“O empresário que não mudar vai ser engolido”, diz VP de finanças do IFood

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SÃO PAULO – Segundo a versão mais recente do léxico Houaiss, “empreendedor” é aquele que decide “realizar (tarefa difícil e trabalhosa), tentar, pôr em realização, realizar”. Já o “empresário” aparece uma vez que aquele “que é possessor ou dirigente de uma empresa, varão de negócios”.

Diego Barreto, não é nenhum lexicógrafo, mas em seu primeiro livro — “Novidade Economia – Entenda por que o perfil empreendedor está engolindo o empresário tradicional brasílio” — ele propõe uma novidade definição para os dois termos.

“A diferença entre o empresário e o empreendedor é que o empresário é aquele que perpetua o negócio(…). O empreendedor é aquele que tem ideias, que enxerga ângulos diferentes, que cria e instiga pensamentos diferentes a partir de novas informações e visões que passa a ter”, afirma Barreto, que é vice-presidente de finanças e estratégia do iFood.

Para ele, a massificação de tecnologias no Brasil fez surdir uma categoria de empreendedores ligados à novidade economia que pode superar muitas empresas comandadas por empresários. “O empresário que não mudar dificilmente vai sobreviver”, afirmou em entrevista ao Do Zero ao Topo, marca de empreendedorismo e negócios do InfoMoney.

Formado em recta pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Barreto possui MBA pelo IMD (Instituto Internacional para Desenvolvimento de Gestão) da Suíça. Antes do iFood, trabalhou no escritório Mattos Fruto, na imobiliária Lopes e foi diretor financeiro da construtora OAS (atual Metha) e da operário de celulose Suzano. Se juntou ao grupo Movile (possessor do iFood) em 2016. Seu livro está em pré-venda, com lançamento previsto para maio.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

Do Zero ao Topo (ZAT) –  Você se formou em recta e trabalhou em empresas mais tradicionais, que você define uma vez que da velha economia, antes de entrar no iFood, que define uma vez que empresa da novidade economia. O que você encontrou de dissemelhante no iFood em relação ao protótipo das outras empresas em que trabalhou?

Diego Barreto (DB) – Deixa eu explicar a diferença da velha e da novidade economia primeiro. Algumas pessoas se sentem incomodadas quando eu uso essa frase [velha economia] porque entendem o velho uma vez que alguma coisa negativo. Mas o velho não é alguma coisa negativo. Meu pai é velho e isso não faz dele uma pessoa mais distante de mim, menos importante. Velho quer manifestar você adotar modelos de gestão, frameworks, mindset, formas de estruturar sua empresa e seu protótipo de negócios com conceitos antigos, que não falam mais com o que existe na ponta da evolução desses temas.

Já a novidade economia é a geração de modelos de negócio a partir da convergência de múltiplas tecnologias, se utilizando de ferramentas de gestão modernas. A minha chegada na Movile [dona do iFood] foi extremamente traumática nesse sentido. O primeiro ponto para foi a questão do empoderamento das pessoas. Qualquer empresa hoje vai falar que empodera as pessoas, porque está na voga, mas vamos separar a verdade do que está escrito na parede de boa segmento das empresas. A forma uma vez que a Movile empodera pessoas é trabalhando com uma quantidade de políticas e processos muito reduzidos. Isso significa que eles são desorganizados? Não. Eu estou dizendo que a gente se pergunta quais processos e políticas são realmente necessários e quais vão somente reduzir a chance de eu cometer um erro e, em última instância, me dar segurança. A gente adota somente os necessários.

Pense, por exemplo, na forma uma vez que as empresas da velha economia contratam. Elas perguntam: “qual é o seu currículo? Deixa eu ver se você trabalhou em uma grande empresa e se você estudou em uma grande universidade”. A maioria das empresas da velha economia só contrata pessoas das melhores universidades. Mas será que aqueles que não puderam entrar em uma universidade de ponta quando tinham 18 anos não são bons profissionais? Qual é a lógica de contratar assim? Quando você contrata dessa forma, não significa que necessariamente você está trazendo uma pessoa com bom tino, com bom comportamento.

Quando eu olho sob a ótica da exigência do bom tino, eu estou começando a falar de comportamento. E aí quem eu contrato começa a ser estimado por isso. Muita gente me pergunta: “mas uma vez que é que você contrata?” Uma das primeiras perguntas que eu faço para um candidato é: “o que você fez na sua vida que realmente teve significado? que realmente teve impacto?” Isso é muito mais decisivo do que o currículo. Quero pessoas que realmente tragam impacto.

