Liderança deve ser pautada por humildade, empatia e exemplo

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Cristine Grings Nogueira, Presidente na PICCADILLY Company

Por: Fabiana Monteiro

Eu nasci e moro em Igrejinha, município com quase 40 milénio habitantes na Região Metropolitana de Porto Prazenteiro. Sou casada há 16 anos com Eduardo e temos duas filhas: Isadora, de 13 anos; e Valentine, de 8. Nossa família, muito porquê a Piccadilly, nasceram cá. Meu pai, Tibúrcio Grings, brinca que, um dia, nossa cidade ainda vai virar uma catedral. Tenho muito orgulho de fazer secção dessa família empresária, mas, durante muito tempo, resisti à teoria de me juntar à empresa, temendo o julgamento das demais pessoas de que estava lá somente porque era filha de um dos donos. Assim, tomei inicialmente outro rumo.

Fiz Publicidade e Propaganda na Unisinos de São Leopoldo, e a minha principal influência para a escolha desse curso foi o meu próprio pai. Ele se doou à Piccadilly por 50 anos, tendo se semoto da gestão unicamente em 2012, quando ocupava o posto de diretor de Desenvolvimento de Produtos. Dele, herdei a veia criativa. Quando pequena, gostava de traçar calçados e roupas, mas, depois, passei a proferir que queria ser médica. Aos 17 anos, cheguei a fazer um estágio dentro da própria Piccadilly, passando por todo o processo produtivo e aprendendo muito sobre porquê fazer sapatos. Mais do que isso: aprendi, também, a ser feliz de forma simples, com os diversos colaboradores com quem tive o prazer de conviver, durante murado de um ano.

Ainda assim, quando chegou a hora de determinar sobre qual graduação cursar, não tinha transparência de que rumo tomar. Foi meu pai quem melhor enxergou o meu perfil e me fez ver o que eu ainda não tinha visto. Fui para a faculdade e, antes de concluí-la, tranquei o curso e fui fazer um intercâmbio nos Estados Unidos, para melhorar o meu inglês. Na volta, retomei a graduação, trabalhei em um banco e, depois, comecei um estágio em uma filial de publicidade de Porto Prazenteiro. Ali, adquiri vivência prática, me desenvolvi e percebi que havia feito a escolha certa.

Um ano depois, fui convidada para ser sócia de uma outra filial. Tinha unicamente 21 anos e ainda era muito inexperiente. Mesmo assim, resolvi aventurar e me tornar empresária – o que se revelaria, depois, uma megaexperiência para mim. Era uma empresa pequena e eu acabava me envolvendo em todas as frentes. Foi uma oportunidade de aprendizagem muito significativa e um repto maravilhoso. Ali, tive minha primeira experiência porquê líder de uma equipe e isso, com certeza, faria muita diferença na minha vida profissional, ao longo de minha curso.

Aprender, desaprender e reaprender

Enquanto me aventurava em meu próprio negócio, comecei a fazer um MBA em Marketing, na Instauração Getúlio Vargas (FGV). Durante o curso, foi solicitado um trabalho prático, a partir do qual teríamos de edificar um case e, quando me dei conta, em vez de falar sobre minha filial de publicidade, acabei falando sobre a Piccadilly. Depois disso, meu tio Paulo, portanto diretor-presidente, me convidou para assumir a gerência de Marketing da companhia. Naquele momento, eu já atuava havia três anos porquê empresária e me sentia muito mais preparada para contribuir com o negócio da família. Foi só portanto, para a surpresa do meu pai e da minha mãe, que acabei aceitando esse repto e entrei de corpo e psique no mundo Piccadilly.

O envolvente da empresa faz secção da minha vida e história, e essa minha pasmo é um legado dos meus pais. Tenho muitas lembranças de visitar a Piccadilly ainda gaiato e de fazer desenhos para o meu pai, colocando-os debaixo do tampo de vidro de sua mesa de trabalho. Ainda assim, eu não queria estar cá unicamente por ser a filha de um dos donos. Essa questão sempre mexeu comigo, mas, naquele momento, tratava-se de outro contexto. Eu já tinha outras vivências e o que oferecer.

Certamente, nunca estamos totalmente prontos e completos porquê profissionais. É preciso sempre aprender, desaprender e reaprender. Isso valia para mim há quase 20 anos, quando comecei, e vale também agora, porquê presidente da companhia. É preciso evoluir continuamente, se aprimorar mais do que nunca e estar em regular aprendizagem. Esse processo de conseguir limpar a memória das velhas certezas e inserir um reaprendizado é muito reptante, mas fundamental para os executivos que estão no mercado.

Porquê disse, naquele 2004, aos 24 anos, quando aceitei a proposta do meu tio, me sentia muito mais preparada e positivo de que poderia contribuir para a perpetuação e fundação desse legado, que começou a ser construído pelo meu avô, Almiro Grings, e seus três sócios, em 1955. Fui particularmente influenciada pelo meu pai, com sua veia criativa e sua visão inovadora, e também pelo meu avô, com seu espírito empreendedor e visionário. Além deles, não posso deixar de realçar minha gratidão à minha mãe, aos meus tios e a toda a nossa família empresária, com quem tive, e ainda tenho, a oportunidade de aprender muito. Cada um, com seu perfil específico, tem se doado ao longo desses 66 anos (celebrados em 4 junho de 2021), com muito paixão e trabalho duro. É essa dedicação coletiva que tem feito nosso negócio prosperar e crescer.

A perpetuação desse legado é o que me move de verdade, que me faz ajustar cedo e buscar entregar o melhor – mesmo diante de tantos desafios que temos maduro. Eu libido ser lembrada porquê uma líder feminina inspiradora e, mormente, uma líder movida pela fé. Isso é um tanto muito importante na minha vida hoje e tem feito a diferença para me fortalecer, em privativo neste cenário em que nos encontramos, pós-pandemia. Meu libido é o de fazer a diferença na história de nossa empresa e ajudar a Piccadilly a chegar sólida e próspera aos seus 100 anos.

O tabu da sucessão

Assumi a presidência exatamente quando a empresa completou 60 anos, tendo a companhia de minha prima, Ana Carolina, porquê vice-presidente. Naquele momento, a segunda geração fazia, aos poucos, o movimento de transição para a terceira geração. À estação, já éramos diretores de muitas áreas. Assim, a geração anterior se sentiu positivo para ir “passando o cajado”. Meu tio, que era portanto presidente, começou também a sinalizar o libido de deixar o missão e ainda não tínhamos a definição de quem deveria assumir no lugar dele.

Sucessão era um ponto meio tabu, mas, em uma oportunidade, a terceira geração conseguiu abordar o tema. Tínhamos, portanto, iniciado um processo de governança na empresa que foi muito importante para nós, em que fazíamos combinações e alinhamentos relevantes para nosso negócio familiar. Foi, portanto, durante esse processo de construção da governança, que o tema da sucessão acabou vindo à tona. Nesse momento, meu irmão e meus primos me escolheram para ser a presidente da empresa. Para mim, isso foi bastante surpreendente, mas tendo o base de todos me sentia preparada. Por mais de dez anos, vinha fazendo um trabalho de coaching dentro da Piccadilly. Aliás, não só eu, mas toda a terceira geração. Isso ajudou no meu sazão profissional de forma muito intensa. Ou por outra, depois de assumir a presidência da empresa, passei a racontar com uma mentoria formal. Esse foi um momento dissemelhante, porque eu efetivamente passei a ser apoiada, o que tem sido bastante importante para mim.

Sou evangélica e, quando surgiu a oportunidade de liderar a empresa, conversei muito com Deus e o questionava se isso tudo era para mim. Mas tive as respostas às minhas perguntas e a certeza de que Ele realmente estaria comigo ao longo desse processo. E foi isso o que me encorajou a admitir o repto. Digo com absoluta humildade que toda a força, resiliência e sabedoria que tenho e que a posição exige vêm d’Ele. É nisso que acredito e é disso que tenho orgulho, não vergonha, ao falar sobre minha fé. Me converti, aliás, um pouco antes de assumir a presidência da Piccadilly e isso contribuiu para me transformar porquê pessoa e para me tornar um ser humano melhor.

