Malcolm & Marie | Sátira

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Em seguida voltar para moradia da celebrada pré-estreia de seu primeiro filme, Malcolm (John David Washington) fala sobre a recepção do público e da sátira, com um copo de bebida na mão e música tocando ao fundo. Enquanto o diretor dá voltas pela sala, a câmera alterna entre acompanhá-lo e focar em sua esposa, Marie (Zendaya), que fuma um cigarro na varanda, claramente com um tanto entalado na goela – mas não por muito tempo. A cena não só prepara o conflito medial de Malcolm & Marie, uma vez que também é a que melhor representa o filme de Sam Levinson: um vai e vem entre discutir relações amorosas e cinema.

O projeto marca unicamente o terceiro longa de Levinson, e o primeiro depois do enorme sucesso de Euphoria, sua série de TV estrelada por Zendaya. O que mais impressiona, porém, é o vestimenta de que tudo foi filmado durante a pandemia de Covid-19, com os atores e a produção em isolamento. A abordagem minimalista, que o cineasta aperfeiçoou nos episódios especiais do seriado da HBO, dá maior espaço para as performances e para o texto emocional do texto.

O diretor/roteirista faz bom uso do pouco que tem ao colocar duas pessoas problemáticas em conflito, e tentar encontrar o paixão de um parelha mesmo quando a primeira pedra já foi atirada. Marie critica o marido por se apropriar, em seu filme, das tragédias pessoais dela, uma ex-viciada em drogas antes mesmo dos 20 anos de idade, mas sequer agradecê-la durante seu oração na pré-estreia. O que parece um desentendimento pequeno, um vacilo cotidiano, logo toma proporções maiores quando Malcolm entra na defensiva. Rapidamente os socos (metafóricos, evidente) começam a rolar, típicos da união de personalidades muito distintas, que sabem exatamente onde aperta para machucar quando sobe a sede de sangue.

Há uma brutalidade honesta na forma uma vez que a discussão avança. Em vez de explodir de uma vez só, os participantes se mostram relutantes, mudando de cômodos para evitar o incêndio, mas logo voltando uma vez que uma novidade faísca de um tanto não dito, um argumento recém-pensado.

Cá fica evidente uma vez que as performances carregam o noção nas costas. John David Washington exala sensualidade e prepotência em medidas iguais, e traz um pouco de humor pela forma uma vez que reage à própria falta de entendimento das necessidades da parceira, além de despertar desprezo ao sentenciar partir para chutá-la, mesmo quando já caída (de novo, de forma estritamente metafórica, por sorte). Mas quem realmente rouba toda cena em que aparece é Zendaya. A atriz não só faz parecer fácil segurar enormes monólogos e planos-sequência, uma vez que também transmite perfeitamente a relutância de alguém machucada pela vida, acostumada a ser desprezada pelos demais, mas que precisa encontrar forças para se falar quando um tanto lhe faz mal.

Em seus melhores momentos, Malcolm & Marie explora a dificuldade de notícia quando um parelha tem vocabulários tão distintos. Um internaliza as mágoas ao ponto do mal-estar, o outro fala mais do que deveria. Ambos não querem ceder. O triunfo do longa é retratar brilhantemente o quão longe duas pessoas conseguem ir nessa disputa sem olvidar que se amam.

Nos seus piores momentos, porém, o filme fica fascinado pela teoria de discutir cinema. É muito estabelecido que Malcolm é um cinéfilo, não só por profissão, mas também por paixão.

A forma uma vez que isso é demonstrado na tela até pode servir para explicitar seu maior apego à sétima arte do que à própria parceira, mas essa construção é conduzida sem sutileza alguma, de forma quase expositiva. Momentos em que o silêncio poderia ter reinado entre o parelha, com cada um remoendo palavras amargas e pensando em novos ataques, são interrompidos por comentários do cineasta sobre a sátira cinematográfica, Hollywood, ou a forma errônea uma vez que as pessoas buscam mensagens no entretenimento. É verosímil esgrimir que o propósito dessas inserções é pedir que o testemunha não pense muito a fundo no filme que assiste, mas elas mais soam uma vez que desabafos de Sam Levinson.

Mesmo que o longa, nas palavras de Malcolm, peça que o público pare de tentar imaginar a intenção dos realizadores, o truque não se sustenta por permanecer no caminho de uma história muito mais interessante e poderosa. Pior, labareda a atenção a si próprio, levantando dúvidas sobre se é mal Levinson percebe a arte, e se é mal lida com a recepção sátira. Pelo menos o LA Times, meta frequente do desprazer do personagem de John David Washington, parece confiar nisso, já que há histórico na publicação de ter criticado País da Violência, trabalho de 2018 do cineasta, uma vez que uma tentativa rasa de observação social.

Ou por outra, com Zendaya interpretando alguém com muito em generalidade com Rue, sua personagem em Euphoria, algumas das discussões soam muito familiares: quando ter tomado a vida de Marie uma vez que inspiração se torna o tópico medial, Malcolm passa a refletir se não é um fracasso, e o que guarda sua curso em seguida ter obtido sucesso com a trama de uma jovem viciada. É impossível não projetar Levinson ali, e a preocupação com o tópico passa a incomodar – isso sem reportar a questão racial, que o texto coloca na boca do protagonista a todo momento.

Assim uma vez que qualquer relacionamento, Malcolm & Marie é construído a partir de altos e baixos. Os picos aparecem quando demonstra um sem razão entendimento da dor, traumatismo, paixão e humanidade. Os vales são os momentos em que se apaixona pelo som da própria voz, e acaba tentando toar mais inteligente do que realmente é. Há certa ironia em um filme que discursa tanto sobre a visão artística de um diretor/roteirista, mas que é quase inteiramente sustentado por suas atuações.

Malcolm e Marie

Malcolm & Marie

Malcolm e Marie

Malcolm & Marie

Ano: 2021

País: Estados Unidos

Classificação: 14 anos

Duração: 106 min

Direção: Sam Levinson

Roteiro: Sam Levinson

Elenco: John David Washington, Zendaya

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