Fora do tino geral: considerações sobre o lucro da Caixa nos últimos anos

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Por Sérgio Mendonça, economista e diretor do Reconta Aí

Recentemente, o presidente da República e o presidente da Caixa Econômica Federalista manifestaram-se publicamente sobre os resultados financeiros e contábeis da Caixa.

Os dois trataram do lucro da instituição, indicador que costuma ser de fácil compreensão para a população em universal. E afirmaram que a Caixa apresentou, na gestão Bolsonaro/Pedro Guimarães, lucros maiores do que em governos anteriores. E que isso seria a comprovação de uma gestão superior às anteriores. Parece óbvio não é? Mas uma vez que a juventude se expressa atualmente, só que não!

Antes de prosseguir, cabe contextualizar a estudo do lucro de uma instituição uma vez que a Caixa. A Caixa é uma instituição 100% pública e tem uma vez que finalidade colocar de pé diversas políticas sociais. Entre os principais programas sociais estão o auxílio emergencial, a política de habitação popular, o seguro desemprego, a captação e pagamento do FGTS, o programa Bolsa família e o abono salarial.

Na divulgação solene dos resultados do ano de 2020, a Caixa apresentou os seguintes números:

Auxílio emergencial: R$293,1 bilhões desembolsados para 67,9 milhões de pessoas;

FGTS (saque emergencial): R$36,5 bilhões desembolsados para 51,1 milhões de pessoas;

PIS – Abono: R$ 16,9 bilhões desembolsados para 22,2 milhões de pessoas

Favor Emergencial de Manutenção do Serviço e da Renda – BEm: R$16,4 bilhões desembolsados para 4,7 milhões de pessoas

Totalidade: R$ 362,9 bilhões para 121,3 milhões de pessoas

São números que impressionam! Somente um banco uma vez que a Caixa, com longa experiência acumulada nas últimas décadas e um quadro de empregados que conhece a população brasileira, mormente a população de baixa renda, é capaz de executar essa desafiadora tarefa de fazer chegar a 121,3 milhões de brasileiras e brasileiros os benefícios dos programas sociais.

Um banco com esse procuração e essa vocação não pode e nem deve ser comparado com os grandes bancos privados. Estes têm uma vez que principal missão maximizar os seus lucros sem nenhuma preocupação com as políticas sociais.

A Caixa, por sua vez, procura ser um banco eficiente, sem se alongar de sua finalidade principal: atender a população brasileira através das políticas sociais. A prova dessa eficiência é que, sem deixar de satisfazer seu procuração de banco com vocação social, apresentou resultados positivos nos últimos anos.

Vejamos os números a seguir:

Caixa: Lucro Líquido em milhões

Deflator: IPCA – Valores de dezembro de 2020
Elaboração: Subseção do DIEESE na Fenae

Os valores do Lucro Líquido são apresentados atualizados pela inflação até dezembro de 2020. Isso porque, tecnicamente, não faz sentido confrontar o lucro nominal de 2020 com o de 2003 sem fazer essa atualização monetária.

A tábua mostra que a Caixa apresentou lucro líquido positivo nos últimos 20 anos. E também mostra que os números do quadriênio 2017-2020 (governos Temer e Bolsonaro) foram, de indumento, superiores aos dos governos Lula e Dilma.

Sobre esses resultados fazemos, inicialmente, algumas perguntas: um Banco uma vez que a Caixa deve comemorar lucros muito altos? Faz sentido a Caixa perseguir lucros semelhantes aos dos bancos privados? Porquê foram obtidos esses resultados, mormente os lucros mais altos dos últimos anos, nos governos Temer e Bolsonaro?

A Caixa é um sólido conglomerado financeiro com uma missão social estratégica para o país. Atuando uma vez que um banco mercantil tradicional, pode e deve operar linhas rentáveis de financiamento para pessoas físicas e jurídicas, utilizando segmento desse resultado positivo da intermediação financeira para indemnizar a atuação nas políticas sociais que não dão lucro. E nem devem dar! Inúmeros indicadores permitem declarar que a Caixa fez isso muito muito nos últimos anos. E por isso apresentou lucro positivo uma vez que apresentado na tábua supra.

Faz todo o sentido que a Caixa, o principal Banco Público na operação de programas sociais que atendem mais da metade da população brasileira, tenha resultados compatíveis com sua missão social. Visto por outro lado da moeda, não faz nenhum sentido que a Caixa atue uma vez que os grandes bancos privados na procura da maximização dos lucros!

Registre-se que, nos últimos dois anos, o lucro líquido mais cume da Caixa, comemorado pelo presidente da República e do Banco, foi obtido com a venda de ativos e o extenuação da instituição. Um tanto semelhante a vender os imóveis de propriedade da família que estão alugados para gastar com caras viagens e outros luxos. No limitado prazo, a sensação é de euforia e sucesso. No médio e longo prazo faltarão recursos para manter esse transitório padrão de vida.

Nessa toada de venda de ativos e de descapitalização da Caixa, com a reembolso dos empréstimos do Governo Federalista que capitalizaram a Caixa para ampliar sua atuação nas políticas sociais, o atual governo põe em risco o porvir da instituição.

Em outras palavras, o lucro dos governos Lula e Dilma, ainda que menores, estavam inteiramente de conformidade com a missão da Caixa na realização das políticas sociais. Os lucros recentes mais altos da Caixa indicam uma atuação semelhante à dos bancos comerciais e, mais grave, afastam a Caixa de sua missão social.

A Caixa não existe para atuar do mesmo modo que os bancos comerciais privados. Sua missão é totalmente dissemelhante. Contrariamente ao tino geral, gerir a Caixa voltada para a maximização de lucros, ao contrário do que afirma sua direção, aponta para o termo da instituição uma vez que Banco Público no porvir.

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