“Cassinos e bingos geram grandes oportunidades de valor associado, muito além das apostas”

0
7

Luiz Carlos Prestes Fruto: Cassinos, entretenimento, lazer e música. Essa relação é histórica no Brasil?

Frederico Lemos:
Sem incerteza alguma. A era dourada dos cassinos no Brasil está intimamente ligada ao lazer e ao entretenimento. O desenvolvimento econômico das cidades que abrigavam cassinos no Brasil tinha porquê força motriz o investimento e os negócios que gravitavam ao seu volta. Durante o pequeno período de legitimidade, entre as décadas de 1930 e 1940, os cassinos se proliferaram pelo Brasil gerando tarefa e renda, fomentando o turismo pátrio e atraindo turistas estrangeiros. 

Uma vez que a maioria estava instalada em hotéis de luxo, era geral o trânsito de personalidades, políticos, artistas e celebridades internacionais. Oriente é um período marcado por grandes espetáculos e atrações musicais, dentre as quais a rememorável Carmen Miranda que se apresentou por diversos cassinos pelo Brasil. Entretenimento, lazer e música fazem secção da calabouço produtiva dos cassinos e nascente de geração de tarefa, renda e arrecadação tributária. A história da presença dos cassinos no Brasil nos deixou esse legado de desenvolvimento sociocultural e econômico.

Seria importante, com a regulamentação de cassinos e bingos no Brasil, valorizar as atividades artísticas e dentro dos estabelecimentos?

Creio ser importante seguir modelos de regulamentação de mercados mais maduros em que a instalação de cassinos e bingos necessariamente comporta em contrapartidas para a cidade e a população lugar. Assim sendo, a geração de cassinos e bingos ocorre dentro de complexos turísticos e de entretenimento de modo que a atividade principal voltada aos jogos de apostas também envolva outras atividades e serviços geradoras de empregos e renda. É neste contexto de oportunidades que se destacam as atividades artísticas, das mais variadas, desde apresentações musicais, espetáculos de dança a exposições de artes gráficas e visuais. A regulamentação do setor deve necessariamente prever em seu contexto a geração de estruturas mais amplas visando o desenvolvimento do turismo lugar e de atividades ligadas aos setores de cultura e entretenimento, aumentando com isso os elos da calabouço produtiva dos jogos de apostas para envolver outras atividades que garantirão a sustentabilidade do setor e da economia lugar. 

Vejamos o exemplo do Casino Iguazu, localizado na cidade portenha de Puerto Iguazu, a poucos metros da fronteira com o Brasil, à caminho do multíplice turístico das cataratas do Iguaçu do lado prateado, concentrando grande fluxo de turistas da tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai) que trafegam pelo lugar. Não à toa, a Argentina concentra mais da metade das receitas de jogos de apostas da América Latina. Oriente é um exemplo a ser seguido e com enorme potencial de propagação visto que a flutuação cultural, artística e ambiental do Brasil são elementos que agregam grande valor para o desenvolvimento econômico.

O teor músico brasílico deveria ter prioridade nos cassinos e bingos?

Na minha visão, a resposta a esta pergunta está necessariamente atrelada à temática de entretenimento planejada por cada estabelecimento. Quero proferir com isso que cassinos e bingos geram grandes oportunidades de valor associado que vão muito além do jogo de apostas. Essas oportunidades vão desde o projeto de arquitetura e decoração, passando pelo licenciamento de direitos de teor de entretenimento nas máquinas de apostas, até a escolha da ambientação músico e das atrações ao vivo. Pensemos em um cenário hipotético de instalação de um multíplice hoteleiro com um cassino do lado brasílico da tríplice fronteira de Foz do Iguaçu. Imaginemos que o cassino vai explorar a temática lugar com ênfase na natureza, na flora e na fauna da região, ressaltando a relevância das questões relacionadas à sustentabilidade e da biodiversidade. É de se imaginar que a arquitetura, a decoração e as obras artísticas que circulam dentro deste estabelecimento estejam em consonância com e temática escolhida. 

