Mais de 50% das indústrias têm falta de insumo, diz FGV

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O percentual de empresas que enfrentam falta de insumos e matérias-primas teve ligeira queda entre novembro do ano pretérito e junho deste ano, mas a melhora é vista com cautela, uma vez que muitas companhias que estão na base da prisão produtiva ainda trabalham com restrições.

De tratado com sondagem privativo do FGV Ibre (Instituto Brasílio de Economia da Instalação Getulio Vargas), 55,5�s empresas do setor industrial reportaram dificuldades com insumos em novembro. Em junho deste ano, eram 52,4%, oscilação na margem de erro de dois pontos percentuais da pesquisa.

Os percentuais mais elevados, supra de 70%, estão atualmente nas indústrias de veículos, de informática e eletrônicos e de químicos. Em novembro do ano pretérito, variavam de 50�1% nesses segmentos.

Também se destacam os níveis elevados de restrição à produção em indústrias da base da prisão, uma vez que minerais não metálicos (65%), produtos de plástico (62%) e produtos de metal (53%), entre outras.

Mesmo em segmentos nos quais a situação melhorou significativamente, os percentuais ainda estão próximos ou supra de 50%. É o caso de vestuário (de 77% para 65%) e têxtil (de 75% para 49%), indústrias cujos problemas de produção afetam também o negócio varejista.

Viviane Seda Bittencourt, superintendente-adjunta de Ciclos Econômicos do FGV Ibre, afirma que a situação ainda é preocupante, pois mais da metade das empresas reportaram restrições, algumas delas de segmentos que influenciam outros setores da economia.

“Apesar de ter minguado, ainda há problemas para a maioria das empresas. São segmentos-chave, alguns que estão na base da prisão e podem gerar um gargalo, além de terem relevância econômica importante”, afirma.

“Você tem uma perda de capacidade do prolongamento da indústria durante leste ano por conta dessa escassez.”

Outra preocupação, segundo Viviane, é que 56,7�s empresas consultadas afirmam prever uma normalização da entrega de matérias-primas e bens intermediários ainda neste ano. Mas 25,5% só esperam que isso ocorra em 2022, e 17,8% não conseguem fazer previsão.

Ainda segundo a pesquisa, houve queda no percentual de companhias que enfrentam problemas com falta de resultado no mercado interno, de 85% para 76%, mas o percentual ainda é saliente. Em relação a insumos importados, o percentual passou de 41% para 45%.

O aumento do preço no mercado internacional é citado por 42�s companhias uma vez que um dos fatores que dificultam a compra de insumos. Questões cambiais e de dificuldade na entrega/logística são citadas por tapume de 20% dos entrevistados, cada uma.

Na sondagem, foram ouvidas 1.098 indústrias, por meio de questionário eletrônico ou contato telefônico.

A economista do FGV Ibre Cláudia Perdigão afirma que há segmentos que apresentam atualmente estoques baixos em relação à média histórica e enfrentam restrições à produção, uma vez que o de bens de capital, no qual o percentual de indústrias que reportaram dificuldades passou de 41% para 57% nas duas pesquisas.

“Isso pode simbolizar uma dificuldade para a retomada de projetos de investimento, pode finalizar atrapalhando a recuperação de outros segmentos”, afirma a economista, que aponta ainda a incerteza em relação a outro insumo importante, a pujança elétrica, no segundo semestre.

Na produção de veículos e de produtos de informática, a principal dificuldade, segundo as associações de fabricantes, ainda é com a compra de chips semicondutores. A escassez dessa matéria-prima tem afetado a prisão de produção em todo o mundo.

Em seguida as paralisações na produção no início da pandemia, o consumo aquecido de produtos uma vez que computadores, celulares, tablets e televisores levou a uma corrida por chips.

No setor automotivo, a dificuldade na compra e a imprevisibilidade com as entregas levaram diversas fábricas a interromper a produção para ajustar o volume de matérias-primas à capacidade de produção.

Nesse segmento, exclusivamente 30�s empresas prevê uma normalização ainda em 2021, percentual semelhante ao verificado nas indústrias de produtos de metal e materiais elétricos.

A Anfavea (associação das montadoras) calcula que a falta de semicondutores já tenha impedido a produção de 100 milénio a 120 milénio veículos neste ano.

No início deste mês, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, disse que a baixa oferta de chips tem segurado a retomada do setor. O volume de veículos produzidos em junho -166.947 unidades- foi o pior dos últimos 12 meses, resultado das paralisações das montadoras.

Em junho, fábricas de eletrônicos apontaram, pela primeira vez, a urgência de paralisação parcial da produção por falta de componentes.

A Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) começou, em fevereiro deste ano, a perguntar às empresas quais as consequências das dificuldades em comprar peças. Pelo menos 12�s associadas disseram ter havido a urgência de reduzir o ritmo de produção.

A associação registra também um aumento de 20% para 26% o número de empresas com estoque de componentes e matérias-primas aquém do desejado e com menos produtos prontos. Peças eletrônicas vindas de países asiáticos são as mais citadas pelas empresas com dificuldades com insumos e matérias-primas. A sondagem da FGV aponta que 48�ssas empresas preveem normalização neste ano.

O presidente da Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), Ciro Marino, diz que a partir de fevereiro o fornecimento de insumos começou a ser normalizado e que os estoques já estão praticamente equilibrados.

“Além dos estoques ajustados, os preços começaram a recuar. A combinação [do nível de estoque] com oferta de petróleo e câmbio um pouco mais favorável trouxe um recuo na fita de 10% nos preços de insumos. Tudo nos leva a crer, hoje, que a demanda aparente está superior à demanda real”, diz Marino.

Do portfólio da indústria química, o dirigente avalia que o segmento de resinas plásticas ainda enfrenta subida de preços. O encarecimento é segmento revérbero do consumo gerado pela pandemia e, por outro lado, em consequência de questões pontuais, uma vez que a paralisação da produção da Braskem no pólo petroquímico do ABC paulista, para manutenção. A pausa, diz Marino, era prevista, mas representou quase dois meses sem produção.

Do lado da demanda pandêmica, o executivo da Abiquim destaca o consumo de polipropileno, material usado na produção de EPIs (equipamentos de proteção individual) uma vez que máscaras, aventais, toucas e seringas.

Um ponto de preocupação no segmento hoje é a iminente crise hídrica, uma vez que o segmento faz uso intenso de chuva na produção. “Estivemos com o ministro Bento [Albuquerque, de Minas e Energia], que nos assegurou que não teremos problema. O dispêndio é que ficará certamente mais supino.”

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