O que veio para permanecer e o que nunca mais…

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Por Jean Rosier*

Parece paradoxal tentar encontrar um pouco positivo em meio à situação atual causada pela pandemia. Mas, sou um otimista e sempre procuro ver o copo meio pleno. Por isso, decidi averiguar os reflexos desse cenário, que já completa um ano no Brasil, e tentar pensar em um porvir positivo a partir das transformações trazidas pela COVID-19. A pandemia vai deixar, para sempre, marcas em todos.

Algumas gerais e comuns, outras pessoais e individuais – finalmente, a crise pandêmica gerou efeitos diversos em cada um de nós, principalmente, por conta dos diferentes privilégios que possuímos.

Penso que, mal todos estivermos vacinados e a pandemia encetar a virar uma memorandum distante, teremos que seguir em frente. E para reunirmos forças e conseguirmos seguir, separei três mudanças trazidas pela Covid que podemos nos catrafilar para tentar superar tudo isso.
 

#1 Desvelo com o outro

Sabemos que usar máscara é a melhor forma de se proteger contra a COVID-19, mas além de estarmos nos protegendo, estamos protegendo os outros também. E acho que a pandemia fortaleceu esse olhar para o outro. Quando usamos a máscara em saudação ao outro, evoluímos. Saímos da requisito de individualismo e passamos para o pensamento interdependente. Precisamos cuidar uns dos outros.

Esse pensamento já faz secção da cultura oriental há séculos. É surpreendente a quantidade de pessoas que usam máscaras nas ruas, trens e espaços públicos no Japão, por exemplo. Moradores chegam a explicar que algumas pessoas usam por conta da alergia causada pela primavera, mas a grande maioria usa em sinal de saudação aos outros. Caso estejam com sintomas de gripe ou qualquer outra doença, usam a máscara para proteger as outras pessoas.

Atualmente, a máscara virou um elemento obrigatório em qualquer lugar do mundo, e é sem incerteza a melhor forma de prevenção e proteção individual. Mas não só isso, é também a melhor forma de proteção e desvelo para com os outros. É geral ouvirmos pessoas mais jovens dizerem que estão usando máscara em saudação aos seus pais e avós, e isso é um sinal de evolução.

Quando a pandemia for solucionada, acredito – e espero – vamos continuar transbordando esse desvelo com o outro, porém não será unicamente usando uma máscara, e sim, ajudando pessoas de idade a atravessarem a rua, dando informações para quem estiver perdido ou optando por ser um doador de órgãos. A pandemia vai passar e o desvelo com o outro deve continuar.
 

#2 Autocuidado

Quando não é provável explorar o exterior as pessoas se voltam para o interno. E cá não estou falando do interno da sua moradia, estou falando do seu interno, de olhar para dentro.

Cuidar da saúde física e mental é um pouco que começou a lucrar mais relevância durante esse período de isolamento e que certamente vai perdurar mal tudo isso completar. De zero adianta termos ótimos empregos, salários, carros na garagem se a nossa cabeça não está funcionando, se nossa sofreguidão for tão poderoso que não conseguimos ter uma boa noite de sono.

Imagine que seu cérebro é um copo com chuva. A chuva dentro do copo reflete a quantidade de informações que o seu cérebro consegue processar ao mesmo tempo. Já o tamanho do copo corresponde a quantidade de coisas que seu cérebro suporta. Ou seja, se a tarefa que você estiver fazendo exigir uma grande quantidade de chuva, e seu copo estiver reduzido, consequentemente, vai verter, e aí vem o famoso burn out.

Por isso, precisamos cuidar não só com a quantidade de chuva, mas também com o tamanho do nosso copo. Uma boa noite de sono, por exemplo, pode aumentar significativamente o tamanho do seu copo no dia seguinte.

Bens materiais não te ajudam a restaurar a sua saúde mental, muito menos aumentam o tamanho do seu copo. Reflexão, yoga, exercícios físicos, mindfullness, sim. E essas práticas cresceram muito nesse ano e vão seguir atraindo adeptos mal a pandemia for solucionada.
 

#3 Formato de trabalho

Antes da pandemia estávamos presos ao sítio do nosso trabalho. Se o escritório da empresa fosse 1h30 de intervalo da nossa moradia ou em uma cidade longe de nossa família e amigos, não teríamos escolha, abriríamos mão disso ou perderíamos o serviço.

O que acontece agora é que as pessoas se veem livres para estarem onde gostariam de estar (levando em consideração unicamente a verdade de pessoas que puderam manter seus empregos em protótipo remoto) e conseguirem fazer isso sem ter que largar tudo, virar nômade ou aventurar viver uma novidade vida.

As pessoas puderam ir em procura dos lugares ideais para viver e fazer isso mantendo seus trabalhos e suas tarefas. Isso tudo da melhor forma, com ganhos de performance e resultados.

Já existem empresas organizando um novo tipo de jornada de trabalho híbrida, também chamada de 3-2-2, no qual 3 dias serão no escritório, 2 dias liberados para home office e, simples, 2 dias de folga. Ou ainda empresas gigantes porquê Facebook e Linkedin que já decidiram que, mesmo com o término da pandemia, os funcionários vão poder optar em voltar aos escritórios ou continuar trabalhando de moradia.

Por fim, pessoas podem e devem estar onde querem estar, desde que estejam cumprindo com as suas tarefas. Dessa forma teremos empresas mais fluídas, pessoas mais felizes e resultados positivos para ambos no final do mês. Também me parece uma bela evolução.

Agora nos resta seguirmos firmes e fortes, com pensamento e atitudes positivas com relação ao que nos tapume. Respire fundo, finalmente, se você está com saúde, lendo esse texto em um lugar seguro, já é uma pessoa privilegiada. Reforço que sei muito muito que existem pessoas que não têm esse privilégio de escolha e precisam estar expostas ao vírus para se manterem vivas. Para essas pessoas deixo meu pedestal e boas energias para que tudo dê visível.

*Levante texto não reflete, necessariamente, a opinião da Folha Dirigida.

Sobre o responsável

Jean Rosier é professor e sócio da Perestroika, escola de metodologias criativas, e co-fundador da Sputnik, uma das maiores escolas corporativas do Brasil. Formado em Publicidade pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), se especializou em Marketing Do dedo e ensino e já atuou porquê palestrante internacional em eventos porquê o TEDx. É responsável pela expansão internacional da escola e liderou workshops de originalidade para marcas globais porquê: Red Bull, LinkedIn, Coca-Cola, Oracle, Walmart e Rede Orbe.

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