Open banking, juros e a escolha de Sofia, por Carlos Thadeu de Freitas Gomes

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O BC (Banco Medial) iniciou a primeira período do open banking na semana passada, uma infraestrutura de integração de dados financeiros, um conjunto de tecnologias que possibilitarão o compartilhamento de dados dos clientes entre os bancos, conforme a vontade do consumidor, que escolherá com quem deseja partilhar suas informações bancárias. A perspectiva de aumento da Selic na segunda metade do ano pode, no entanto, limitar os efeitos positivos da rombo bancária na redução do dispêndio do crédito.

Na prática, estamos falando da portabilidade dos dados das pessoas físicas e jurídicas entre organizações financeiras, com mais liberdade aos indivíduos para levarem suas informações financeiras para a instituição que desejarem.

Será verosímil compartilhar dados pessoais porquê nome, CPF/CNPJ, telefone, endereço, informações transacionais: renda, faturamento das empresas, perfil de consumo, capacidade de compra, conta manante, além de dados sobre produtos e serviços utilizados pelos clientes: informações sobre empréstimos pessoais, financiamentos, dentre outras, sempre com o consentimento do usuário.

O open banking nasceu no Reino Unificado em 2018, mas lá a rombo bancária limita-se às fronteiras clássicas de atuação dos bancos, com informações compartilháveis restritas ao crédito e serviços bancários recorrentes e tradicionais. No Brasil, a troca de informações será também sobre contratações de seguros, operações de câmbio, e aplicações financeiras.

A Austrália implementou a rombo de seu sistema em meados de 2020, assim porquê já estão em processo de open banking Índia, México, Alemanha, Cingapura, Itália e Luxemburgo. Estados Unidos, Rússia e Canadá estão analisando maneiras de adotar a rombo bancária, pois cada país tem incorporado o compartilhamento de dados até notório nível.

O Brasil pode ser considerado cobiçoso em conferência às economias que já possuem iniciativas de rombo bancária. Esses países ou estão menos avançados, ou restringiram a regulamentação da rombo bancária.

Estamos subindo mais alguns degraus no processo de inclusão financeira, e, dentre tantos benefícios do sistema bancário simples, surgirão novos produtos e serviços personalizados daqui em diante. A maior competição aumentará a eficiência dos serviços prestados pelas instituições e diminuirá o dispêndio dos produtos financeiros, uma vez que com a rombo das plataformas, bancos e fintechs terão o mesmo nível de informação sobre os clientes. Novos players entrarão no mercado, diminuindo o monopólio dos poucos bancos com grandes fatias de mercado no país, e o sistema se tornará mais transparente.

Uma das apostas do mercado é que a grande volume de informações geradas pelo open banking estará em pouco tempo disponível às empresas de fora do sistema financeiro, aos estabelecimentos do negócio e serviços, por exemplo. O chegada às informações dos clientes dará enorme poder aos tomadores de decisão, que poderão planejar suas ações de forma muito mais assertiva e otimizar as experiências dos clientes.

O sistema financeiro brasílio está atravessando grandes modernizações, uma delas, a bancarização da sociedade. Com ao auxílio emergencial fornecido pelo governo, a população que ainda não possuía uma conta bancária passou a ter uma poupança do dedo na Caixa Econômica Federalista, o que aumentou a acessibilidade ao sistema bancário.

A implementação do open banking com mais pessoas incluídas no sistema bancário tende a expandir o crédito e, consequentemente, fomentar o consumo.

No entanto, mesmo com taxas de juros mais claras e acessíveis possibilitadas pela rombo bancária, a subida da Selic esperada para o segundo semestre pode limitar o impacto positivo do open banking no dispêndio do crédito, por exemplo.

O endividamento aumentou em 2020 com a crise sanitária e maiores necessidades de crédito, mas as pessoas e empresas conseguiram remunerar secção das contas e dívidas, contrariando os alarmantes passivos de devedores duvidosos provisionados pelos bancos.

Esse ano, vamos observar a sucessão de altas na Selic, que poderá chegar a 4%, em razão das expectativas de maior inflação oriundas da pressão do câmbio.

Por mais que seja necessária e esperada, a elevação da Selic vai contribuir para maior inadimplência no horizonte, comprometendo a renegociação de dívidas, tão importante para manter os indicadores de inadimplência sob controle durante a pandemia.

Com mais desemprego e sem perspectivas de recuperação mais rápida do mercado de trabalho, aumento dos juros podem acarretar mais inadimplência. Por sua vez, com o dólar mantendo-se proeminente, as expectativas são de pressões inflacionárias mais persistentes. Nesse caso, temos o dilema de Sofia, em que restará imposta uma decisão difícil ao BCB, sob a pressão de um agravamento da pandemia, qualquer sacrifício será necessário.

Logo, torna-se inexorável furar a bolha de especulação cambial com elevações da Selic, mesmo com desemprego e condições ainda precárias no mercado de trabalho. Entretanto, com maior crédito na política fiscal e mudanças no Congresso, a pressão sobre o câmbio poderá ser reduzida, o que ajuda a política monetária e alivia o dilema de Sofia.

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