Crise na CBF e rombo nas finanças motivam clubes por liga independente – 16/06/2021 – Esporte

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Afetados financeiramente pela pandemia de Covid-19, os clubes tentam se aproveitar da pugna pelo poder na CBF (Confederação Brasileira de Futebol) para conseguir maior representatividade nas decisões sobre o futebol do país e também para prometer novas fontes de receita.

É diante desse contexto que está a sede de edificar uma liga independente com os times das séries A e B para organizar o Campeonato Brasiliano.

Segundo os dirigentes, a principal competição do país é um resultado dos clubes, mas governado exclusivamente pela entidade que está mais preocupada com seus interesses, uma vez que a seleção vernáculo.

Uma inspiração para as agremiações brasileiras seria a Premier League, versão moderna do Campeonato Inglês. Criada em 1992, a liga representou a ruptura dos clubes com a Football League, entidade que reunia os 92 times profissionais da Inglaterra. A união das equipes inglesas, responsáveis pela organização da disputa, resultou na competição vernáculo mais rica e invejada do planeta.

Não bastasse uma crise financeira estrutural, as consequências da pandemia deixaram a situação dos times do Brasil ainda mais dramática. Levantamento do Itaú/BBA, com base nos balanços contábeis das 25 principais equipes do país, de tratado no ranking da CBF, aponta que o endividamento totalidade atingiu R$ 9,6 bilhões em 2020, um acréscimo de 20% diante de 2018.

“Não tem sigilo: menos receita, mais gastos e investimentos, o resultado é o aumento de dívidas”, comenta César Grafietti, economista e responsável da estudo econômica e financeira do banco.

Na temporada de 2019, a última antes da pandemia, esse montante já havia sido de R$ 8 bilhões diante de R$ 6,5 bilhões de 2018. “A pandemia exclusivamente apertou um cenário que já era complicado”, completa Grafietti.

Os clubes faturaram 22% a menos no ano pretérito em conferência a 2019. Houve encolhimento em quase todas as fontes de recursos. A queda nos ganhos com direitos de televisionamento, a principal receita das equipes, foi de 28%.

Diante da impossibilidade de público nos estádios, os times embolsaram R$ 449 milhões em 2020, provenientes da soma da bilheteria –público até março– com ganhos dos programas de sócio-torcedores. Em 2019, faturaram R$ 878 milhões.

Com o recrudescimento da pandemia e o ritmo lento da vacinação no país, não há projeções animadoras para volver o cenário no pequeno prazo. Em seguida legar à CBF a intenção de produzir a liga nesta terça-feira (15), os dirigentes da Série A do Brasiliano estão focados em formatar uma competição interessante e com estratégias comerciais.

“O objetivo principal dessa liga é prometer novas receitas para que os clubes aumentem os seus recursos e tenham uma vida financeira mais saudável, com a possibilidade de organizar um calendário favorável aos interesses das instituições”, diz Alessandro Barcellos, presidente do Internacional.

Na missiva de intenção da liga, os clubes assumem a responsabilidade para “organizar e desenvolver economicamente o Campeonato Brasiliano”.

O texto é assinado por 19 dirigentes da Série A, o único clube que não assinou o documento foi o Sport. O seu presidente, Milton Bivar, renunciou ao incumbência, e uma novidade eleição será convocada na clube.

“O nosso objetivo é dar um salto de melhoria no campeonato e implantar soluções para sanar esta alavancagem de dívidas”, diz Guilherme Bellintani, presidente do Bahia. “O futebol brasílico vem avançado, mas numa velocidade menor do que precisa. O Brasil é o único país entre os principais do meio do futebol que não tem uma liga.”

Além do interesse de reger a competição, os cartolas também querem autonomia para montagem do calendário. Na visão dos dirigentes, a CBF pouco faz pelos clubes no atual momento de penúria.

Desfalcado no Brasiliano com seis jogadores convocados para a Despensa América, o Flamengo apelou ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) para pedir a paralisação do Pátrio até a desenlace do torneio de seleções. Rodrigo Dunshee, vice-presidente-geral do Flamengo, diz que fez o pedido à CBF, mas não obteve sucesso.

“Não pode o Flamengo, que investiu muito quantia e está sofrendo na pandemia, entrar nas competições sem seus melhores jogadores. São nove rodadas sem seus melhores atletas”, diz Dunshee.

O Flamengo cedeu Gabriel e Everton Ribeiro para seleção de Tite, Arrascaeta ao Uruguai, Isla ao Chile e Piris da Motta ao Paraguai.

O caminho para todas essas mudanças, no entanto, não é tão simples. A CBF precisaria mudar o seu regimento, que hoje prevê a geração de uma novidade liga desde que aprovada em parlamento universal administrativa na qual participam somente as 27 federações filiadas, mas não os clubes, segmento interessada na organização do Campeonato Brasiliano.

A CBF diz, em nota, que irá averiguar os pedidos.

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