Do Zero ao Topo (ZAT) – O noção de “novidade economia” existe desde a dezena de 1990. Por que você resolveu falar de novidade economia neste momento?

DB – Tem dois pontos importantes na sua pergunta. O primeiro é que o noção de “novo” muda ao longo do tempo. O que era “novo” na revolução industrial, por exemplo, hoje é completamente obsoleto.

Aí o segundo ponto da sua pergunta é sobre porque agora. A novidade economia começa a ser aventada entre a dezena de 80 e 90 uma vez que uma consequência do progressão da tecnologia de forma mais massificada. É quando a gente começa a falar das grandes redes de telecomunicação, quando a gente começa a falar do computador pessoal. A partir dali você começa a gerar uma sociedade conectada.

No Brasil, esse efeito não chegou entre a dezena de 80 e 90. Ele chegou nos últimos 10 ou 15 anos. Por quê? Porque o processo de globalização do Brasil é um processo moroso.

Outro marco é a massificação da tecnologia. A existência da tecnologia por si só não permite a transformação. É a massificação dela a um dispêndio muito barato que permite. E aí temos três grandes revoluções que aconteceram nos últimos anos no Brasil: a internet a um dispêndio barato; a nuvem, que dá uma dimensão para as empresas fazerem coisas mais rápidas e muito baratas, e as APIs [interface de programação de aplicação, na sigla em inglês], que são as interfaces que permitem transportar as características de um sistema super multíplice para um outro sem que você tenha que desenvolver tudo de novo.

O que acontece quando essas três tecnologias se tornam disponíveis e baratas? Emerge uma categoria de empreendedores que não são ligados a famílias tradicionais, não são milionários, não estão ligados a políticos e não gozam das facilidades que o Estado.

E aí eu costumo fazer uma folguedo com as pessoas que é assim: “volta lá para os anos 2000 e me diz quantas empresas você se lembra de terem aparecido, arruinado a boca do balão, desconstruído ergástulo de valor, reduzido preço e melhorado serviço?” É muito difícil lembrar. Agora, se você perguntar isso hoje e olhar para os últimos 10 anos, você vai falar de XP, Nubank, C6, Neon, iFood, 99, Loggi, Creditas, Ebanx, Hotmart, MadeiraMadeira e eu posso te dar mais 100 nomes se você quiser. Isso é a novidade economia, garotos e garotas que independente de qualquer quesito social conseguem ter aproximação a tecnologia disponível e barata, que por meio da globalização potencializa a capacidade deles de realizar, de transformar uma teoria em uma empresa.

ZAT – Você mencionou que o Brasil estava moroso no processo de globalização. Com o progressão que tivemos nos últimos anos, o quanto o nosso envolvente empreendedor ainda está detrás em relação aos países desenvolvidos?

DB -Vou separar a resposta em duas partes. A primeira é: nós avançamos pouco enquanto Estado. Se pegarmos o nível de rombo da economia brasileira, temos uma das piores do mundo. Se pegarmos o número de acordos bilaterais que o Brasil fechou nos últimos 10 ou 20 anos, é um dos piores do mundo. Se olharmos para a burocracia que, em última instância é uma barreira de ingressão, é uma das piores do mundo. Se pegarmos o número de subsídios que as empresas brasileiras recebem para competir de forma sintético contra estrangeiro, é um dos maiores do mundo.

Só que esse progressão da tecnologia — e esta é a segunda segmento da resposta — permite a superação de algumas dessas barreiras. Hoje, uma empresa de tecnologia pode prestar um serviço a partir dos Estados Unidos ou França sem ter uma base poderoso cá no Brasil. A tecnologia superou essa barreira.

Sob a ótica do mundo dos negócios, a gente superou muito, mas ainda não estamos na ponta. O que é essa ponta? A ponta é a geração da tecnologia que ainda não foi massificada. A tecnologia massificada é um segundo estágio do que alguém um dia começou antes.

Por exemplo, quando falamos de quantum computing, essa é uma discussão que está longe do Brasil, mas quando pegamos as tecnologias que foram criadas nos últimos 10 ou 20 anos e penso na utilização no Brasil, vemos que estão chegando com muita força. Vamos falar sobre lucidez sintético, por exemplo, cinco anos detrás a gente mal falava desse tema. Hoje, olhamos para uma empresa uma vez que iFood e tem 500 cientistas de oferecido. Você olha para a Dasa, que migrou da velha pra novidade economia, tem centenas de cientistas de dados. Você olha para o Magazine Luiza que migrou da velha para a novidade [economia] e tem centenas. Mas não para fazer o que o tradicional faz e sim para fazer alguma coisa novo. Logo, quando falamos de lucidez sintético e de outras tecnologias nesse porte, elas já estão no Brasil e colocam o país em um patamar interessante. O que falta é criarmos esse primeiro estágio, que está muito associado às universidades. Aí precisamos do Estado ou das empresas de tecnologia ajudando. E eu acho que essa é a próxima período das empresas da novidade economia: estrear a entrar no estágio de construção de tecnologia.

ZAT – E o que ainda falta para chegar nesse estágio? Quais os desafios das empresas para proceder para a construção d tecnologia?

DB – O que falta é a competição. As empresas que eu citei, e eu falei para você que posso te dar 100 nomes, ainda são poucas perto do tamanho da nossa economia. Hoje, essas empresas tem uma vantagem competitiva construída dentro de vivenda. Isso dá a elas um diferencial, elas têm feito um ótimo trabalho, ganhado mercado, melhorado serviço e etc. No momento em que isso estrear a ser mais geral para todo o restante das empresas, mais atingível e mais normal, essas empresas vão olhar para o que é hoje um diferencial e falar: “terei de dar um passo além porque isso não é mais um diferencial”.

É difícil manifestar se isso vai levar cinco, dez, 15 ou 20 anos. No caso do iFood, a empresa já investe em drones e carros autônomos. Por que isso? Porque já está entrando nessa período de saber que a lucidez sintético daqui a pouco vai ser normal. Aí falta um fator estrutural: a ensino. O número de pessoas no Brasil que nós formamos todos os anos para dar conta dessa demanda tecnológica não é suficiente. Várias empresas estão se posicionando para resolver esse problema. O Estado também precisa se empenhar nisso.

ZAT – Você falou sobre empresas tradicionais migrando da velha para a novidade economia. Porquê essa mudança pode ocorrer em termos práticos?

DB – As pessoas tem uma falsa sensação de que a gente só precisa determinar fazer a transformação do dedo e pronto. Esse é o maior erro que uma empresa pode cometer. A primeira e grande transformação que precisa ocorrer é o que eu chamo de “exoneração do acionista”. É o acionista que define esse caminho e não pode ser uma visão ligada a somente um projeto, por exemplo. Evidente que, quando eu falo “demita o acionista”, estou brincando, porque isso não é verosímil, mas é uma provocação. Se o acionista não muda, zero acontece. Quando olho para Dasa, Magazine Luiza, Banco Inter, são empresas em que o acionista tem uma capacidade de evoluir o tempo todo. Evolução significa compreender o que está lá na frente em termos de gestão, de tecnologia e outras coisas.

Assumindo que o acionista faça isso, o segundo passo é não cometer o erro de descobrir que transformar uma espaço em espaço tecnológica é transformar a empresa em uma empresa tecnológica. Muitas empresas vão na logística ou no marketing e transforma em alguma coisa tecnológico, só que não fazem isso com o restante das áreas. Na prática, você tem uma empresa desembaraçado e outra lenta e elas estão ligadas uma na outra. Na prática, você criou um problema e só vai piorar as coisas.

O terceiro passo — que não está inferior ou supra do segundo, mas eles andam juntos — é cultura. Você precisa trazer um envolvente que aceita inovação. A maioria das empresas brasileiras da velha economia, por exemplo, não produz tecnologia proprietária. Elas olham para fora, vão em um fornecedor e contratam uma tecnologia fantástica. O concorrente vai lá e faz a mesma coisa. Você não está fazendo zero demais. O que você precisa fazer é com que todas as pessoas da empresa tenham uma visão sobre tecnologia. Tenham um instinto, curiosidade e interesse em desenvolver tecnologia.

ZAT – Qual é o papel do empreendedor nessa novidade economia e qual é esse perfil de empreendedor?

DB – A diferença entre o empresário e o empreendedor é que o empresário é aquele que perpetua o negócio, aquele que pega alguma coisa e consegue ter a ritmo necessária para perpetuar o negócio. O empreendedor é aquele que tem ideias, que enxerga ângulos diferentes, que cria e instiga pensamentos diferentes a partir de novas informações e visões que passa a ter.