Arrumar a própria leito antes de mudar o mundo

Não há trajetória sem frustrações. Mas são elas que nos ajudam em nosso desenvolvimento. Acredito que quando nos frustramos só há duas escolhas: ou nos sentimos desmotivados e desistimos ou escolhemos nos fortalecer a partir da dor. É esta última opção que recomendo: a de fazermos com que os aprendizados advindos das situações de desencanto e insatisfação nos apresentem a oportunidade de evoluir e crescer em procura dos nossos objetivos. Eu arrisco proferir que quem não está pronto para mourejar com as frustrações não será bem-sucedido profissionalmente. Elas são inerentes à vida profissional, assim porquê as conquistas. O mundo em que vivemos tem nos posto à prova muitas vezes, mas a gente vai seguindo, de conquista em conquista ou de frustração em frustração. A questão mais importante não é se tais situações surgirão, mas o que vamos fazer com elas.

Infelizmente, experimentamos um momento de colapso de valores e princípios. Estamos cada vez mais individualistas e superficiais. Por isso, temos um importante repto pela frente: o de transformarmos o mundo em um lugar melhor. Isso exige que nós pensemos muito mais no coletivo do que no quidam. Exige, ainda, discussões mais profundas e relevantes, em vez de banalidades, porquê números de seguidores e curtidas nas redes sociais. Participei de um evento em Novidade York e lá escutei uma frase de um brasílico que achei fantástica. Segundo ele, a novidade geração quer transformar o mundo, mas não sabe nem arrumar a própria leito. Essa frase, que é inspirada em outra, de William H. McCraven, ex-almirante da Marinha americana, diz muito sobre essa superficialidade que vivemos hoje.

Leste é o momento de focarmos no estabilidade dos nossos valores e de priorizarmos o que realmente faz sentido para nós. Inclusive, para buscarmos coisas mais simples, que, no fundo, são as mais valiosas da vida. É preciso prometer que tudo isso valha a pena e fazer com que tenhamos um recomeço mais equilibrado e saudável. Seria maravilhoso se, no final das contas, extraíssemos a secção boa desse processo, pois, porquê tudo na vida, há um lado bom. Mas isso, obviamente, não é uma tarefa fácil.

Sou absolutamente exigente comigo mesma

É muito relevante conhecermos a nossa dimensão de atuação para que possamos nos sentir seguros com aquilo que fazemos. Isso nos ajuda a apresentar uma melhor performance e a lucrar credibilidade com a nossa equipe. Para mim, a liderança deve ser pautada por humildade e empatia. É importante mantermos uma escuta ativa, prestando atenção no outro e ouvindo realmente o que ele tem a proferir. Só assim a gente consegue transformar o sonho que é nosso em um sonho coletivo – e isso é fundamental em uma liderança.

Nunca é demais atentarmos também, para a valia de lideramos pelo exemplo. Isso faz diferença, porque entendo que discursos bonitos, frequentemente, são rasos e insustentáveis. Dessa forma, precisamos ser verdadeiros e transparentes nas nossas relações. Até porque, porquê líderes, estamos sempre sendo observados em nossas palavras e atitudes. São os sinais que damos que reforçam ou colocam em xeque aquilo que queremos edificar. Ou por outra, dou muita valia à valorização e ao desenvolvimento das pessoas. Acredito que esse tipo de investimento torna os colaboradores devidamente preparados para abraçarem os desafios, ao estarem mais motivados e comprometidos com o negócio. A transformação acontece por intermédio das pessoas.

Também sou absolutamente exigente comigo mesma. E um tanto que fez toda a diferença na minha vida, tanto na esfera pessoal quanto, em privativo, na profissional, foi ter a expectativa certa acerca das pessoas e das circunstâncias. Isso me ajudou muito a não me frustrar e a não me desmotivar, pois espero de uma pessoa unicamente aquilo que ela pode me entregar. E quando ela vai mais longe, isso além de ser uma deleitável surpresa, serve de motivação. Não construímos zero sozinhos e, porquê líderes, passamos a maior secção do nosso tempo lidando com pessoas. Logo, essa relação entre líder e liderado é importante e deve ser construída da melhor e mais respeitosa forma verosímil.

