Covid-19: desenvolvimento de vacina brasileira é afetado pela falta de insumos

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O desenvolvimento de uma vacina brasileira para a Covid-19 ainda enfrenta a falta de insumos para dar ininterrupção às pesquisas. Com a escassez de matéria-prima, a expectativa é que o medicamento pátrio fique disponível para emprego unicamente no início do próximo ano.

O imunizante vem sendo desenvolvido pela Universidade Federalista de Minas Gerais (UFMG). A instituição assinou em 4 de fevereiro uma parceria com o Governo de Minas Gerais e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para a produção de vacinas.

Apesar do harmonia, praticamente não houve progressão em relação à obtenção das matérias-primas. A UFMG não pode recontar com os insumos produzidos nos institutos Bio-Manguinhos e Butantan.

“No momento, nós não podemos parar essas fábricas, que são de grande graduação, para produzir em pequena graduação para um teste galeno”, explicou a microbiologista Ana Paula Fernandes, coordenadora do Núcleo de Tecnologia em Vacinas da UFMG.

Bio-Manguinhos e o Butantan estão, no momento, com as atenções voltadas à fabricação dos imunizantes Oxford-AstraZeneca e Coronavac, respectivamente.

Caso os insumos estejam disponíveis até o termo do primeiro semestre de 2021, os estudos clínicos da UFMG já poderiam se iniciar no segundo semestre.

“Eu acredito que até o início do ano que vem a gente já consiga entrar com o pedido de registro na Anvisa e tenha condições de ter mais uma vacina disponível para ser usada na população”, afirma Ana Paula.

A microbiologista Ana Paula Fernandes coordena o Núcleo de Tecnologia em Vacinas da UFMG Foto: Registro pessoal

 

De harmonia com Ana Paula, até o momento, o governo federalista investiu R$ 5 milhões no estágio inicial. Para seguir nos estudos de fases clínicas 1 e 2, a estimativa é de que mais R$ 30 milhões sejam investidos. Na tempo 3, momento em que as vacinas serão testadas em humanos, o dispêndio deve ser ainda maior.

“Somado a tudo isso, o valor é menor do que aquilo que se paga por tecnologia de vacina totalmente importada. Vai ser um dispêndio muito menor para o Brasil se tivermos condições de produzir nossas próprias vacinas, do início ao termo”, diz a pesquisadora.

Visão de horizonte

A microbiologista ressalta que o Brasil é o único país dos BRICS – grupo de países emergentes formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – que não investiu em desenvolvimento e infraestrutura de uma vacina própria.

“O país poderia estar ganhando moeda, ao invés de estar pagando custoso (pelos imunizantes)”, afirma a pesquisadora.

Uma pessoa recebe uma dose da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 em um centro de vacinação Foto: JOHANNA GERON / REUTERS
Uma pessoa recebe uma ração da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 em um meio de vacinação Foto: JOHANNA GERON / REUTERS

“É preciso ter visão de horizonte. O Brasil tem cultura tecnológica. No entanto, muitas patentes brasileiras em vacinas não evoluem, porque continuamos importando e apagando incêndio. Neste momento de pandemia, com custos elevadíssimos para o controle, é que essa veras emerge porquê um gargalo”, acrescenta.

Antecipação

Antes mesmo da Covid-19 chegar ao Brasil, a equipe de pesquisadores da UFMG já havia concentrado esforços para encarar o novo vírus. A instituição de ensino é detentora de várias plataformas para o desenvolvimento de vacinas, porquê a que é usada por Oxford.

“Quando se iniciou a pandemia, muito precocemente, o Ministério de Ciência,  Tecnologia e Inovações vislumbrou que isso seria um problema para o Brasil e agregou um grande grupo de pesquisadores em torno da Covid”, relembra.

Idosos com 88 anos ou mais são vacinados em drive thru no Campus Gragoatá da UFF, em Niterói Foto: Fabiano Rocha
Idosos com 88 anos ou mais são vacinados em drive thru no Campus Gragoatá da UFF, em Niterói Foto: Fabiano Rocha

Com um time de 34 pessoas, a Universidade Federalista de Minas Gerais é a primeira instituição brasileira responsável por desenvolver uma vacina contra a Covid-19 com tecnologia completamente pátrio.

“Mesmo antes de termos recursos, focamos em buscar todos os insumos e nos preparar para isso com o que tínhamos de outros projetos. Quando foi anunciado que, de roupa, o que estava acontecendo era uma pandemia e que ela chegaria até cá, começamos a nos preparar”, relata.

Entre coordenadores, pesquisadores, doutorandos, mestrandos e alunos de iniciação científica, o Núcleo de Tecnologia em Vacinas da UFMG se prepara para o início dos testes clínicos nos próximos meses.

Localizado dentro do parque tecnológico BH-Tec, na capital mineira, o grupo faz secção do Instituto Pátrio de Ciência e Tecnologia de Vacinas, bem pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

O meio de pesquisas em biotecnologia, que também é parceiro da Instalação Oswaldo Cruz (Fiocruz-Minas), trabalha no desenvolvimento e produção de vacinas no país desde 2004.

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