Em crise há anos, restaurante La Fiorentina não resiste à pandemia, fecha as portas no Leme e prédio vai a leilão | Rio de Janeiro

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A crise trazida pela pandemia de coronavírus junto com uma dívida com um banco estão ameaçando o restaurante La Fiorentina, no Leme, na Zona Sul do Rio. O tradicional reduto da boemia cultural do Rio – que tem todos os pratos com nomes de artistas e celebridades – fechou as portas em abril. O fechamento, segundo os donos é temporário, mas o imóvel onde funciona a vivenda vai a leilão na próxima terça-feira (25).

O possessor da vivenda, Omar “Catito” Peres garante que o La Fiorentina não vai terminar. Ao contrário, diz que está deixando “a tamanho resfolgar” para o negócio não retrosseguir de vez. Ou seja, teve de fechar temporariamente porque estava amargando prejuízo de mais de R$ 1 milhão com a pandemia.

“Em 2020 ficamos cinco meses fechados. Reabrimos no final do ano, mas com a pandemia, os restaurantes ficaram vazios, ninguém está aguentando tanto prejuízo. E não sou eu só não, mais milénio estabelecimentos do setor já fecharam no Rio. Fechamos temporariamente em abril e vamos reabrir logo que a situação melhorar”, afirmou Catito.

Ele disse que tentou trabalhar com delivery, mas o dispêndio de manter o restaurante funcionando ficou salso além da conta. Catito, portanto, decidiu fechar o serviço. Demitiu os 25 funcionários – dez deles com mas de 20 anos de vivenda – pagou o salário de todos eles e agora diz se esforça para quitar as indenizações.

“O La Fiorentina não acabou. O prédio vai a leilão por desculpa de uma dívida surreal com o Banco Cédula, que está sendo discutida na Justiça. A dívida é de R$ 1,5 milhão, mas o banco está cobrando R$ 9 milhões, a título de detença, multa e juros. Mas mesmo que o prédio passe para as mãos de outro possessor, o restaurante vai continuar. Por contrato, que também está sub judice, o restaurante funciona até 2025. O novo possessor não vai poder terminar com o La Fiorentina”, disse o proprietário.

Desobstruído em 1957, o La Fiorentina, sabido por permanecer crédulo até o último cliente, costumava reunir artistas e celebridades, que iam jantar e relaxar depois as apresentações nos teatros e casas de show. Não por eventualidade, paredes e pilastras do salão eram decoradas com autógrafos e fotos de atores, músicos, jornalistas, escritores, artistas plásticos. Sem falar no cardápio, onde as estrelas dão nome aos pratos.

“O La Fiorentina chegou a patrocinar mais de 500 peças de teatro. O restaurante significa muito para a cidade. Ele tem uma relação profunda com o jeito, o estilo e a espírito do carioca”, disse Catito, que para apimentar ainda mais a situação, criou na internet um requerimento que será enviado à Prefeitura do Rio, pedindo o tombamento do restaurante. Até o meio-dia desta terça-feira (18), o documento virtual contava com mais de 600 assinaturas.

Mas apesar de todo esse tempero, a receita não foi suficiente para saldar a dívida do empreendimento com o banco. E por decisão judicial, a loja de 408 metros quadrados vai a leilão, na próxima terça-feira. Aliás, pela segunda vez.

De contrato com o site do leiloeiro Leonardo Schulmann, num primeiro leilão extrajudicial ocorrido no dia 10 de maio, com lance inicial de R$ 9,3 milhões, não houve interessados. Agora, o próximo leilão online, marcado para às 11h, o lance inicial está mais reles: R$ 9,2 milhões.

Procurado, o Banco Cédula não se pronunciou sobre o tópico.

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