Bons marinheiros em mar revolto

Quando assumi a presidência da Piccadilly, fizemos todo o processo de transição e iniciamos um juízo de gestão. O ano era, justamente, 2015 e vivíamos o início de um período de crise político-econômica. Meu tio Paulo se preocupou em nos passar o cajado num momento de mercado tão reptante, mas entendeu que estávamos preparados, confiou em nós e manteve sua decisão. Me lembro muito muito de uma fala do presidente do nosso juízo, que dizia que não se treinam bons marinheiros em águas calmas. E ele está visível. Mas, no Brasil, o mar parece estar sempre revolto para nós marinheiros – isso quando não temos de encarar verdadeiros tsunamis. Por isso acredito que qualidades porquê resiliência, coragem, força e muito estabilidade emocional para mourejar com as adversidades sejam ainda mais importantes. Tomemos porquê exemplo o cenário que vivemos agora, no que diz reverência à pandemia. As pessoas, ao se sentirem inseguras, mais fragilizadas, para quem elas vão olhar? Para aqueles que exercem papel de liderança.

Portanto, é importante mantermos a serenidade, estarmos preparados e seguirmos trabalhando e acreditando que, apesar dos desafios – que são muitos – podemos galgar a tormenta. A pandemia nos trouxe várias dores, falando especificamente da Piccadilly, mas também proporcionou uma série de aprendizados e oportunidades. Nossa primeira atitude foi a de proteger o negócio e as pessoas, pois precisávamos sobreviver. Mas, além de sobreviver, a gente quer se transformar. A covid-19 nos mostrou que não temos, absolutamente, o domínio de tudo. Logo, querer fazer planejamentos a longo prazo já não faz muito sentido, hoje.

Nosso foco passou a ser agir com mais velocidade e siso de urgência, enxugando e desburocratizando os processos internos da empresa. Passamos a ser mais objetivos, a dar autonomia com responsabilidade para as equipes e a estimular com muito mais intensidade o tema da inovação e da originalidade. Fizemos um trabalho muito importante com relação ao treino da empatia entre as pessoas e ao fortalecimento do espírito de equipe. A Piccadilly era, assim porquê outras grandes empresas, mais conservadora, lenta, burocrática. Nesse paisagem, eu diria que a pandemia – apesar de toda a dor que causou – foi positiva para a gente, porque aproveitamos esse contexto para promover uma mudança de atitude. Estamos experimentando uma verdadeira transformação cultural, mas respeitando nossos valores e tudo aquilo que representa nossa origem. E isso, tenho totalidade consciência, vem sendo fundamental para que possamos seguir adiante, rumo aos nossos 100 anos.

Será que ela consegue, mesmo?

Ser um executivo bem-sucedido é a materialização de um sonho, e posso proferir que conheço muitas histórias de sucesso lindas. Mas todas elas foram construídas com muito paixão, dedicação, trabalho duro e dor. Todas são para mim natividade de inspiração e encorajamento. Por isso, realmente acredito que, porquê executivos, temos um papel muito relevante, no sentido de instigarmos as pessoas a realmente acreditarem em si mesmas e a estimulá-las a correrem em procura dos seus próprios sonhos.

Hoje, o posicionamento da marca Piccadilly é pelo encorajamento feminino. Essa é uma mudança que está ocorrendo e é importante que aconteça. Não acreditamos que as mulheres devam ter privilégios, mas, sim, que tenham condições igualitárias. Entendo que a oportunidade de uma mulher se tornar uma profissional destacada não está vinculada a gênero, mas à entrega, à capacidade. Temos várias profissionais do sexo feminino exercendo o papel de liderança em nossa empresa, sendo que metade de nossa diretoria é formada por mulheres. Elas estão presentes no nosso juízo, e murado de 60% do nosso quadro de colaboradores é constituído por mulheres – muitas delas ocupando cargos de liderança em setores que, normalmente, são destinados aos homens.

Levantamos a bandeira da inspiração e do encorajamento. Embora estejamos em um setor de calçados femininos, a maioria dos líderes, tanto das indústrias quanto do varejo, ainda é formada por homens. Trata-se de um processo que tende a mudar, mas esta é a presente veras. Mesmo em função disso, não posso proferir que fui discriminada, mas, certamente, vi muitos pontos de interrogação serem colocados a meu reverência, no início do processo de transição na Piccadilly. “Será que ela consegue, mesmo?” Posso proferir que, para mim, isso sempre foi um motivador, que encarava porquê um repto. “Ah é? Vou mostrar que posso, sim!”, dizia para mim mesma. E pude!


 

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