Inimigos, inimigos, negócios à secção

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20/06/2021 13h32

A política brasileira está mesmo dividida: de um lado, bolsonaristas, que adoram gastar à vontade o verba público; de outro, com lema prepóstero, lulistas, que adoram gastar o verba público à vontade. Bolsonaro (e seus aliados no Congresso) tentam há tempos furar o teto das despesas públicas. Lula disse agora que, se for eleito, vai revogar o teto de gastos – sabido porquê a “regra de ouro”, que desde o Governo Temer segura a inflação.

Só se juntam nisso? Não: os presidentes da Câmara e do Senado foram eleitos por bolsonaristas, com pleno suporte do PT e partidos-penduricalhos que usam outros nomes para parecer que não fazem secção do PT.

Só nisso? Imagine! A reforma da Lei da Improbidade Administrativa, que facilitará em muito a tarefa de privatizar recursos públicos, já tem a garantia de que será sancionada por Bolsonaro (ele diz que é para “desburocratizar” a gestão pública). OK, há quem se refira ao contrabando porquê “importação desburocratizada”. O relator da reforma da Lei da Improbidade é um lulista, Carlos Zarattini. O PT votou de forma unânime em prol da desburocratização de Bolsonaro. A aprovação na Câmara foi por 408 votos a 67, com somente uma continência. O dispendioso leitor quer alguma coisa mais próximo de uma união vernáculo?

E a rapidez, portanto! O relatório de Zarattini foi apresentado às 17h10, a urgência foi legalizado às 17h19, em nove minutos. No dia seguinte, a reforma foi aprovada. Se facilita a prevaricação, todos dormem com o inimigo.

O objetivo

O procurador Roberto Livianu, do Instituto Não Aceito Devassidão, afirma que a Lei da Improbidade (essa que está sendo “flexibilizada” – vocábulo de Bolsonaro) é a mais importante medida anticorrupção em vigor no país. “Não foi urgência para salvar vidas, combater desemprego, Covid, prevaricação”. A pressa foi para facilitar a vida de quem gosta de meter a mão no pudim.

Ele conhece

Por que Lula está tão invencível com o teto de gastos? Ele explica: “A quem interessa o teto de gastos? Aos banqueiros? Ao sistema financeiro? Gasto é quando você investe um verba que não tem retorno. Quando você dá um bilhão para rico é investimento, e quando dá R$ 300 para pobre é gasto?”

As palavras de Lula devem ser pensadas: em seu Governo, empreiteiras, “campeões nacionais” e ditaduras estrangeiras receberam bilhões, chamados de “investimentos”, e os mais pobres receberam a Bolsa Família, pequena quantia que, no entanto, fazia falta para suas despesas. Gastou-se muito mais com obras em ditaduras estrangeiras, mas Lula acusa os adversários de ser contra a Bolsa Família. Enfim… Bolsonaro gastou com cloroquina e a Bolsa Família que ele prometia melhorar até agora está esperando qualquer verba.

E, porquê o próprio presidente lembra, seu Governo já tem quase 900 dias. O Governo Kennedy, que transformou os Estados Unidos, só durou milénio dias.

Noves fora…

Luciano Huck anunciou que não será candidato à Presidência. Mas, cá entre nós, alguém qualquer dia acreditou que Huck poderia ser candidato? É um bom apresentador de TV, parece ser gente boa, ligou-se a um economista de prestígio, Armínio Fraguedo, faz cursos, conversa. Mas nunca disputou uma eleição. Até hoje não conseguiu se definir por um partido. Desde que se fala em candidatura, nunca participou de debates. Entrevistas, só depoimentos em que diz o que quer, sem ser negado. Entregar a economia a Armínio Fraguedo pode ser uma boa teoria – é o que se dizia de Bolsonaro, que com Paulo Guedes na Economia e Sérgio Moro na Justiça seu governo não poderia falhar.

Em resumo: depois de anos de candidato a candidato, não é candidato.

…zero

O governador Flávio Dino, do Maranhão, se desligou do PCdoB. Agora não é mais comunista: é socialista. Porquê Paulo Skaf (o da Fiesp) antes dele, está no PSB. E daí? Daí, zero: se pretende ser candidato à Presidência sem o selo de comunista, pode se preparar que para os bolsonaristas quem é justador só pode ser comunista (e dos piores, que nem tomam cloroquina). Dino realizou a façanha de vencer a família Sarney no Maranhão, mas isso é pouco para que alguém possa rivalizar com Lula e Bolsonaro. Outrossim, o PSB, hoje, tende a se aproximar de Lula. E se mudar será por um candidato que tenha chances de unir o meio democrático contra os dois polos que se dizem opostos, mas que precisam um do outro (e se aliam quando convém).

Caminhão no caminho

Há uma crise prontinha para estourar: os caminhoneiros, que há quatro meses aceitaram as promessas do Governo para não entrar em greve, sabem agora que foram enganados. Algumas promessas: prioridade na vacinação; diesel mais barato (está em R$ 4,20, não caiu um centavo, nem com general no comando da Petrobras), término dos impostos federais sobre combustível. O Governo zerou os impostos em abril e voltou a cobrá-los em maio. Já se fala novamente em greve, com suporte de líderes nacionais da categoria.

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