Bancos devem ter maior queda no lucro em 20 anos | Finanças

0
28

A temporada de balanço dos bancos começa em fevereiro e deve mostrar a maior queda anual no lucro médio desde 2000, quando um prejuízo bilionário no macróbio Banespa – que depois foi comprado pelo Santander – derrubou o resultado combinado das principais instituições financeiras. Desta vez, os números foram puxados para reles pelas provisões para mourejar com possíveis perdas com empréstimos causadas pela pandemia de coronavírus. Para 2021, a perspectiva dos analistas é de recuperação firme nos resultados, em função da base de verificação baixa e da retomada da economia, além da esperada subida da Selic.

Segundo levantamento do Valor com cinco casas, os quatro maiores bancos brasileiros de capital crédulo (Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) devem registrar um lucro combinado de R$ 17,699 bilhões no quarto trimestre e de R$ 63,584 bilhões em 2020. Caso essa última projeção se concretize, significará queda de 26,6% em relação a 2019.

Essa queda é a maior desde 2000 e a quinta maior desde a geração do Projecto Real, em 1994, de conciliação com levantamento da consultoria Economatica feito a pedido do Valor. Nesse período, o resultado consolidado dos bancos só apresentou prejuízo em 1995 e 1996, quando o governo Fernando Henrique Cardoso fez uma limpeza no balanço do BB.

O estudo considera os quatro maiores bancos de capital crédulo, sendo que os números do Banespa foram consolidados com os do Santander para o período anterior à compra, concluída em 2005; e a mesma coisa vale para os números do Unibanco antes da fusão com o Itaú, anunciada 2008. Na avaliação da consultoria, a melhora nos resultados do quarto trimestre deve ajudar a amenizar um pouco o recuo nos lucros ao longo do ano. Até o terceiro trimestre, o lucro dos maiores bancos registrava uma queda anual de 30,5%.

O levantamento da Economatica também mostra que a mediana da rentabilidade (ROE) desses quatro bancos deve permanecer em torno de 13,58% em 2020, o que seria a menor desde 1995, e vindo de 19,15% em 2019.

Para os analistas do J.P. Morgan, os números do quarto trimestre devem mostrar uma melhora na margem, com redução do dispêndio de risco, já que as provisões extraordinárias constituídas pelos bancos nos períodos anteriores devem ser suficientes para mourejar com a pandemia, e melhora na margem financeira. Ainda assim, a inadimplência pode inaugurar a subir, em seguida ter atingido mínimas históricas em função dos períodos de carência que os bancos ofereceram aos clientes. “Os retornos devem continuar inferior dos níveis pré-pandemia, mas ROEs inferior de 10% devem ser a exceção, não a regra”, dizem em relatório.

O UBS também vê uma melhora nos números do quarto trimestre, mas diz que a margem financeira deve continuar pressionada, enquanto a receita de tarifas pode surpreender positivamente, beneficiada pela sazonalidade e pela recuperação da atividade econômica. Os analistas lembram que junto com os números de 2020 os bancos podem publicar seus guidances para 2021, já que agora o cenário está um pouco mais evidente do que quando a pandemia começou. Eles dizem que a tendência universal deve ser de cortes de gastos e queda no dispêndio de risco, com margem financeira ainda pressionada e receita de tarifas crescendo um dígito eminente.

A exegeta da Eleven Financial Renata Cabral compartilha da avaliação dos demais. Ela espera que os números do quarto trimestre sejam parecidos com o terceiro, com diferenças relacionadas à carteira de crédito e a inadimplência. No caso da carteira, o destaque do balanço dos últimos três meses de 2020 deve transmigrar da pessoa jurídica para pessoa física, impulsionado por juros menores e pela subtracção do valor do auxílio emergencial. Sobre a inadimplência, ela acredita que haverá sinais de deterioração principalmente nos indicadores de 15 a 90 dias, o que deve ser ainda mais evidenciado no primeiro trimestre.

O Bank of America acredita que os quatro grandes bancos brasileiros devem ter uma subida de 25% no lucro combinado de 2021, graças a uma queda de 20% nas provisões. “Os resultados dos bancos no terceiro trimestre foram impulsionados pela queda das provisões na margem, o que deve continuar nos próximos trimestres, segundo as administrações das instituições. Além da recuperação mais rápida do que o esperado nas condições econômicas, o otimismo decorre do roupa de que os bancos construíram significativas reservas nos últimos nove meses”, dizem os analistas em relatório.

O estrategista-chefe da Guide Investimentos, Luis Sales, prevê que o quarto trimestre foi o melhor período de 2020 para os bancos, com a redução dos níveis de provisionamento e a perpetuidade do auxílio emergencial, mesmo que em menor patamar. Para ele, as receitas com serviços devem mostrar resultados melhores, com uma “ligeiro recuperação”. Ainda assim, com a competição crescente no mercado financeiro entre as instituições tradicionais e com as fintechs, uma perda de receita deve ser visível nos próximos balanços.

No aglomerado de 2020 até o terceiro trimestre, as provisões foram maiores no Itaú (R$ 24,175 bilhões), seguidas por Bradesco (R$ 21,186 bilhões), Banco do Brasil (R$ 16,953 bilhões) e Santander (R$ 12,873 bilhões). Uma vez que percentual da carteira totalidade, quem mais provisionou foram Bradesco (5,9%), Itaú (4,9%), Santander (4,4%) e BB (3,4%).

Entre os grandes bancos, o que deve registrar a maior queda no lucro, tanto no quarto trimestre uma vez que em 2020, é o Itaú, que é justamente o primeiro a publicar seus resultados, em 1º de fevereiro, em seguida o fechamento do mercado. “A margem financeira do Itaú desapontou significativamente, com mudança no mix de empréstimos, os programas do governo e as renegociações de crédito”, afirma o UBS.

O segundo pior resultado no trimestre deve ser o do BB. “O banco ainda estava renegociando empréstimos no quarto trimestre e antecipamos que o dispêndio de risco deve subir. Suas provisões também devem açodar”, afirma o J.P. Morgan. Na semana passada, o presidente do BB, André Brandão, quase foi exonerado pelo governo depois que a instituição financeira anunciou um projeto de redução de agências e demissões voluntárias que poderia gerar uma economia de R$ 353 milhões levante ano.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui