Justiça Federalista proíbe governo Bolsonaro de promover ″kit covid″ | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW

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A Justiça Federalista em São Paulo proibiu nesta quinta-feira (29/04) que o governo de Jair Bolsonaro faça campanhas, em qualquer meio de notícia, para promover o chamado “tratamento precoce” contra a covid-19, com medicamentos sem eficiência comprovada contra a doença.

Na decisão em primeira instância divulgada nesta sexta-feira, a juíza Ana Lúcia Petri Betto, da 6ª Vara Cível Federalista de São Paulo, ordenou que a Secretaria de Informação da Presidência da República (Secom) se abstenha de patrocinar propaganda que “contenha referências” a fármacos de eficiência duvidosa no combate ao novo coronavírus, porquê a cloroquina, defendida publicamente por Bolsonaro inúmeras vezes.

Na decisão, da qual cabe recurso, a juíza também exigiu que os influenciadores digitais contratados pelo governo Bolsonaro para promover o tratamento precoce se retratem nas suas redes sociais. A magistrada atendeu a um pedido, via Ação Social Pública.

A juíza também impediu que o executivo utilize em suas peças publicitárias expressões porquê “tratamento precoce” e “kit covid”, que abrange uma série de medicamentos anunciados pelo executivo federalista porquê uma espécie de tratamento para a doença.

Além da cloroquina, também figura nessa lista de medicamentos promovidos pelo governo o vermífugo ivermectina, cuja venda disparou durante a pandemia.

Medicamentos ineficazes contra a covid-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já recomendou que a ivermectina e a hidroxicloroquina não sejam utilizados no tratamento de pacientes com covid-19. Outrossim, a própria empresa que desenvolveu a ivermectina nos anos 1980 afirmou que não existem evidências sobre a eficiência do medicamento contra a covid-19.

Uma metanálise assinada por quase 100 cientistas e publicada na revista Nature concluiu que a hidroxicloroquina está associada a uma maior mortalidade de pacientes com covid-19, e que a cloroquina não apresentou nenhum mercê contra a doença causada pelo coronavírus.

Mesmo assim, o governo brasílico continua a promover esses medicamentos.

O incentivo de Bolsonaro e do Ministério da Saúde levou a uma explosão no Brasil do consumo de ivermectina e outros medicamentos sem eficiência contra covid-19. Um levantamento do Juízo Federalista de Farmácia (CFF) mostrou em janeiro que as vendas de hidroxicloroquina duplicaram de 963.596 unidades em 2019 para 2,02 milhões em 2020. Já as vendas da ivermectina cresceram 557%. Segundo levantamento da BBC Brasil. o governo já gastou quase R$ 90 milhões para comprar carregamentos de cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina, entre outros medicamentos sem efeito comprovado contra covid-19.

A bula da hidroxicloroquina lista uma série de possíveis efeitos colaterais, porquê diarreia, náusea, dor abdominal, falta de gosto, constipação, vertigem, tremor, febre, comichão, lesões de pele, entre outros. A obreiro do medicamento adverte, ainda, que a droga deve ser usada com cautela em pacientes com doenças hepáticas ou renais e com problemas cardíacos. Outrossim, ele é contraindicado para crianças com menos de seis anos. Mesmo assim, o Ministério da Saúde promoveu seu uso até mesmo em bebês por meio de um aplicativo.

Associação Médica Brasileira é contra “kit covid”

O jornal O Estado de S.Paulo compilou no mês pretérito cinco casos de pacientes que terão de fazer transplante de fígado e pelo menos três mortes por hepatites causadas, aparentemente, pelo uso sem premência desses fármacos.

Recentemente, Associação Médica Brasileira (AMB) pediu que seja banida a utilização de ivermectina e outros fármacos sem eficiência comprovada contra a covid-19, num posicionamento contrário ao defendido por Bolsonaro.

“Reafirmamos que, infelizmente, medicações porquê hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina, entre outras drogas, não possuem eficiência científica comprovada de mercê no tratamento ou prevenção da covid-19, quer seja na prevenção, na tempo inicial ou nas fases avançadas dessa doença, sendo que, portanto, a utilização desses fármacos deve ser banida”, defendeu a AMB em transmitido.

O Tribunal de Contas da União já pediu explicações ao Governo sobre sua decisão de investir em cloroquina e distribuí-la em tamanho entre os estados do país.

Essa e outras questões, porquê o tardança na compra das vacinas, serão alguns dos pontos a serem analisados na CPI da pandemia, instaurada essa semana no Senado para investigar “omissões” do Governo de Bolsonaro na gestão da pandemia.

le (lusa, ots)

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