Celebridades usam filantropia para lustrar imagem – 18/07/2021 – Cotidiano

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Celebridades ausentes dos noticiários por falta de filmes, shows e jogos encontraram outra forma de se manter nas manchetes com doações milionárias e aparições em eventos para segmentos afetados pela pandemia. Mas se engana quem pensa que famosos são sempre assim generosos.

A vasta maioria das celebridades que criam fundações de filantropia não usa o próprio moeda, explica Marc Pollick, que há 25 anos lidera a Giving Back Fund, uma organização pioneira que ajuda artistas e atletas a reger suas ações filantrópicas. Um de seus primeiros clientes foi Britney Spears e hoje trabalha com mais de 100 nomes mundo afora, incluindo Pelé, a liga NFL, o jogador de basquete Yao Ming e a protótipo Face Delevingne.

“Os famosos em universal não doam. São os fãs que dão moeda e nem ficam sabendo que a notoriedade de roupa não doou zero”, disse Pollick à Folha, esclarecendo que ele só trabalha com gente que faça contribuições significativas do próprio bolso. “É verdade que elas conseguem recepcionar bastante moeda do público usando seus nomes e seu tempo e doá-lo a boas causas. Mas não é seu moeda e não julgo isso muito real.”

Pollick disse que a Giving Back Fund, com sede em Los Angeles, triplicou de tamanho durante a pandemia. Porém, em duas décadas de trabalho, sente que fracassou em mudar o jeito uma vez que celebridades participam do jogo filantrópico. Ele chegou a produzir uma lista anual dos 30 famosos mais generosos, mas só durou cinco anos.

“Paramos de fazer porque os números 25 a 30 eram constrangedores, com doações muito baixas”, disse, lembrando de outra ação fracassada, um calendário com os 12 artistas mais filantrópicos, em meados dos anos 2000. “Na segunda edição, não conseguimos descobrir 12 pessoas que haviam doado pelo menos US$ 1 milhão.”

A pandemia desencadeou um renascimento filantrópico, e Pollick espera que a tendência continue. Os norte-americanos doaram a quantia recorde de US$ 471 bilhões em 2020, de consonância com um relatório da Giving USA Foundation, lançado com a Lilly Family School of Philanthropy, da Indiana University.

Madonna, criticada no início de 2020 por ignorar regras de distanciamento social, rapidamente se redimiu doando US$ 1 milhão para um grupo liderado por Bill Gates para desenvolver vacinas. Já Oprah Winfrey, líder das listas de celebridades mais generosas, distribuiu US$ 10 milhões entre diversas organizações, enquanto Rihanna, adiante da sua Clara Lionel Foundation, doou US$ 5 milhões para projetos nos EUA, Haiti e Malawi.

Entre modelos de filantropia, também está Angelina Jolie, que mudou sua imagem de atriz rebelde quando passou a se destinar aos refugiados, Elton John, considerado exemplo ao abraçar a luta contra Aids, e Leonardo DeCaprio, atuante na resguardo do meio envolvente.

Para o professor de relações públicas Leslie Lenkowsky, da Lilly Family School of Philanthropy, os famosos ficaram mais sofisticados em suas ações beneficentes nos últimos 15 anos. “Eles pensam mais estrategicamente, empregam consultores, ao contrário do pretérito, quando doavam unicamente para melhor sua imagem pública”, disse Lenkowsky. “Se é um tanto sincero, não dá para saber. Mas eles querem ver seus dólares gerando resultados concretos.”

E, evidente, há as vantagens fiscais. “Doar moeda é uma espécie de paraíso fiscal. Você não tem o moeda de volta, mas reduz o valor que paga em impostos. Isso também influencia”, disse.

Para Lars Perner, professor de marketing da University of Southern California, a sensação de que celebridades estão mais generosas é falsa. “É que as mídias sociais trazem mais oportunidades de publicidade em cima das doações”, acredita Perner.

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