Comemos e não morremos. Será mesmo? Precisamos olhar pro início – 02/05/2021

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A alimento mudou muito nos últimos anos. Mas esses últimos anos são quais anos? Muitos. Amy Bentley, uma pesquisadora norte-americana, faz uma traço do tempo muito legítimo no livro Inventing Baby Food, de 2014 e sem tradução para o português, ela transcreve uma traço do tempo da geração de produtos alimentícios para bebês e o revérbero desses produtos na alimento atual. E é um pouco desse histórico que eu trago para o nosso bate papo.

No ano de 1910, temos os primeiros dados de que uma indústria, famosa até hoje, desenvolveu os primeiros produtos alimentícios para bebês e crianças, com a justificativa de que eram muito mais seguros do que vitualhas preparados em moradia e mais fortes que o leite materno. Isso mesmo, comecinho do séc XX. A indústria alimentícia criou e investiu em mais propagandas e entregas de amostras a partir de 1920.

Esse tempo diz muito sobre os reflexos alimentares de hoje. O marketing é uma ciência que deu muito notório. Mudar o início fez com que diversos produtos alimentícios se tornassem referência de – seguro, limpo, melhor. E se é melhor para bebês, não seria também melhor para os adultos?

Consumir é um ato aprendido, não nascemos sabendo, aprendemos. Principalmente mamando leite materno. Há um tempo para se aprender a mamar, um tempo para estar pronto para manducar vitualhas que não são o leite. Esse tempo chega por volta de 6 meses, é o bebê quem dá sinais, já senta com um pouco de firmeza, mostra interesse nos vitualhas. Esse tempo não é mais respeitado, isso se perdeu quando lá em 1920 a indústria investiu em volume para provar que o leite materno era pouco para bebês.

Lá em 1920, a indústria passou a visitar profissionais de saúde e o objetivo era mostrar que para crescerem, mais fortes e saudáveis, manducar a papa pronta era forçoso. E ali se dava início ao mito do leite fraco e de comida industrializada uma vez que segura e forçoso.

O que isso tem a ver com a alimento e saúde atuais? Tudo! Ao mudar o início, ingerir comida industrializada passou a ser referência e na dez de 50 bebês comiam comidas prontas com menos de dois meses completos, com quatro a cinco semanas de vida exclusivamente. Não por coincidência, nesse mesmo tempo os vitualhas passaram a ser processados e embalados em larga graduação. E, até hoje, temos as consequências, o pânico de comida de verdade. Um exemplo? O pânico de que ovo aumente o colesterol e nenhum pânico do iguaria pronto.

Não é culpa sua, pode parecer que é uma escolha simples, mas não é.

Basta lembrar que hoje a lazeira voltou à mesa dos brasileiros. Instabilidade cevar é sobre não ter o que manducar, mas também sobre a qualidade do que se come. O que os brasileiros podem manducar hoje? O macarrão momentâneo custa menos de um real. O quilo da maçã chegava há 12 reais semanas detrás?

Hoje, um pacote de bolacha recheada custa muito menos que outros vitualhas. Pode não fazer diferença para você, diretamente. Porém nos últimos anos os vitualhas ultraprocessados ficaram, sim, mais baratos que arroz, feijoeiro e frutas. E um pacote de bolacha mata a lazeira de algumas crianças de uma família, enquanto o quilo de frutas e verduras está muito maior e não fazem o mesmo papel. Por isso, não é uma simples escolha.

A informação é a arma da indústria! O iguaria ultraprocessado é feito para ser gostoso e você querer manducar muito mais. Consumir um pacote de batata ondulada não vai te matar hoje. E não vai, mesmo. E tudo muito perfurar o pacote de vez em quando, por escolha e aproveitar ele. Mas numa perspectiva de segurança cevar, inclusive no contexto do coronavírus, a má alimento é, sim, um fator de risco. Logo, sinto informar, morremos por manducar mal todos os dias.

Porquê mudar? Por onde começamos? Mudando o início.

Precisamos fabricar pessoas que não saibam manducar exclusivamente embalados, mas isso não depende exclusivamente dos pais. Precisamos, e com urgência, de um pacto de saúde coletiva, que envolve conflito de interesses, impostos em vitualhas industrializados, rótulos claros e verdadeiros, desvelo com publicidade, escolas que promovam instrução cevar e nutricional e comida de qualidade. E saber qual é nossa responsabilidade nesse momento é um bom primeiro passo.

É preciso que mulheres tenham base e suporte para amamentar, não temos.

É preciso que as famílias tenham chegada a vitualhas e segurança cevar, não temos.

É preciso voltar ao início e debutar pequeno: apoie uma mulher a amamentar e não tenha pânico de manducar arroz, feijoeiro, frutas e verduras.

Resolve o problema? Não. Mas o resto a gente resolve juntos e com muita luta. Vamos?

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