Onde é que o empresário vai muito muito? Na velha economia, porque na velha economia brasileira o que se fez foi distanciar o estrangeiro e ficaram meia dúzias de empresas em cada ergástulo de valor competindo. O Brasil teve seus empreendedores, mas a geração seguinte desses empreendedores se tornaram empresários, que vão somente perpetuando. O problema é que, quando essas barreiras se rompem e o empreendedor emerge, o empresário não tem quesito nenhuma de escoltar. O que o livro fala muito é: as empresas que não se transformarem em empresas de empreendedores, com seus acionistas e executivos, vão desvanecer ou se tornarem insignificantes. Não é ter um empreendedor. É ter uma empresa com o perfil empreendedor.

ZAT – Aproveitando que você é vice-presidente de finanças do iFood, uma vez que alguém que tem um função financeiro pode pensar a novidade economia e investir em inovações sem negligenciar do caixa?

DB – No livro eu chamo isso de empresas ambidestras. São empresas que conseguem lastrar o pequeno prazo —analítico e necessário para a sobrevivência — com o visionário — a inovação, as apostas de longo prazo. Quando não se cria uma cultura dentro da empresa ao longo do tempo para poder lastrar muito essas coisas, geralmente há um movimento pendular. Uma hora só se pensa no pequeno prazo e outra hora vem o desespero e se começa a postar tudo no longo prazo.

A forma uma vez que um VP financeiro e toda a sua equipe podem ajudar nesse processo é se tornando ambidestros dentro de vivenda. É entendendo, por exemplo, que quando você faz uma aposta, você não precisa entregar cada risco de uma planilha de excel que alguém montou e disse para você que faria. Você precisa entender as alavancas que te levam até lá. Não é uma discussão de falar sobre o resultado final e sim sobre as quatro ou cinco alavancas — uma vez que a satisfação do cliente, a redução do dispêndio estrutural da logística, a forma uma vez que eu utilizo o marketing ao longo do tempo, a forma uma vez que o cliente é retido na plataforma —, que me mostram porque alguma coisa pode ser bem-sucedido, estão indo muito? Se a resposta for sim, você deve apostar um pouco mais; se for não, você deve rediscutir.

A gente só vai discutir finanças onde tudo já está estruturado e maduro, no core business da empresa. Aí você precisa ser 101% analítico.

Porquê se equilibra essas duas coisas? É simples. O verba que sobra de um lado, ou que o acionista está disposto a colocar, é o que você precisa trabalhar esse outro lado, da inovação.

O problema é que, na velha economia, você só tem o olhar analítico, de pequeno prazo. Não se pode confundir investimentos de longo prazo do core business, que muitas empresas fazem, com investimentos de longo prazo com uma taxa de risco altíssima que provavelmente não vão se materializar uma vez que resultado positivo. Mas dentro do seu portfolio de iniciativas, quando você desenredar uma boa iniciativa, você tem capacidade de mudar o seu negócio.

ZAT – E qual a influência e o papel do ecossistema — fornecedores, clientes — ao volta de uma empresa na novidade economia?

A vocábulo realmente é ecossistema. Na velha economia não há integração via tecnologia, as coisas são mais lineares. É uma relação muito transacional. Na novidade economia, uma vez que as coisas se dão mais por meio da tecnologia, você tem mais aproximação à verdade. É verosímil facilmente olhar para a base de restaurantes e saber onde está o problema, por exemplo. Há 20 anos não seria verosímil tomar esse tipo de informação.

É o caso de olhar para os entregadores, no exemplo do iFood e de todas as empresas que na novidade economia começam a se organizar uma vez que ecossistema. A relação com os parceiros num ecossistema ela é cada vez mais fácil de ser lida e ser planejada porque há informação disponível. Um exemplo do iFood: há três anos o iFood começou a fazer logística, ou seja, ter os entregadores na plataforma para que eles prestassem o serviço de entrega. O que a gente aprendeu? Depois de um ano aprendemos que tinha uma discussão muito poderoso sobre proteção social. Os números mostravam isso. Por isso, trouxemos o seguro de vida, de acidente, de invalidez. A gente oferece isso de perdão, não cobramos zero do entregador.

ZAT – Você tocou no ponto dos entregadores. Porquê está a preocupação de vocês com eles no envolvente de novidade economia? Vimos muitos deles protestarem por melhores condições de trabalho no ano pretérito. Ainda tem muito para proceder?

Sim, sem incerteza nenhuma. Veja, essa lógica da novidade economia e organização em ecossistema — que torna a relação dissemelhante do que era no pretérito — ela é de dez, quinze anos. Do ponto de vista histórico, é difícil imaginar que você vai emendar situações e vai gerar os contornos corretos em tão pouco tempo.

