Brasileiros lutaram na 2ª Guerra contra o nazismo e foram abandonados pelo governo

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O governo de Lula da Silva suspendeu as honras militares nos velórios dos pracinhas, exceto para oficiais

Aldemar (e não Ademar) Ferrugem: goiano que morreu na Segunda Guerra Mundial; virou nome de rua em Goiânia e zero mais | Foto: Reprodução

Naquele início de 1942, ninguém poderia ainda prever uma vitória aliada na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A máquina militar alemã ainda era a mais poderosa do mundo, a maior segmento da Europa estava sob o nazismo, os alemães haviam penetrado fundo na União Soviética e estavam batendo às portas de Moscou. Os japoneses praticamente haviam destruído a frota americana no Pacífico em ataque surpresa a Pearl Harbor, e só agora os Estados Unidos entravam na guerra. Não se sabia porquê iriam tarar no conflito.

Foi logo que começou uma série de ataques de submarinos alemães e italianos a navios brasileiros, que vitimou muitos patrícios e afundou ou danificou mais de três dezenas de embarcações. Vivíamos a ditadura do presidente Getúlio Vargas, que tinha suas simpatias pelas congêneres do Eixo, e vinha se mantendo neutra.

Joaquim Pinto Magalhães: perdeu uma perna em Montese lutando ela democracia contra o nazismo | Foto: Registro da família

Mas as agressões aos nossos navios praticamente obrigaram uma enunciação de guerra do Brasil à Alemanha e à Itália, em agosto daquele ano. Pressionado pelos Aliados, o governo brasílico criou em agosto de 1943 a Força Expedicionária Brasileira (FEB), recrutou combatentes, que foram treinados pelos americanos, ainda que velozmente, e enviados à Itália.

Em meados de 1944 os brasileiros, cá chamados “pracinhas”, pisavam o continente europeu, para combater a prenúncio nazifascista. Pormenor: nenhum combatente da América Latina, fora os brasileiros, enfrentaria as agruras da guerra direta. E nenhum soldado experimentaria uma variação climática porquê eles, saídos dos seus 30 a 40 graus para as trincheiras italianas a 20 graus negativos.

Wilson Moreira de Andrade, Waldyr O’Dwyer e Pedro Afonso de Souza lutaram na Itália | Foto: Reprodução

Num cláusula escrito em 2005, eu dizia dos pracinhas: “Seu preparo militar e equipamento eram insuficientes, diante das nações que haviam desenvolvido uma máquina dispendiosa de guerra, porquê a Alemanha e os Estados Unidos. A despeito disso, não fizeram mal-parecido. Venceram as saudades, os medos e os alemães. Muitos (quase quinhentos) morreram por lá e dormiram no cemitério de Pistóia por anos até serem repatriados. Tiveram muitas de suas histórias contadas por correspondentes de guerra bons de letra, porquê Rubem Braga e Joel Silveira. Alguns vieram mutilados, e outros — pior ainda — portadores da “neurose de guerra” que os acompanharia pela vida a fora. Embora tivessem sido recebidos porquê heróis, os governos, por esses anos todos, pouco ou zero fizeram por eles, deixando-os quase no esquecimento. Por outro lado, cineastas filhinhos de papai, ou aproveitadores de verbas públicas, preferiram filmar sobre a vida de personagens estrangeiras, sanguinárias e ditatoriais, porquê Che Guevara ou Olga Benario Prestes a fazer um filme contando sobre a participação brasileira, rica de episódios, na Guerra da Europa. Não são muitos os que ainda vivem, daqueles mais de vinte e cinco milénio que desembarcaram em Nápoles em 1944. Combateram muito e trouxeram muitas condecorações atribuídas pelos superiores e pelos aliados. Superaram deficiências e dificuldades, e se alguma vez se pôs em incerteza sua coragem, foi só antes de começarem os combates. Talvez parecessem anacrônicos hoje, quando se prega, porquê virtude, a medo”.

Paulo Gomide: um combatente de Goiás na Itália | Foto: Jornal Opção

De roupa, faltou a esses combatentes, na volta da Europa, o reconhecimento. Já na Itália, finda a guerra, foram desmobilizados, em ato precipitado do governo. Explica-se: Getúlio Vargas temia as ideias democráticas dos americanos e ingleses que nortearam a derrubada das ditaduras da Europa e só toleraram momentaneamente o comunismo de Stálin, pois dele necessitavam para vencer a guerra.

As lideranças brasileiras do Tropa e dos combatentes na Itália estavam impregnadas dessas mesmas ideias: generais porquê Gois Monteiro, Mascarenhas de Morais, Zenobio da Costa, Gaspar Dutra, Cordeiro de Farias e muitos coronéis (porquê Aguinaldo Caiado de Castro, nascido no Rio de Janeiro, mas rebento de goianos) e tenentes-coronéis (porquê Humberto de Alencar Castello Branco) questionavam, em suas consciências, a já longeva ditadura Vargas.