Por isso creio que o teor artístico brasílico terá prioridade originário em cassinos e bingos, pela questão do maior valor associado que confere ao empreendimento. Todavia, é indispensável que as políticas de regulação e fiscalização assegurem a paridade do chegada a todos os interessados em associar o seu teor aos bingos e cassinos. É proferir que ao artista independente, aos coletivos comunitários e às associações de artistas devem ser garantidos os mesmos direitos de chegada que aos grandes grupos e conglomerados econômicos. No exemplo mencionado supra, difícil seria imaginar um cassino construído às margens das Cataratas do Iguaçu, à imagem e semelhança dos existentes em Las Vegas com temática dos filmes de Hollywood. Todavia, esse risco é real em um cenário sem chegada ao resultado pátrio.

 

 

Seria importante ter uma suplente de mercado para artistas brasileiros nestes estabelecimentos?

Essa é uma questão interessante para a qual não há uma resposta fácil. As questões relacionadas às políticas de suplente de mercado devem ser analisadas caso a caso de combinação com o setor e o contexto em que se enquadram. Podemos reportar as experiências brasileiras nos setores de informática e automotivo nas décadas de 1970 e 1980. As políticas de suplente de mercado estão fundamentadas na proteção e no desenvolvimento da indústria e do resultado pátrio e devem ser lançadas em setores de desenvolvimento incipiente ou de evidente desequilíbrio de forças no domínio econômico. 

A nossa experiência nestes dois setores industriais não foi das melhores e a reversão desta política no início da dezena de 1990, com a rombo dos mercados resultou em maior propagação, competitividade e qualidade dos produtos ofertados ao consumidor, porém com o comprometimento de uma política de propagação sustentável, transformando o Brasil em mero mercado consumidor de produtos importados. 

No que diz reverência ao setor artístico é inegável a qualidade e a corroboração da produção cultural brasileira no mercado interno. O Brasil é um dos poucos territórios em que a música pátrio é mais executada do que a música estrangeira. A relação do brasílico com a sua música é histórica, diversificada e rica. Logo, não há que se pensar em suplente de mercado para o artista brasílico. A produção artística no Brasil é profuso e o mercado maduro. 

Por último, gostaria de primar que ao Estado compete asseverar um envolvente de negócios saudável e competitivo, o que lhe permite intervir no domínio econômico para emendar eventuais abusos e distorções gerados pela concentração do poder econômico em pequenos grupos que possam inibir a competição e impedir o chegada do artista brasílico independente às novas oportunidades de negócio. Creio eu ser leste um dos maiores desafios para o artista brasílico em um eventual cenário de investimentos vultosos na instalação de cassinos e bingos em grandes complexos de entretenimento e turismo pelo país.

Em Las Vegas, Macau, Monte Carlo, Punta do Leste e em Estoril as atividades artísticas têm um papel importante. Uma vez que seria no Brasil. Eventos porquê o carnaval e festas juninas poderiam fazer secção do calendário/imaginário de cada estabelecimento?

Em qualquer setor da economia o resultado e o serviço de maior valor associado conferem maior retorno de investimento. Não é à toa que em sua esmagadora maioria os estabelecimentos de apostas de jogos estão localizados dentro de complexos hoteleiros e de entretenimento. A simples aposta em jogos tem determinado valor, mas a aposta em jogos em um envolvente aonde o cliente consome outros produtos e serviços tem um valor associado muito maior. Podemos reportar dezenas de outras festividades e de expressões culturais e folclóricas brasileiras que podem fazer companhia às atrações de festas juninas e de carnaval nesses estabelecimentos. O brasílico é um povo que produz e que consome a sua produção cultural. Mas não nos esqueçamos dos turistas estrangeiros, verdadeiros admiradores e ávidos consumidores da nossa produção cultural. O estrangeiro que vem ao Brasil quer saber a nossa cultura, a nossa gastronomia, as nossas belezas naturais. Por isso, acredito eu, um empreendimento montado à imagem e semelhança de cassinos de Las Vegas, Macau e outras localidades não atingiria todo o seu potencial.

As plataformas nacionais de jogos de cassinos e bingos eletrônicos poderiam dar potência para publicar a música brasileira? O teor pátrio teria mais espaço no mundo?

