Desde Dilma, Baleia e Lira têm histórico de proximidade com o governo

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Arthur Lira e Baleia Rossi: candidatos sinalizam disposição em permitir que a PEC do voto impresso tramite na Câmara.| Foto: Dependência Câmara

A relação com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se tornou mais um elemento para a troca de farpas entre os dois favoritos à presidência da Câmara, Baleia Rossi (MDB-SP) e Arthur Lira (PP-AL).

O alagoano é o candidato “solene” do Palácio do Planalto, um pouco que Bolsonaro reforçou em diferentes ocasiões, uma vez que quando cobrou o voto da bancada ruralista. Mas Lira tenta compartilhar o rótulo com Rossi: diz que o rival é “tão da base” quanto ele. O emedebista buscou se distanciar do governo para prometer o esteio de partidos da oposição. PT, PSB, PCdoB, PDT e Rede integram o conjunto de sua candidatura.

O vínculo – ou não – com o governo Bolsonaro é um ponto que pode diferenciar Rossi e Lira em uma disputa que se mostra com altos graus de competitividade. Mas os adversários do pleito de 2021 estiveram do mesmo lado, ou ao menos adotaram postura semelhante, em relação às gestões presidenciais que antecederam a de Bolsonaro.

Tanto Lira quanto Rossi apoiaram o procuração de Dilma Rousseff (PT), foram favoráveis ao impeachment da petista e deram sustentação a Michel Temer (MDB). E mesmo em relação a Bolsonaro há mais semelhanças do que diferenças: ambos manifestaram em relação ao presidente da República, ao longo dos primeiros meses de procuração, a conduta de “votar o que for bom para o Brasil”, independentemente de integrarem ou não, de modo formal, a base aliada.

O posicionamento se traduz em votos. Segundo levantamento do site Congresso em Foco, Baleia esteve ao lado do governo em 90% das votações nominais da Câmara, enquanto para Lira o índice de esteio foi de 88%. Lira e Rossi são também os líderes de seus partidos na Câmara.

Esplanada e liderança

Entre os ministros de seu primeiro procuração, Dilma contou com Aguinaldo Ribeiro nas cidades, entre 2012 e 2014, e Wagner Rossi, na Cultura, que já chefiava a pasta ao termo do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e permaneceu na função até agosto de 2011. A trajetória de ambos se conecta com as de Rossi e Lira.

Wagner é pai de Baleia. Ele foi deputado federalista na dez de 1990 e ocupou um ministério pela única vez durante as gestões petistas. A presença de Wagner na Esplanada foi um dos fatores que posicionou Baleia ao lado do PT nas campanhas presidenciais de 2010 e 2014, quando Dilma teve uma vez que vice Michel Temer, correligionário de Baleia.

O candidato à presidência da Câmara chegou a ser uma das peças-chave para prometer o esteio do logo PMDB à placa de Dilma em 2014. Na ocasião, a petista já vinha de uma gestão contestada e segmento dos peemedebistas preferia que a {sigla} endossasse a candidatura de Aécio Neves. Já presidente do PMDB paulista, função que exerce até hoje, Baleia garantiu o esteio do diretório à petista, o que puxou a adesão de outras bancadas estaduais.

A relação de Arthur Lira com o ministério de Dilma Rousseff é mais indireta, mas colabora para compreender o poder do deputado do PP no Congresso.

Quando Aguinaldo Ribeiro foi convidado para ser ministro das Cidades, em fevereiro de 2012, ele era o líder do PP na Câmara. Ao se licenciar do missão, abriu espaço para que a liderança ficasse com Lira, logo deputado de primeiro procuração. Ele exerceu a função até agosto de 2013 e depois retomou o missão em 2017, no qual está até hoje.

Lira defendeu Cunha; Baleia foi citado uma vez que articulador do impeachment

Os dois adversários estiveram do mesmo lado, mas depois se distanciaram. Isso também vale para a relação que mantiveram com o questionável ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), que presidiu a lar entre 2015 e 2016 e comandou a sessão do impeachment de Dilma Rousseff.

Cunha se tornou presidente da Câmara em uma votação na qual superou, entre outros candidatos, Arlindo Chinaglia (PT-SP). O petista era o nome predilecto do Palácio do Planalto e sua rota ocorreu por conta de uma pronunciação que envolveu vários partidos – entre eles, o PP de Lira.

A “recompensa” ao PP pelo esteio foi a licença, ao partido, da presidência da Percentagem de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), a mais importante da lar. Que ficou justamente com Lira.

O deputado comandou o colegiado em 2015 e no missão tomou decisões que desagradaram o PT e o governo, uma vez que permitir a tramitação de um projeto que determinava a redução da maioridade penal e uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limitava o número de ministérios. À quadra, o governo Dilma tinha 38 pastas, um pouco bastante contrariado pelos partidos de oposição.

As acusações de prevaricação levaram Eduardo Cunha a suportar processo de impeachment e, na reta final de sua passagem pela Câmara, o ex-presidente teve pouco esteio dos colegas. Um deles veio de Lira, que votou contra a sua cassação. Já Rossi, mesmo sendo colega do partido de Cunha, deu seu voto pelo retraimento.

Antes da queda de Cunha, porém, a Câmara aprovou o impeachment de Dilma Rouseff. E neste processo, Lira e Rossi estiveram do mesmo lado, votando pelo retraimento da petista. Baleia chegou a ser citado uma vez que um dos principais articuladores pela deposição de Dilma, requisito que ele negou.

Espeque a Temer e pé firme no Meio

Lira e Rossi voltaram a ser governo durante a passagem de Michel Temer pela Presidência da República. O emedebista até chegou a ver seu nome especulado para ocupar um ministério, um pouco que acabou não se efetivando.

Ambos tiveram peso na decisão da Câmara de não autorizar a investigação de Temer pela Procuradoria-Universal da República, depois a delação premiada dos executivos da JBS, que prejudicou o logo dirigente do Executivo.

Os candidatos a presidente da Câmara também se manifestaram em resguardo da reforma da previdência proposta por Temer, projeto que ocupou grande segmento dos debates econômicos mas não foi a votação.

No início do governo Bolsonaro, PP e MDB formaram, junto com outros partidos, um conjunto parlamentar na Câmara. O ajuntamento foi interpretado uma vez que uma materialização do chamado Centrão, nome oferecido ao conjunto de deputados que não tem vinculação ideológica mas apoia os governos de ocasião em troca de benefícios. O MDB só deixou o conjunto em julho do ano pretérito.

Embora o título Centrão não seja muito bem-visto pelos parlamentares, o posicionamento uma vez que políticos de núcleo é um pouco cada vez mais enfatizado por Lira e Rossi.

No lançamento de sua candidatura, Lira disse considerar o núcleo “a força moderadora que evita os extremos” e reforçou que “os partidos de núcleo sempre estiveram à disposição do Brasil”. Já Rossi, em postagem recente nas redes sociais, disse ser um político de núcleo, ao contrário do pai, que “sempre enxergou a política pela esquerda”.

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