Leo Jaime e a gordofobia no ballet – GQ

0
23

Vencedor da edição de 2018 do Dança dos Famosos, reality show anual transmitido no Domingão do Faustão, da TV Mundo, o ator Leo Jaime tinha só um objetivo naquela competição: “vencer meus próprios limites”. Mal sabia que o programa serviria uma vez que uma ponte para se reconectar com uma antiga paixão, a dança. Desde portanto, ele encanta os seguidores com vídeos de ballet clássico, compartilhados em seu perfil do Instagram, quebrando estereótipos e incentivando massas.

Aos 60 anos, Leo quer se desafiar. Seja na internet ou no estúdio de dança que frequenta no Rio de Janeiro, o ator encontra no ballet uma instrumento que dá voz ao corpo e psique. “Deixa-me mais ligeiro quando tudo em volta faz tarar”, crava, em conversa exclusiva com a GQ Brasil. Erguendo-se contra a gordofobia e o machismo, que protagonizavam os comentários de suas primeiras publicações, o ator ignora o preconceito para não perder o ritmo. “Tomara que isto mude um dia. Homens, principalmente, podem lucrar muito dançando. Afetivamente, socialmente, fisicamente”, defende. 

Leo Jaime e a gordofobia no ballet (Foto: Tielle Mello)

Aquém, confira a entrevista completa:

GQ Brasil: O que te levou a entrar no balé pela primeira vez, aos 18 anos?
Leo Jaime: Eu fiz porque estava na companhia do Klaus e Angel Vianna, Teatro do Movimento, depois de ter trabalhado um tempo no Grupo Pitu, com o Hugo Rodas, em Brasilia. Secção do estágio era fazer outras danças além da contemporânea que era a que eu conhecia. Aprendi jazz e ganhei uma bolsa na escola da Dona Tania, Tatiana Leskova, uma grande mestra. Eu estudei música, dança, teatro, pensava em ser artista e ainda que fosse muito intuitivo achava que devia estudar. Continuo estudando.

GQ Brasil: A gordofobia já te impediu de fazer alguma coisa?
Leo Jaime: Na dezena de 90 as portas se fecharam para mim em todos os ambientes em que eu costumava trabalhar. A explicação era que eu estava gordo e passando uma imagem decadente. E eu nem era tão gordo assim, mas já tinha uma barriguinha. Acho que venci levante preconceito e tive depois um comeback muito abrangente na TV e na música, além do jornalismo.

GQ Brasil: Porquê responde aos comentários machistas em seus vídeos dançando?
Leo Jaime: Leo Jaime: Com instrução. Ou não respondo.

GQ Brasil: Acredita que compartilhar seus momentos no balé impactou seus seguidores de maneira positiva?
Leo Jaime: Leo Jaime: Muito! Não  imaginava. Era exclusivamente o registro das minhas experiências. Evidente que eu sabia que ter ganhado a dança dos famosos podia gerar alguma curiosidade. Finalmente, o que estava em jogo lá, para mim, era vencer meus próprios limites. E o espeque de muita gente foi uma inspiração. Portanto sabia que teria gente curtindo. Mas não imaginava que pudesse ser tão representativo. Muita gente perdeu, uma vez que eu, o pudor de testar coisas que dão vontade mas para as quais aparentemente existe um corpo ou idade adequados. O importante é o que a gente faz, e não o que a gente diz.

GQ Brasil: A dança te ajudou a suportar a pandemia de maneira mais ligeiro?
Leo Jaime: Muito! A dança dá voz ao corpo e a psique. Deixa-me mais ligeiro quando tudo em volta faz tarar. Recomendo muito! Dança de salão, por exemplo, é uma coisa mágica. Em Berlim, de tarde, num grande mall no meio da cidade, já uma rossio em que se dança o tempo todo. Tem instrutores e as pessoas que vão passando podem ser orientadas por estes dançarinos ou simplesmente trespassar dançando. Vi o pessoal lá dançar forró muito animadamente. Mais fácil isso sobrevir em Berlim do que em uma rossio brasileira. Tomara que isto mude um dia. Homens, principalmente, podem lucrar muito dançando. Afetivamente, socialmente, fisicamente. Mulheres gostam mais de dançar, ou pelo menos se manifestam mais neste sentido.

Veja publicações de Leo no Ballet:

Leo Jaime em publicação nas redes (Foto: Instagram)

Leo Jaime em publicação nas redes (Foto: Instagram)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui