Inflação corrói valor de R$ 250 do novo auxílio emergencial; veja o que comprar com mercê

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O novo pagamento do auxílio emergencial será um conforto para muitas famílias que ficaram completamente desamparadas e sem renda depois do namoro do mercê, em dezembro do ano pretérito. O problema é que o valor médio de R$ 250 a ser repassado, no momento mais agudo da pandemia de Covid-19, pode ser insuficiente para atender às necessidades mais básicas dos beneficiários. Um dos fatores que agravaram a situação foi a disparada da inflação, principalmente dos víveres e de combustíveis, o que tem penalizado ainda mais quem depende do auxílio. Em 12 meses, o preço do óleo de soja subiu mais 90%, do arroz e do feijoeiro quase 70%.

A pedido do EXTRA, o economista da FGV André Braz fez as contas para mostrar a perda real de poder aquisitivo da população de renda mais baixa, e que dedica a maior segmento do orçamento a gastos com sustento, moradia e transportes:

— A inflação corrói a renda das famílias. Se em 2020 você tinha R$ 250 para fazer o mercado, um ano depois o mesmo valor não compra mais os mesmos produtos. Ele conseguiria comprar somente o equivalente a R$ 212. Em 12 meses, só os gêneros alimentícios subiram 17,7% em média— afirma André Braz.

Desempregada e cuidando do fruto de quase um ano de idade, Camila dos Santos diz que quer voltar a trabalhar, mas não consegue:

— As coisas estão tudo em um valor paradoxal, principalmente referente a sustento. O desemprego está muito grande. Hoje sou uma mãe solteira e desempregada, morando com a minha mãe. Para ser honesta não tem muito o que fazer com R$ 250. Você vai mercado com esse numerário e não compra absolutamente zero. Isso não é um auxílio. As pessoas estão passando urgência. Eu quero poder trabalhar. Não receber esmola do governo. Eu não quero um auxílio. Quero uma vida normal — afirma a desempregada Camila Santos, de 19 anos.

Os preços de outros gêneros, porquê combustíveis, também subiram e estão pressionando o bolso das famílias com renda mais baixa. Atualmente, o preço do botijão de 13 kg custa entre R$ 59,99 e R$ 105, com preço médio de R$ 75,04, segundo o levantamento semanal da Escritório Vernáculo do Petróleo, Gás Oriundo e Biocombustíveis (ANP). No início da pandemia de covid-19, o preço médio estava em R$ 69.

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Cesta básica escassa

A distribuição de cestas básicas na Baixada Fluminense
A distribuição de cestas básicas na Baixada Fluminense Foto: Brenno Roble / Escritório O Orbe

Já o Dieese calculou a quantidade dos produtos presentes na cesta básica, para nutrir uma família de quatro pessoas, recebendo R$ 250. A epílogo é que a oferta é insuficiente para atender às necessidades básicas:

— Esse numerário não consegue dar conta de uma família. Diariamente, o que dá pra comprar com o valor de R$ 250 é menos de um bife por dia, meio copo de leite, uma valva e meia de feijoeiro, três colheres de arroz. Estamos falando cá do substancial. Porquê você alimenta as pessoas da família com isso? — questiona Fausto Augusto Júnior, diretor técnico do Dieese.

Desempregada, a agente de viagens Simone Paes, de 58 anos, reclama da falta de esteio do governo no pior momento da pandemia. Ela tinha entrevistas de ofício já agendadas, mas a seleção foi suspensa em seguida o agravamento da questão sanitária e aumento de mortes no pais:

— O valor não paga nem a conta de luz, compra somente um botijão de gás. Estou desempregada e morando de obséquio com minha filha.Falta consciência pública. Estava com entrevistas marcadas, mas foram suspensas — lamenta.

Voluntária em uma ONG que distribui e recebe cestas básicas na Baixada Fluminense, Clévia Ribeiro, voluntária, de 43 anos, afirma que os recursos vão complementar as doações que recebe.

— Acredito que toda ajuda que vem é sempre muito vinda. A gente não pode descobrir que é pouco. Eu recebo por mês R$ 180 do Bolsa Família, para mim e para minha filha de 5 anos. Se o valor aumentar para R$ 250, vai ajudar a comprar remédio, gás, mesocarpo moída. Tudo encareceu muito no mercado, principalmente óleo, sabão em pó, moca, açúcar. Sem trabalho, hoje sou voluntária na ONG Instituto Mundo Novo — conta ela.

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Desestímulo a medidas mais restritivas

O auxílio emergencial foi criado para prometer renda a trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados prejudicados com a paralisação de serviços durante a pandemia. Para Vivian Almeida, economista e professora do Ibmec, com levante valor de auxílio o mercê não vai executar a função primordial que é a garantia de renda mínima para evitar que a população se arrisque nas ruas:

— Soa porquê uma complementação de renda, e não com um auxílio para deixar as pessoas em vivenda e evitar a disseminação do vírus, porquê foi no ano pretérito. As pessoas vão se aventurar, vão pra rua e de alguma sobreviver. É o valor é menor num contexto pior. As pessoas estão sem ofício. O desemprego é recorde em 20 estados, é dramático — ressalta Vivian.

Já o Professor Paulo Dutra, coordenador do curso de Economia da FAAP, lembra que no momento em que o governo ainda se organiza para encetar a efetuar o pagamento, estados e municípios anunciam medidas restritivas mais duras para moderar o progresso do vírus. Para ele, com o auxílio deixa de ser um fomento para aderir às medidas de distanciamento:

— As pessoas só ficarão em vivenda se tiverem quesito de sobreviver. Não adianta restrições. Se tem uma família de quatro pessoas, R$ 250 vai embora em uma semana e meia. É quaseuma esmola.

Período restringido

O EXTRA também comparou quanto o trabalhador gastava, em 2020, e quanto empenha em 2021, para comprar a quantidade mínima disponível de uma lista de dez produtos e mantimentos essenciais (Veja o quadro supra). No ano pretérito, de entendimento com levantamento em encartes de supermercados, o consumidor desembolsaria R$ 67,01. Hoje para comprar a mesma cesta, gasta R$ 107,30, subida de 60%.

— Só que quanto menos a pessoa ganha, menos pode trinchar porque comida é precípuo. Logo quer proferir que ele vai passar urgência, não vai ter chegada a tudo que ele deveria ter para sustentar a família — explica André Braz.

Outra preocupação é com o período de pagamento do novo auxílio emergencial. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que libera o mercê em 2021 estabelece o repositório de quatro parcelas, mas o ritmo lento de vacinação no país indica que a crise econômica deve se prolongar por mais tempo:

— No apostaria que quatro meses sejam suficientes em função da lentidão da vacinação. Precisaria de no mínimo R$ 600, ainda que mais focado para a uma parcela menor da população. Teria que ter uma fiscalização para conceder estes recursos para quem realmente precisa — enfatiza Paulo Dutra, coordenador do curso de Economia da FAAP.

A expectativa na novidade rodada do auxílio é contemplar 46 milhões de pessoas.

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