O que está acontecendo agora é um maduração. Não só para o iFood, mas para todo mundo que se organiza dessa forma. Vamos pensar na 99 com seus motoristas, na Getninjas com seus inúmeros prestadores de serviço… Veja, todo mundo está se amarrando pela primeira vez em uma discussão uma vez que essa. O que vai ocorrer é a mesma discussão que aconteceu lá há décadas com a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho]. A figura da CLT não existia. Em qualquer momento essa discussão começou, a CLT vem e se torna alguma coisa muito importante e que deve continuar.

O que a gente precisa agora é de uma rediscussão. Será que não tem uma terceira figura? Hoje temos a CLT de um lado e o profissional liberal de outro. Será que não há uma terceira figura? Em vários países do mundo isso existe, uma vez que na Inglaterra. Essa é a discussão que o iFood apoia. Nós precisamos encontrar uma terceira figura que traga a proteção social para quem quer se comportar num trabalho de extrema flexibilidade e quer tirar sua renda dali, mas não quer a inflexibilidade com as proteções que existem na figura da CLT.

ZAT – No primícias da entrevista você falou sobre uma vez que o Estado ainda está ligado à velha economia. Nesse cenário, conseguimos proceder em uma discussão de trabalho uma vez que essa?

Eu vejo isso avançando porque o iFood vai retirar isso. Nós estamos nos organizando para poder ir ao Estado, legislativo, executivo e judiciário, para levar uma proposta. Nós estamos conversando com entidades que representam os trabalhadores brasileiros para ir de mãos dadas, para ter essa discussão. O que a gente espera? Que ao longo do tempo outras empresas percebam a influência disso, deem as mãos e a gente vai para lá fazer isso juntos. Não é uma proposta em que queremos o nome do iFood nem zero do tipo, queremos resolver isso e a gente acha que o diálogo começa esse ano.

ZAT – Vocês vão estrear o projeto neste ano, é isso?

DB – A gente vai apresentar a proposta esse ano, queremos levar a teoria e todo o tórax. É evidente que aí depende da iniciativa legislativa e do próprio executivo para discutir… Podem discordar da gente, descobrir que nossa proposta é mais ou menos. Aí é a discussão republicana oriundo que precisa ocorrer.

ZAT – Por último, um tema que não podemos deixar de abordar é a pandemia. Você acredita que ela acelerou a transição de muitas empresas para a novidade economia?

DB – Nestes últimos 12 meses de pandemia eu vi centenas de matérias de jornais dizendo assim: “Olha que permitido essa empresa que se transformou digitalmente. Olha que permitido essa empresa que não fazia isso com tecnologia e agora faz”. Eu não consigo entender porque elogiamos isso. Isso para mim é um atestado das empresas que poderiam estar fazendo isso há cinco, dez, quinze anos e fizeram agora porque uma “arma foi colocada na cabeça”.

Não consigo entender porque a gente vê essas coisas de uma forma positiva. Quando a gente vê essas coisas de uma forma positiva estamos passando a mão na cabeça do empresário e dizendo: “formosura, vai na sua velocidade física, lenta, sem capacidade de graduação”. Eu não consigo entender. “Vejam, várias empresas agora atendem por Whatsapp!” O Whatsapp está aí há dez anos na sociedade brasileira. Porquê é que a gente está ficando feliz? A gente precisa criticar isso. Esse é o primeiro ponto. A gente precisa subir a regra da sátira sobre o que é ser uma empresa moderna. Por que isso? Porque as empresas brasileiras precisam assumir um outro posto, porque se não a gente vai ser ultrapassado por todo mundo.

A segunda segmento da minha resposta é que a pandemia acelerou talvez em um, dois ou três anos o processo de adoção de tecnologias já conhecidas pelas empresas da velha economia, o que é bom. É bom porque elas foram saber alguma coisa com a qual até portanto não tinham contato. O que a gente espera daqui para frente é que esse processo continue muito rápido. E eu acho sinceramente que vai continuar. Porque, na hora em que se coloca as mãos na tecnologia — em privativo a proprietária  —, se consegue rapidamente ajustar o que quer, se descobre o quanto é mais fácil prestar um serviço de qualidade por um dispêndio menor. Logo, estamos falando de um mercado muito mais produtivo, muito mais orientado ao consumidor. Talvez estejamos em frente à primeira leva de empresas brasileiras que efetivamente vai competir globalmente. Não porque temos recursos naturais em riqueza muito grande, mas porque criaram efetivamente vantagem competitiva cá dentro.

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