Inflação em subida desafia a boa temporada do mercado de seguro de crédito

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Apesar dos prejuízos financeiros causados pela pandemia, o segmento de seguros para operações de crédito se saiu muito na crise. Em 2020, o valor dos prêmios subiu 47%, para R$ 540 milhões. Segundo Rosana Passos de Pádua, presidente da seguradora francesa Coface no Brasil – líder do segmento -, as empresas buscaram uma forma de mitigar os riscos. A expectativa agora é seguir em expansão. Para Rosana, os sinais são positivos, mas ela alerta que a subida da inflação pode prejudicar os negócios de clientes do serviço. “A taxa de juros precisa seguir minimamente a inflação”, diz a executiva, que assumiu a liderança da seguradora em março.

Uma vez que o setor de seguro de crédito foi impactado pela pandemia?

Ao contrário do que se imaginava, no ano de 2020 o setor cresceu muito. Para se ter teoria, em 2019, o totalidade de prêmios foi da ordem de R$ 370 milhões. Em 2020, o valor subiu para R$ 540 milhões. Houve um aumento significativo, de 47%.

O que levou a esse incremento?

Por um lado, aumentou o conhecimento das empresas sobre os benefícios do seguro de crédito. Por outro, no início da pandemia, as empresas buscaram formas de se proteger. Levante ano os pedidos continuam crescendo. De janeiro a abril, o aumento é de 40% sobre o ano pretérito. Felizmente, o mercado se mostrou mais resiliente.

O que levou a essa maior resiliência?

A inadimplência das empresas está mais baixa do que se esperava por razão de uma série de fatores. Um deles é o preço mais cimo das commodities, o que contribuiu para a sustentação da economia. Outro é o auxílio emergencial, que estimulou o consumo.

Quais são os desafios agora?

Temos alguns desafios pela frente. Estamos com um nível de inflação muito proeminente. Já vivi todos os planos econômicos da economia brasileira desde os anos 80. Fazia muito tempo que não se via um IGP no nível de quase 50% ao ano. Mesmo o IPCA, que bateu 8%. É uma inflação possante. A taxa de juros precisa seguir minimamente a inflação, porque já estamos com taxas (reais) negativas há qualquer tempo.

A inflação subida prejudica o setor de seguro de crédito?

Impacta o negócio dos nossos clientes mais fortemente. À medida que se tem taxas de juros maiores, inflação mais elevada, isso pode valer redução de negócios dos nossos clientes, o que acaba impactando diretamente os negócios. É um pouco que a gente precisa, de trajo, permanecer circunspecto.

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