A meu ver as plataformas digitais são muito diferentes dos espaços físicos de cassinos e bingos. Os cassinos e bingos tradicionais são verdadeiros centros de entretenimento, que além das apostas oferecem outras gamas de produtos e serviços aos seus clientes. O seu público é formado não unicamente de jogadores, mas de pessoas que buscam novas opções de entretenimento. Já as plataformas virtuais são voltadas somente aos jogos de apostas e por isso mesmo tem porquê seu público objectivo jogadores focados nas apostas. Não vejo as plataformas de jogos eletrônicos porquê espaços de divulgação da música ou de qualquer outra forma de frase artística. Há, por outro lado, a possibilidade de investimentos de marketing e de publicidade de plataformas de jogos de apostas em canais digitais artísticos, nos moldes porquê algumas plataformas de apostas esportivas estão atualmente investindo em clubes de futebol no Brasil e pelo mundo. Embora não haja uma interdependência clara entre o teor artístico e os jogos de apostas, é inegável que o setor artístico possui grande apelo popular e por isso mesmo é um interessante ducto de divulgação de produtos e serviços para determinado público objectivo.

 

 

Será que as universidades brasileiras poderiam aproveitar os cursos de matemática e computação, design e música para realizar pesquisas sobre softwares para a indústria de jogos?

Lucidez nunca é demais. A perceptibilidade é um dos grandes ativos intangíveis ao lado de marcas, patentes, recta de responsável e processos inovadores. O capital intelectual é inexaurível e as empresas deveriam cada vez mais investir na capacitação do seu recurso humano e no desenvolvimento da perceptibilidade empresarial. A universidade é um parceiro estratégico de todo projeto empreendedor, ofertando capital intelectual, mão de obra qualificada e soluções inovadoras. Acredito que a universidade tenha muito mais a oferecer do que unicamente as questões relacionadas ao software. É evidente que o desenvolvimento pátrio de programas para os jogos é questão estratégica e geradora de riqueza na medida em que a propriedade intelectual é um ativo empresarial. Investir no desenvolvimento de software pátrio é ter visão de porvir e de retorno empresarial. 

O software produzido no Brasil é customizado para a verdade pátrio e para as necessidades do empreendedor brasílico. Mas proponho um passo além. A elaboração de uma solução que envolva não unicamente projetos estanques, mas de um projeto integrado em que a arquitetura, as instalações, o mobiliário e as soluções de tecnologia estejam em risco com uma agenda de preservação do meio envolvente, de sustentabilidade, de uso de energias renováveis e materiais recicláveis. Nesta hipótese a universidade e suas incubadoras desempenhariam papel de protagonismo, de desenvolvimento de soluções inovadoras e de parceria estratégica com os empreendedores. Empreendimentos com essas características estariam perfeitamente integrados com a biodiversidade dos variados ecossistemas brasileiros, porquê por exemplo, na floresta amazônica, pantanal mato-grossense, serra gaúcha, mata atlântica, caatinga e encerrado.

Existe alguma preocupação nas sociedades autorais brasileiras e no ECAD com a possibilidade de rombo de cassinos e bingos? Existe arrecadação de teor músico explorado nas plataformas digitais?

Toda empresa ou negócio necessita de uma licença do Escritório Médio de Arrecadação e Distribuição (ECAD) para usar de forma lítico a música em seu estabelecimento ou empreendimento. O uso de música em espaços físicos e espaços virtuais está protegido pela legislação autoral. Em seu sítio na internet o ECAD disponibiliza ao público informações sobre o uso lítico da música, inclusive com a publicação do seu regulamento de arrecadação em que é verosímil saber os princípios e as regras de licenciamento de combinação com as características de cada estabelecimento ou empreendimento. Salvo miragem de minha secção, não há no regulamento do ECAD previsão expressa sobre a arrecadação de direitos autorais em bingos e cassinos, até porque ainda não há previsão lítico de funcionamento desses estabelecimentos no território brasílico. 

Todavia, o ECAD e as associações estão sempre vigilantes quanto aos novos meios de utilização de música e de perceptível que, em havendo a aprovação de funcionamento destes estabelecimentos, os princípios e regras que norteiam o regulamento de arrecadação serão utilizados para o correto enquadramento dessas atividades de modo que seja realizado o correspondente licenciamento dos direitos, mediante a arrecadação e ulterior distribuição dos direitos autorais aos seus respectivos titulares.

Sobre as plataformas digitais é importante salientar que estas também estão sujeitas ao licenciamento e ao pagamento dos direitos autorais. Entretanto, oferecido a sua natureza virtual e a inexistência de fronteiras físicas, há outros critérios de identificação do estância do provedor de serviços, podendo o licenciamento ser realizado por entidades de gestão coletiva de um ou mais países.

Natividade: Luiz Carlos Prestes Fruto – Diretor Executivo do jornal Tribuna da Prelo Livre

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui