Impulsionada por Anitta, pressão contra projeto sobre regularização fundiária reúne de celebridades a grupos de k-pop | Sonar – A Escuta das Redes

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Marlen Couto

A pressão nas redes sociais contra o projeto de lei 510, que flexibiliza as regras de regularização fundiária de terras da União e do Instituto Pátrio de Colonização e Reforma Agrária (Incra), não só foi impulsionada por celebridades, porquê a cantora Anitta e o humorista Fábio Porchat, porquê gerou mobilização de perfis que não costumam participar do debate político na plataforma. A desenlace é de uma estudo feita a pedido do Sonar pela empresa de estudo de dados Arquimedes.

O levantamento analisou 57 milénio menções ao projeto entre o dia 27 e as 12h desta quinta-feira. Embora a maior segmento das publicações tenha partido de perfis de oposição ao presidente Jair Bolsonaro que tradicionalmente já participam do debate político, 18% das menções foram feitas por usuários do Twitter fãs de Anitta e por grupos de k-pop, gênero músico surgido na Coreia do Sul e cujos participantes são conhecidos pelo envolvimento com temas políticos em todo o mundo.

Esses segmentos não costumam participar das discussões envolvendo o dia a dia da política pátrio, explica o sócio do Arquimedes Pedro Bruzzi:

—  Ainda que o ponto não tenha sido a principal tarifa das redes ontem, conseguiu atenção considerável, sobretudo por conta da presença de perfis de fora do debate político do dia a dia. A participação da Anitta motivo esse comportamento dissemelhante, trazendo muitos perfis diferentes para o contexto.

Além de Anitta e Porchat, foram importantes influenciadores na pressão contra o projeto a ONG GreenPeace Brasil, a rede de mídia de esquerda Mídia Ninja, a atriz Leandra Leal e o influenciador Kaique Brito, de 16 anos de idade, espargido por produzir teor na rede social TikTok e que se tornou mensageiro da WWF-Brasil, outra entidade de proteção ao meio envolvente que atua no país. Parlamentares de oposição porquê Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Alessandro Molon (PSB-RJ).

Debate sobre PL de regularização fundiária

Anitta chegou a fazer menções diretas ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), com pedidos para que o texto não fosse votado. Não é de hoje que a cantora tem se engajado em temas relacionados à tarifa ambiental. Na semana passada, a cantora e o ministro do Meio Envolvente, Ricardo Salles, protagonizaram uma discussão no Twitter. O motivo foi a participação da artista num “tuitaço” — publicação massiva de tuítes por uma motivo — contra a permanência dele no missão. Salles compartilhou uma publicação de Anitta que pedia sua saída do ministério e ironizou: “Fica na sua ai, ô Teletubbie”. O ministro fez referência ao programa infantil criado em 1997.

No término da tarde da última quarta-feira, o Senado adiou a votação do projeto em meio à pressão. Bravo pela bancada ruralista, o texto do senador Irajá (PSD-TO) estende para todo o país normas que hoje se aplicam somente à Amazônia Legítimo. O principal ponto é que a proposta modifica o marco temporal para a comprovação da ocupação da terreno. O interessado deverá ser capaz de provar ocupação anterior a 25 de maio de 2012. Atualmente, essa data é firmada em 2008. A regra vale para propriedades com até 2.500 hectares. 

Para ambientalistas, o projeto facilita a concentração fundiária e a grilagem de terras públicas, além de aumentar conflitos fundiários e a pressão sobre terras indígenas. O texto, sob a relatoria do senador Carlos Fávaro (PSD-MT), deve ser discutido em audiência pública na Percentagem da Lavoura na quinta-feira.

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