Mesmo com subida da Covid-19, vereador de Belém quer que academias sejam atividade precípuo; infectologistas discordam | Pará

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Um projeto de lei do vereador de Belém Renan Normando (Podemos) quer inserir academias de musculação, ginástica, artes marciais, natação, entre outras com práticas coletivas, porquê atividades essenciais mesmo com a Covid-19 em subida desde dezembro no Pará. O pregão do projeto, que ainda não foi analisado pela Câmara de Belém, causou controvérsias nas redes sociais.

Médicas infectologistas, ouvidas pelo G1, são contra a prática presencial nas academias por desculpa do atual cenário de subida da Covid-19 e sobrecarga nos sistemas público e privado de saúde. Desde o dia 10 de março, as academias estão proibidas, por decreto estadual, de funcionar.

Já pesquisadores da Universidade de Stanford, na Califórnia, usaram dados de movimentação de pessoas em 10 cidades dos Estados Unidos e concluíram que academias são o segundo lugar onde há mais chances de alguém se infectar com o novo coronavírus, sem o uso de máscaras e com reabertura de funcionamento. Leste tipo de estabelecimento fica detrás somente de restaurantes de “serviço completo” , que são aqueles em que as pessoas sentam para consumir e são servidas por alguém.

Normando publicou, em seu perfil no Instagram, que “entende o quão é importante os esportes e as práticas de exercícios físicos para contribuir no aumento da isenção e amenizar as sequelas causadas pela Covid-19 e pelo isolamento social” e cita que as práticas pelas quais ele pede a liberação, depois decreto estadual que proibiu as academias, devem observar e serem fiscalizadas quanto aos “protocolos e medidas de segurança sanitárias dentro dos locais”.

A publicação fala em estudos, sem reportar a manancial, afirmando que “pessoas que praticam exercícios físicos têm menos chances de contaminação da Covid-19, pois durante o treino o corpo libera o hormônio irisina que reduz a produção da proteína que transporta o coronavírus para nossas células”.

Um estudo desenvolvido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), e divulgado em julho de 2020, sugeriu que o referido hormônio pode ter efeito terapêutico em casos de Covid-19. Segundo o estudo, a pesquisa foi feita com testes em laboratório, analisando uma linhagem de células e observando que a substância tem efeito modulador em genes associados à maior replicação do vírus no corpo humano. O trabalho foi publicado na revista Molecular and Cellular Endocrinology.

Em nota, a assessoria do vereador disse que o projeto foi protocolado no dia 24 de fevereiro, “antes de serem dadas as novas medidas em Belém, por isso a solicitação que foi feita não se aplica ao bandeiramento preto atual”.

Ainda segundo a nota, o vereador “se posiciona em prol do ‘lockdown’ em um momento de aumento da ocupação dos leitos e reitera que o projeto não se posiciona contra a medida”.

Cumeeira risco de contaminação

Para infectologistas que acompanham o cenário da Covid-19 em Belém, o atual cenário não é propício para reabertura de academias.

“Estamos em uma período sátira com aumento significativo dos casos da Covid-19, pela mais subida transmissibilidade das variantes e a exposição das pessoas. Há escassez de leitos e dificuldade de atendimento pelo número maior de pessoas doentes e a preocupação sobre a piora clínica e óbitos. Por isso, há premência de ‘lockdown’ para diminuir a concentração de pessoas e, consequentemente, a possibilidade de transmissão”, explica a médica Helena Brígida.

Ainda segundo ela, “as academias entram no rol de locais de aglomeração e de contato em espaço pequeno e de uso de aparelhos por várias pessoas em limitado espaço de tempo. A população pode fazer exercícios respiratórios com supervisão de pneumologistas e fisioterapeutas, por exemplo. Mas academias não devem furar. A atitude tem que ser individual e coletiva para controle da pandemia”.

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Já a médica infectologista Marília Xavier também defende que “é o pior cenário de pandemia, com variantes altamente transmissíveis e academias devem permanecer fechadas”.

“Ambientes porquê liceu são perigosíssimos para transmissão, assim porquê outros, portanto embora a gente saiba que atividade física é importante, até para evitar outras doenças, é preciso entender que o que nós estamos vivendo é sempar. Não vivemos isso há mais de século anos e não sabemos porquê isso vai evoluir, principalmente cá onde não temos as vacinas suficientes, onde não temos o isolamento suficiente e as pessoas têm muita dificuldade de respeitar as medidas sanitárias recomendadas”, ela afirma.

A profissional conclui alertando que “as academias devem permanecer fechadas, e os profissionais e a população de forma universal devem entender o que está acontecendo, devem procurar fazer suas atividades físicas em morada, da melhor maneira do que for provável, mas neste momento, em que mesmo que o sistema abra novos leitos não é suficiente para atender a imensa transmissão, é bom que os exercícios físicos sejam feito em morada, com segurança”.

Entenda quais são as atuais restrições, segundo o decreto estadual:

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