Com as novas regras de heterogeneidade, estes filmes podiam não ter vencido os Óscares

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Ao longo da última dez, houve uma clara maior consciencialização dos problemas do racismo, da discriminação sexual ou do preconceito contra minorias na indústria americana do entretenimento. Com o emergência de cada vez mais críticas, seja nas redes sociais ou nas ruas, várias organizações estabelecidas mudaram as regras ou esforçaram-se para serem mais diversas.

Depois de vários anos a serem categorizados porquê #OscarsSoWhite, os Óscares foram uma das tais instituições que anunciaram alterações. Em setembro do ano pretérito, a Ateneu de Hollywood anunciou regras de heterogeneidade que vão entrar em vigor em 2024, quando sobrevir a 96.ª protocolo. Ainda assim, até lá, os filmes candidatos vão ter de preencher formulários para se saber à partida se estariam ou não em cumprimento.

Antes de mais, as regras só se aplicam ao prémio de Melhor Filme — que é o mais importante dos Óscares (ainda que na gala deste ano não tenha sido o último a ser atribuído). Aliás, há um conjunto alargado de critérios de heterogeneidade, divididos por quatro secções — e os filmes para serem elegíveis ao prémio só têm de satisfazer critérios de duas das secções.

Ou seja, filmes que só incluam atores caucasianos e que tenham uma narrativa que não esteja de todo relacionada com qualquer minoria étnica, com a comunidade LGBTQ+, com pessoas com deficiências cognitivas e motoras, ou com temas femininos, vão poder continuar a vencer o Óscar de Melhor Filme. Desde que cumpram outros critérios — e haja uma heterogeneidade nas equipas de produção, nos bastidores.

Para compreender melhor todos os detalhes, o mais simples é ir até ao site solene dos Óscares consultar o regulamento. A primeira troço tem a ver com a tal heterogeneidade dos atores. Para se relatar com esta troço, é necessário satisfazer exclusivamente um dos seguintes critérios: pelo menos um dos atores principais ou dos atores secundários importantes deve ser de uma minoria étnica; pelo menos 30 por cento de todos os papéis secundários ou menores devem ser de dois grupos desfavorecidos, seja uma minoria étnica, uma minoria sexual, um ator com alguma deficiência ou uma mulher; o tema principal do filme deve estar relacionado com questões raciais, com a desigualdade da mulher, com a comunidade LGBTQ+ ou com pessoas com deficiências. Basta satisfazer um destes três critérios para um filme prometer que cumpre esta primeira troço.

A segunda troço tem a ver com a equipa de projeto e de liderança criativa, com os cargos de topo. Para se completar esta troço, é necessário satisfazer um destes três critérios: pelo menos duas das principais posições na equipa (diretor de casting, diretor de retrato, compositor, responsável pelo guarda-roupa, realizador, editor, responsável pelos cabelos, responsável pela maquilhagem, produtor, diretor de arte, designer de produção, responsável pelo som, supervisor de efeitos especiais, argumentista) devem ser de um dos tais quatro grupos desfavorecidos já mencionados. Aliás, pelo menos uma destas duas posições deve ser de uma minoria étnica.

O segundo critério verosímil de satisfazer dentro desta segunda troço tem a ver com outros cargos técnicos relevantes dentro da equipa — a lógica é a mesma. Pelo menos seis profissionais (excluindo os assistentes de produção) devem pertencer a uma minoria étnica. O terceiro critério verosímil define que pelo menos 30 por cento de toda a equipa faz secção de um dos quatro grupos: mulheres, profissionais com alguma deficiência, minoria étnica ou sexual.

A terceira troço tem a ver com chegada à indústria e à cessão de oportunidades. Para se completar esta troço, é necessário satisfazer dois critérios. A empresa que financia a produção tem de remunerar estágios a mulheres, minorias étnicas e sexuais, ou pessoas com deficiências. Os grandes estúdios são obrigados a incluir estágios com pessoas destes perfis na maioria dos departamentos do filme. Os estúdios mais pequenos têm de ter pelo menos dois estagiários pertencentes a estes grupos num dos seguintes departamentos: produção/desenvolvimento, produção física, pós-produção, música, efeitos especiais, aquisições, gestão, distribuição, ou marketing e relações públicas. Aliás, para um filme poder satisfazer os critérios da terceira troço, tem de promover formações ou dar oportunidades de tarefa a pessoas que pertençam a um dos quatro grupos.

A quarta e última troço das novas regras dos Óscares para a eleição do Melhor Filme está relacionada exclusivamente com a promoção e distribuição de um filme. Para uma produção cinematográfica satisfazer esta quarta troço, o estúdio ou produtora terá de incluir vários profissionais séniores dos quatro grupos (com obrigação de ter pessoas de minorias étnicas) nas equipas de marketing, publicidade e/ou distribuição.

Ou seja, se um filme quiser ter a hipótese de ocupar a estatueta dourada de Melhor Filme, vai ter de ser diverso — seja com maior representatividade no ecrã ou na equipa de produção.  Todavia, se filmes que estejam nomeados para Melhor Documentário, Melhor Filme de Animação ou Melhor Filme Internacional forem bons o suficiente para estarem nomeados para Melhor Filme, estas regras podem não se utilizar nesse caso. Posto isto tudo, é originário que surjam algumas controvérsias em relação à etnia de alguns profissionais.

Por exemplo, no início do ano pretérito, na profundeza da protocolo de 2020 — do qual grande vencedor foi o filme sul-coreano “Parasitas”Antonio Banderas estava nomeado para Melhor Ator pelo papel que fez em “Dor e Glória”, de Pedro Almodóvar.

O ator espanhol foi categorizado por vários meios de informação americanos porquê sendo uma “pessoa de cor” — ou seja, de uma minoria étnica. Isso originou um debate aceso nas redes sociais e na informação social internacional — vários meios espanhóis, porquê relata a “NPR”, apontaram o dedo à América, acusando o país de ter uma preocupação com a raça.

Questionado sobre o tema, Banderas respondeu: “Eu não sei o que sou. Quando vou aos EUA, considero-me latino, porque são as pessoas com as quais mais me identifico.” Contou ainda quando, num documento solene, teve de preencher a sua etnia e escolheu “branco”. Foi-lhe dito que estava falso, porque ele era hispânico.

“Eu disse que hispânico não é propriamente uma raça”, mas o ator acabou por concordar em colocar a cruz nessa categoria. “Eu estou feliz por ser hispânico, espanhol, latino, e se eu sou uma pessoa de cor, logo sou uma pessoa de cor”, comentou, bem-humorado. Casos porquê o de Antonio Banderas poderão tornar-se mais comuns quando todos os atores tiverem de ser categorizados de conciliação com a sua etnia num formulário dos Óscares.

Os Óscares definem estas porquê as minorias étnicas que são consideradas: Asiático, Hispânico/Latino, Preto/Afro-americano, Indígena/Nativo-americano/Nativo do Alaska, originário do Médio Oriente/Setentrião de África, Nativo do Havai ou de outra ilhota do Pacífico, sendo que inclui também a opção “Outra raça ou etnia com pouca representação”.

Tendo em conta as novas regras, muitos dos filmes vencedores ou nomeados ao Óscar de Melhor Filme — que se tornaram icónicos ao longo dos anos — provavelmente não poderiam concorrer ao prémio nestes moldes. Se é difícil estimar se cumprem os critérios de heterogeneidade nas equipas de produção, é simples perceber que muitos deles não cumprem as regras no ecrã, nas escolhas do elenco. Mas isso não quer expressar que, no universal, estejam em incumprimento.

Os filmes que listamos aquém (muitos dos quais vencedores de Melhor Filme) provavelmente não cumpririam a primeira troço das regras de heterogeneidade dos Óscares, correspondentes à representação dos atores.

“O Irlandês”

“Joker”

“Ford v Ferrari”

“1917”

“Era Uma Vez em… Hollywood”

“Dunkirk”

“Hell or High Water”

“Spotlight”

“A Queda de Wall Street”

“Sniper Americano”

“O Jogo da Imitação”

“Whiplash”

“Argo”

“O Exposição do Rei”

“The Departed”

“O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”

“Uma Mente Luzente”

“Venustidade Americana”

“Shakespeare in Love”

“Titanic”

“Braveheart”

“A Lista de Schindler”

“Rain Man”

“Amadeus”

“Kramer vs Kramer”

“O Paraninfo” (e “O Paraninfo II”)

“Patton”

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