Lula da Silva e José Alencar: ação deles prejudicou os pracinhas | Foto: Reprodução

A desmobilização fazia segmento da tentativa de Getúlio Vargas de neutralizar politicamente essas lideranças. De zero adiantou: foram elas mesmas que depuseram o ditador em outubro de 1945.

Com a queda de Getúlio Vargas, houve uma memorial de escora aos ex-combatentes, já no término do governo Dutra: a Lei 1.147, de 1950, facilitava a compra de habitações e abria algumas portas (estreitas, é verdade) para o serviço público aos pracinhas.

Mas Getúlio Vargas voltaria ao governo, sendo eleito naquele 1950, e eles voltariam ao esquecimento; dele somente sairiam no regime militar, com a edição da lei 5.315, de 1967, que dispensava a eles cuidados de aposentadoria e saúde, muito porquê a possibilidade de aproveitamento em concurso público, desde que enquadrados nas exigências do edital.

Lula da Silva, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso: os três mosqueteiros da esquerda têm preconceito contra os militares | Foto: Roberto Stuckert Fruto/PR

Ocorre que nem mesmo esses benefícios foram de ajuda a todos os ex-combatentes. Muitos já haviam falecido em meio a necessidades, outros sequer tomaram conhecimento de seus direitos legais e muitos outros viviam em Estados que não estendiam à esfera estadual os modestos benefícios que lhes conferiam a lei federalista.

Com o término do regime militar, foram lembrados na Constituição de 1988 (no cláusula 53 das Disposições Transitórias) e no governo do ex-presidente Fernando Collor, pela Lei 8.059 de 1990, que criou para os ex-combatentes, todos agora idosos, uma pensão privativo.

Mas nos governos Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff e Lula da Silva, por ser a queda de João Goulart associada a líderes militares da FEB, nossos ex-combatentes seriam objeto até de um evidente desprezo.

O general brasílico Mascarenhas de Moraes cumprimenta o general americano Lucian Truscott, na Itália, em 11 de dezembro de 1944 | Foto: Reprodução

Um exemplo: em 2005, os governos europeus promoveram grandes festejos para comemorar os 60 anos do final da Segunda Guerra Mundial. Praticamente todos os chefes europeus de países afetados pelos combates compareceram a essas comemorações. A eles se somaram chefes dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Novidade Zelândia. Mas a única país latino-americana a combater na Europa, o Brasil, não tomou conhecimento dessas solenidades.

Participar delas, no raciocínio tacanho de Lula da Silva, que era presidente, Celso Amorim, que era chanceler e do ministro da Resguardo, José de Alencar (que também era vice-presidente), era enaltecer os militares, coisa que não fariam. Ninguém foi enviado para simbolizar o Brasil nas solenidades. Sequer compareceu qualquer poder social expressiva a uma cerimônia realizada pelas Forças Armadas, no Monumento aos Pracinhas, no Rio de Janeiro. Uma sufocação aos militares, um desrespeito a quem enfrentou os nazistas na Europa, e um simbólico tapa no rosto de quem morreu em combate. Coisa de gente rasteira.

Escrevi na quadra um cláusula a saudação, revoltado com o descaso não só com os poucos pracinhas sobreviventes, mas com os mortos e com a própria memória vernáculo. Recebi dias depois, missiva de Brasil Segurado, presidente da Associação dos Ex-Combatentes do Brasil, seção de Goiás, agradecendo o cláusula. Um trecho da missiva: “De roupa, o alheamento a essa memorial por segmento de nossas autoridades maiores, enquanto o mundo todo a reverenciava, provocou em todos nós, da FEB, uma imensa sensação de deserção, a par de uma não menor tristeza perante totalidade esquecimento da participação dos brasileiros no conflito. Se não tivemos a revelação do presidente da República, esse silêncio se tornou imperdoável ou até ofensivo, em se tratando do ministro da Resguardo, José de Alencar, também vice-presidente”.

Na mesma missiva, o presidente da Associação relatava mais um ato verdadeiramente mesquinho, do governo Lula da Silva. Tratava-se de uma medida originária, embora não dissesse com todas as letras, do Ministério da Resguardo, criado por Fernando Henrique Cardoso para diminuir os militares e logo ocupado pelo vice-presidente de Lula Silva, José de Alencar: as honras militares, que os pracinhas mortos recebiam em seus velórios desde o final da guerra, estavam suspensas, a menos que se tratasse de oficiais. A esquerda no governo, por repugnância aos militares, negava aos ex-combatentes a última despedida solene, a despedida na morte. Não só lastimoso porquê inexplicável. Dos 25 milénio e tantos combatentes na Itália, hoje restam, e na mansão dos 90 ou 100 anos, talvez uma centena ou poucos mais. Que o Fundador dê a eles, quando também fizerem a marcha final, o reconhecimento e o sota que cá não tiveram.

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