizada para ocultar os beneficiários das companhias. Ao tomar posse porquê presidente, em 2020, ele declarou ter nove empresas offshore. Até a publicação desta investigação, Abinader não tinha respondido às solicitações de contato.

Guillermo Lasso Mendoza
Mapa

Guillermo Lasso Mendoza

Presidente

Equador — Panamá — Ilhas Virgens Britânicas

Os Pandora Papers revelam que Lasso esteve vinculado a 14 empresas offshore no Panamá, Estados Unidos e Canadá. Ao menos 10 delas estão inativas desde antes de Lasso lançar sua candidatura presidencial de 2017. “Sempre cumpri a lei equatoriana que proíbe candidatos e funcionários públicos de manterem companhias offshore”, respondeu Lasso.

Laurent Salvador Lamothe
Mapa

Laurent Salvador Lamothe

Primeiro-ministro (2012-2014)

Haiti — Ilhas Virgens Britânicas

Lamothe havia se desvinculado de suas companhias antes de entrar para o Governo. Mas os Pandora Papers revelam que mesmo durante seu procuração ele continuou sendo acionista de algumas companhias, porquê três pessoas jurídicas das Ilhas Virgens Britânicas, que a Trident Trust criou entre 2002 e 2008. Lamothe não quis responder às perguntas, alegando se tratar de “assuntos privados”, e afirmou que não usou seu função para “promover nenhum interesse mercantil”.

Porfirio Lobo Sosa
Mapa

Porfirio Lobo Sosa

Ex-presidente (2010-2014)

Honduras — Panamá

Os arquivos internos do escritório Alemán, Cordero, Galindo & Lee revelam que Lobo criou três companhias no Panamá, sendo duas delas na idade em que foi presidente. Os documentos também apontam que sua mulher esteve ligada a outra companhia offshore, e seu fruto, a duas. Lobo argumentou que as criou para reger um empréstimo no Panamá, por questões de segurança e para aproveitar taxas de juros preferenciais.

Horacio Cartes
Mapa

Horacio Cartes

Ex-presidente (2013-2018)

Paraguai — Panamá — EUA

Os documentos revelam que, durante sua lanço porquê presidente do Paraguai, Cartes e sua família estiveram vinculados a sociedades offshore que possuíam bens num valor superior a um milhão de dólares. Através de uma das companhias, com sede no Panamá, mantinha uma conta num banco do seu país e um apartamento em Miami. Um procurador lícito de Cartes admitiu o vínculo com uma dessas empresas, mas alegou que oriente foi notificado ao fisco paraguaio.

Andrés Pastrana
Mapa

Andrés Pastrana

Ex-presidente (1998-2002)

Colômbia — Panamá — EUA

Andrés Pastrana é possuidor de uma empresa panamenha desde 2016. A offshore, que tem outra companhia colombiana porquê acionista, controla uma conta bancária nos Estados Unidos. Os beneficiários finais de todo o esquema são o ex-presidente e sua família. Pastrana alegou que “buscava metamorfosear pesos em dólares para internacionalizar um patrimônio” e afirmou ter reportado a existência da empresa às autoridades fiscais.

César Gaviria
Mapa

César Gaviria

Ex-presidente (1990-1994)

Colômbia — Panamá — Ilhas Virgens Britânicas

Os Pandora Papers revelam a relação entre várias companhias estabelecidas no Panamá e Ilhas Virgens Britânicas e vinculadas a Gaviria e a familiares próximos, inclusive seus filhos. O ex-presidente não quis responder sobre essas empresas, alegando que a informação financeira dos colombianos está protegida por sigilo documental.

Francisco Flores
Mapa

Francisco Flores

Ex-presidente (1999-2004)

El Salvador — Ilhas Virgens Britânicas

Francisco Flores foi o beneficiário de várias empresas criadas no Panamá em 2005 e nas Ilhas Virgens Britânicas em 2006. Uma delas apareceu na investigação judicial sobre uma verosímil malversação de recursos de emergência para zonas do país afetadas por um terremoto. As offshores de Flores teriam depositado quase um milhão de dólares numa conta de Flores em um banco panamenho. O ex-presidente morreu em 2016.

Alfredo Félix Cristiani Burkard
Mapa

Alfredo Félix Cristiani Burkard

Ex-presidente (1989-1994)

El Salvador — Ilhas Virgens Britânicas

Alfredo Cristiani foi diretor, proprietário ou presidente de pelo menos 15 offshores nas Ilhas Virgens Britânicas e no Panamá. A primeira foi criada em 1992, quando ele ocupava a presidência. Vários membros de sua família foram sócios ou diretores na maioria das companhias. Sete dessas pessoas jurídicas permaneciam ativas em 2018. Cristiani não quis responder, mas um representante lícito dele informou que todos os negócios feitos pelo ex-mandatário respeitaram a legislação.

Juan Carlos Varela
Mapa

Juan Carlos Varela

Ex-presidente (2014-2019)

Panamá — Ilhas Virgens Britânicas

Varela foi possuidor de uma companhia registrada nas Ilhas Virgens Britânicas durante toda a sua lanço no Governo, inclusive durante sua presidência. Continua sendo acionista da companhia e, afirma, notificou isso às autoridades durante sua candidatura à presidência do país.

Ernesto Pérez Balladares
Mapa

Ernesto Pérez Balladares

Ex-presidente (1994-1999)

Panamá

Os documentos vazados apontam o ex-presidente porquê diretor de três companhias offshore, das quais duas criadas durante seu procuração. Pérez Balladares aparece vinculado a outra empresa nas Ilhas Virgens envolvida num caso de subornos no Panamá. As três filhas e a esposa do ex-mandatário também estão no vazamento. Nem o ex-presidente nem suas filhas responderam a diversos pedidos para fazer comentários.

Ricardo Martinelli Berrocal
Mapa

Ricardo Martinelli Berrocal

Ex-presidente (2009-2014)

Panamá — Ilhas Virgens Britânicas

Martinelli aparece porquê acionista e operador registrado de várias companhias offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. Também está vinculado a duas companhias que foram incorporadas em Belize e transferidas para o Panamá a pedido do banco BPA, de Andorra. Porquê segmento da investigação do caso Odebrecht, empreiteira brasileira que está no meio do maior escândalo de devassidão da história da América Latina, um ex-executivo da empresa declarou que as offshores eram usadas para remunerar subornos aos filhos de Martinelli em troca de contratos públicos. O ex-presidente respondeu que nunca foi cliente do escritório Alcogal nem está vinculado às empresas apontadas no caso Odebrecht.

Pedro Pablo Kuczynski
Mapa

Pedro Pablo Kuczynski

Ex-presidente (2016-2018)

Peru — Ilhas Virgens Britânicas

Os Pandora Papers oferecem novos dados sobre a Dorado Asset Management Ltd., uma companhia ensejo nas Ilhas Virgens Britânicas por Kuczynski quando era ministro das Finanças. A empresa esteve no meio das acusações de devassidão contra o ex-presidente durante a investigação sítio do caso Odebrecht. O jurisperito do ex-presidente não quis responder aos vários pedidos de esclarecimentos feitos pelo ICIJ.

Durán Barba
Mapa

Durán Barba

Assessor político (de Mauricio Macri e Guillermo Lasso, entre outros)

Argentina e Equador

Durán Barba é guru de informação política e assessor de muitos presidentes da América Latina. O Alcogal foi o escritório encarregado de reger a documentação que o EL PAÍS e os veículos do consórcio revelarão nos próximos dias.

Julio Scherer Ibarra
Mapa

Julio Scherer Ibarra

Assessor jurídico da presidência mexicana até setembro de 2021

México — Ilhas Virgens Britânicas — EUA

Julio Scherer era em 2017 o único proprietário de uma empresa das Ilhas Virgens Britânicas que possuía dois milhões de dólares em ativos, procedentes do trabalho dele porquê jurisperito. Esta offshore controlava, por sua vez, uma companhia na Flórida registrada porquê proprietária de um luxuoso imóvel em Miami. Scherer não quis responder às perguntas, limitando-se a justificar que a apuração se refere a um período de sua curso em que não era funcionário público.

Paulo Guedes
Mapa

Paulo Guedes

Ministro da Economia

Brasil — Ilhas Virgens Britânicas

O ministro da Economia de Jair Bolsonaro (função que ocupa desde 2019) é acionista de uma companhia criada em 2014 nas Ilhas Virgens Britânicas. A partir do ano seguinte, sua mulher também figura porquê sócia. No final de agosto de 2021, a empresa continuava ativa. Guedes afirmou em nota que “sua atuação sempre respeitou a legislação aplicável e se pautou pela moral e pela responsabilidade”.

Jorge Arganis Díaz Leal
Mapa

Jorge Arganis Díaz Leal

Secretário de Comunicações e Transportes

México — Ilhas Virgens Britânicas

Arganis foi proprietário da Desbond Finance Limited, uma empresa criada em fevereiro de 1998 nas Ilhas Virgens Britânicas. A companhia foi ensejo com a intermediação do escritório panamenho Alcogal e do Stanford Financial Group, do financista Allen Stanford, sentenciado em 2012 a 110 anos de prisão nos EUA por uma megafraude. O secretário reconheceu sua participação na empresa, mas disse que a abriu com recursos privados, por recomendação de seus gestores financeiros.

Germán Larrea
Mapa

Germán Larrea

Empresário, segundo homen mais rico do México

México — Ilhas Virgens Britânicas — EUA

Larrea é acionista de nove empresas nas Ilhas Virgens Britânicas, as quais, por sua vez, controlavam outras pessoas jurídicas norte-americanas que possuíam imóveis em áreas valorizadas dos EUA. Essas mansões tinham um valor totalidade de 36,9 milhões de dólares. O empresário não fez comentários sobre seus investimentos offshore.

María Asunción Aramburuzabala
Mapa

María Asunción Aramburuzabala

Empresária, mulher mais rica do México

México — Nueva Zelândia — EUA

Aramburuzabala adquiriu dois aviões e movimentou pelo menos 40 milhões de dólares para fora do México através de uma sociedade fiduciária da Novidade Zelândia, que por sua vez controlava uma empresa-espelho em Delaware, um dos Estados com as menores alíquotas tributárias dos EUA. A empresária não respondeu a diversos pedidos para fazer comentários.

Inscreva-se cá para receber a newsletter diária do EL PAÍS Brasil: reportagens, análises, entrevistas exclusivas e as principais informações do dia no seu e-mail, de segunda a sexta. Inscreva-se também para receber nossa newsletter semanal aos sábados, com os destaques da cobertura na semana.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui