Covid-19: os erros que levaram centenas de cidades a suspender vacinação por falta de 2ª ração | Vacina

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“Temos doses suficientes para o segundo semestre”, afirmou Queiroga em uma coletiva da Organização Mundial da Saúde na sexta-feira (30), acrescentando que o governo receberá até o término do ano mais de 500 milhões de doses.

Queiroga se compromete a vacinar toda a população contra Covid até o término do ano

O Brasil tem capacidade de vacinar 2,4 milhões de pessoas por dia, almejou o ministro.

Para atingir esses objetivos, será preciso resolver primeiro um problema muito mais repentino: a falta de doses da CoronaVac, vacina fabricada pelo Butantan e que hoje é aplicada em três de cada quatro pessoas que são vacinadas no país.

Falta de vacinas para a 2ª dose ainda é uma realidade para, pelo menos, 18 estados

Falta de vacinas para a 2ª ração ainda é uma veras para, pelo menos, 18 estados

Isso tem feito centenas de cidades do país paralisarem a vacinação por completo e deixado muita gente apreensiva e com pânico por não saber o que acontece se elas não tomarem a segunda ração na data certa.

E a razão, dizem especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, é uma combinação de erros do governo federalista e das prefeituras e de contratempos na produção dos imunizantes.

“As cidades usaram a vacina da segunda ração para a primeira, e não está tendo reposição porque o Butantan está com problemas no fornecimento de matéria-prima”, diz a epidemiologista Carla Domingues, que esteve avante do Programa Pátrio de Imunização entre 2011 e 2019.

Municípios do Piauí estão sem estoque para 2ª ração de vacina — Foto: TV Clube

A paralisação da vacinação por falta de doses não é uma novidade — já aconteceu antes, em muitos lugares, e continua a suceder.

Mas, antes, era em universal interrompida a chamada de novos grupos, mas a emprego da segunda ração continuava garantida. Agora começou a faltar vacina também para quem já estava no meio do caminho para ser imunizado.

Nesta semana, 30,8% das cidades do país tiveram esse problema, diz a Confederação de Municípios. Foram consultados 2.824 municípios — mais que a metade do totalidade — , entre 26 e 29 de abril.

A pesquisa mostrou que o problema estava mais grave na região Sul, onde 47% das prefeituras disseram ter parado de vacinar a segunda ração.

Isso aconteceu em secção porque o governo federalista mudou há pouco mais de um mês as recomendações para a vacinação.

Em 20 de março, o Ministério da Saúde anunciou, na nona entrega semanal de vacinas, que as prefeituras não precisavam vigilar metade do que recebessem para a segunda ração da CoronaVac, porquê era recomendado.

A regra já valia para a vacina da AstraZeneca, que tem um prazo entre as doses maior, de três meses, em vez de 28 dias porquê a vacina do Butantan.

“Essa estratégia vai possibilitar a aceleração da vacinação dos grupos prioritários no Brasil e redução dos casos graves de Covid-19”, disse o ministério na era.

De veste, isso contribuiu para que houvesse um aumento sensível nas doses aplicadas diariamente no país a partir de logo.

O problema é que a novidade regra valia somente para aquele lote, de 5 milhões de doses, e isso não ficou muito simples na hora.

O governo só explicou melhor no pregão da remessa seguinte: “A estratégia é revisada semanalmente em reuniões tripartites (governos federalista, estaduais e municipais), observando as confirmações das entregas por secção do Butantan, de forma a prometer a disponibilidade da segunda ração no pausa sumo recomendado”.

Prefeituras de 14 estados interrompem emprego da 2ª ração por falta de vacina — Foto: JN

A situação ficou ainda mais confusa porque, justamente quando a pasta explicou que a regra podia variar, a regra (para usar todas as doses daquele lote imediatamente) foi mantida.

As instruções só mudaram de veste na outra leva de doses distribuídas — e vem variando desde logo. Semana a semana, o Ministério da Saúde adota uma estratégia dissemelhante, de emprego imediata e suplente de doses, para adequar as remessas às necessidades daquele momento.

Mas teve muita prefeitura que não entendeu isso (ou decidiu fazer do seu próprio jeito, já que elas têm autonomia para isso) e passou a usar integralmente todas as CoronaVacs disponíveis em todos os lotes.

‘Estamos reforçando urgência de reservar doses’

A maioria (49,3%) das quase 3 milénio cidades ouvidas pelo CNM há duas semanas disse que não estava guardando doses.

Mesmo antes da mudança da regra pelo ministério, já tinha muita cidade fazendo isso. “Faltou planejamento e organização”, diz Carla Domingues.

Não reservar doses é aventuroso nesse momento. O governo federalista, quando anunciou a novidade estratégia, disse que estava fazendo isso porque teria dali para a frente o fornecimento de vacinas ia estabilizar. Mas os problemas continuam.

Atrasos na chegada de material prima e problemas na risco de produção levaram a Instalação Oswaldo Cruz (Fiocruz) a diferir a entrega de doses da vacina de Oxford e a reduzir o volume previsto inicialmente para abril.

A falta de insumos também levou à paralisação da fabricação e atrasos na entrega da CoronaVac, que responde neste momento pela maioria das doses aplicadas no país.

Isso tem feito com que o tamanho dos lotes distribuídos pelo Ministério varie bastante.

No final de março o totalidade distribuído por semana ficou em torno de 4 a 5 milhões. No início de abril, bateu um recorde: 9,1 milhões.

Caiu bastante já na semana seguinte, para 4,4 milhões. Na outra, voltou a subir (6,3 milhões). Depois, caiu de novo, para 3,5 milhões.

“As cidades tinham recebido uma orientação do governo federalista de que não tinha urgência de fazer suplente de doses. Acabou se vacinando muito, e agora começou a faltar porque a demanda foi grande e teve atrasos de produção”, diz Denilson Magalhães, consultor da dimensão técnica de saúde do CNM.

A confederação diz que está conversando com as prefeituras para que elas se atentem e respeitem as recomendações que o ministério divulga toda semana com cada lote.

“Também estamos reforçando com as cidades a urgência de vigilar doses para prometer a vacinação de toda a população”, diz Magalhães.

Cidades do RS relatam falta de doses da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan — Foto: Cristine Rochol/PMPA/Divulgação

Na segunda-feira, o ministro Queiroga reconheceu durante uma audiência pública no Senado que há “dificuldade” com a entrega da segunda ração da CoronaVac e citou atrasos no fornecimento pelo Butantan.

Dimas Covas, diretor do Butantan, retrucou afirmando em entrevista à rádio CBN que o demora foi pequeno, afetando tapume de 3 milhões de doses.

Ele também disse que o calendário tinha sido estabelecido com antecedência com o ministério e que tinha avisado sobre a possibilidade de possuir “qualquer interveniência”.

Covas apontou logo que a razão do problema está na mudança de estratégia do governo federalista.

“Alguns Estados fizeram a suplente para a segunda ração, porquê é o caso de São Paulo, portanto cá não tem faltado a segunda ração no prazo determinado. Agora, outros não fizeram essa suplente, inclusive por conta da orientação do próprio ministério”, afirmou o diretor do Butantan.

“O maior equívoco de todos foi a orientação dada pelo governo federalista”, diz Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Kfouri diz que, com os problemas que vinham acontecendo, era melhor ter sido mais conservador e trabalhado com mais folga entre as remessas.

“Já dava pra prever que isso ia suceder com aquela conta do lápis feita pelo ministério, confiando na capacidade de gerenciamento de doses por Estados e municípios, que não é tão fina assim”, diz ele.

Mas o cronograma prometido não se cumpriu. E a isso se somou um erro de informação do ministério, que fez muito prefeito encontrar que podia usar todas as vacinas que chegassem do término de março em diante.

“A informação e a estratégia não foram muito definidas, e o resultado está aí. As cidades deviam ter guardado vacina para a segunda ração, e muitas não fizeram isso. Mas a orientação pátrio foi essa, e isso deixou muita gente na mão”, diz Kfouri.

O CNM fez uma reunião com o Ministério da Saúde na última terça-feira (28/4) para resolver a questão.

Ficou combinado que o governo federalista vai enviar diariamente vacinas para os municípios que enfrentam problemas, de forma emergencial, até a situação regularizar.

Por sua vez, o Butantan antecipou a entrega ao governo federalista de 420 milénio doses da CoronaVac.

O Ministério da Saúde também anunciou a distribuição imediata de 104,8 milénio doses da CoronaVac aos Estados.

Denilson Magalhães diz, no entanto, que esse, porquê esse lote emergencial do ministério é talhado inteiramente para a emprego da primeira ração, não vai ajudar a resolver a falta de segunda ração.

“Se o Ministério da Saúde não mandar já na segunda-feira mais doses para as cidades, esse problema vai se exacerbar ainda mais na próxima semana”, avalia o consultor do CNM.

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