Austrália: projeto obriga Facebook a remunerar teor jornalístico – Pequenas Empresas Grandes Negócios

0
52

Facebook (Foto: Solen Feyissa / Unsplash)

O Facebook passou a proibir, a partir desta quinta-feira (18), a leitura e partilha de notícias por segmento dos utilizadores na Austrália. Várias páginas informativas de departamentos governamentais, serviços de emergência e instituições de humanitarismo foram também afetadas.

Essa é a resposta da rede ao Código da Negociação para a Informação Social, proposta apresentada pelo governo federalista que obriga Google, Facebook e outras plataformas a chegarem a entendimento para o pagamento de conteúdos jornalísticos às empresas que os produzem.

O ministro australiano das Finanças, Josh Frydenberg, acusa a empresa de Mark Zuckerberg de ação “autoritária”, e o primeiro-ministro, Scott Morrison, diz que se tratou de uma tentativa de intimidação, num momento em que ainda falta discutir e subscrever a lei no Senado.

A Austrália transformou-se, nos últimos meses, em um campo de guerra, onde se digladiam as empresas de big tech contra o governo e a notícia social. O Código da Negociação para os Media, apresentado pelo governo, prevê que as plataformas online, porquê Facebook e Google, paguem às empresas de notícia social pelos conteúdos noticiosos que acolhem e agregam.

Horas depois da aprovação da proposta do Executivo australiano na Câmara dos Representantes, mas antes de debutar a discussão no Senado, o Facebook decidiu banir a leitura e partilha de conteúdos noticiosos a partir de hoje. Foram também afetadas várias contas do governo ligadas ao combate à pandemia, páginas de meteorologia, em plena era de incêndios, e ainda dezenas de contas de instituições de humanitarismo e organizações não governamentais.

“O Facebook esteve mal. As ações do Facebook foram desnecessárias, autoritárias e vão prejudicar a sua reputação cá na Austrália”, disse o ministro das Finanças em entrevista coletiva.

Frydenberg acrescentou que “o bloqueio a páginas do governo – com informação de suporte durante a pandemia, sobre saúde mental, serviços de emergência ou o bureau de meteorologia – não têm zero que ver com o código de negociação para os media”.

“Não seremos intimidados”
Ontem, o Facebook anunciou, em expedido, a restrição da leitura e partilha de notícias por utilizadores e páginas, incluindo teor internacional, em resposta ao código de negociação para os media, ainda em discussão.

“A lei que é proposta [pelo governo australiano] interpreta de forma errada a relação entre a nossa plataforma e os editores que a usam para compartilhar os conteúdos noticiosos. Isso deixa-nos perante uma escolha difícil: tentar satisfazer uma lei que ignora a verdade desse relacionamento ou parar de permitir conteúdos noticiosos nos nossos serviços na Austrália. É com um peso no coração que escolhemos a última hipótese”, anunciou William Easton, responsável pela Facebook na Austrália e Novidade Zelândia.

Para o primeiro-ministro, as ações do Facebook, ao trinchar serviços de informação essenciais sobre saúde e serviços de emergência, foram tão arrogantes quanto decepcionantes. “Estou em contato regular com os líderes de outras nações sobre essa questão”, disse Morrison em post publicado no Facebook.

“Não seremos intimidados pela big tech (empresa de tecnologia) que está tentando pressionar o nosso Parlamento enquanto vota o importante Código de Negociação para os Media (News Media Bargaining Code). Da mesma forma que não ficamos intimidados quando a Amazon ameaçou deixar o país, ou quando a Austrália se juntou a outras nações para combater a publicação de conteúdos de terrorismo nessas plataformas”, acrescentou o governante.

Google e News Corp chegam a entendimento
A proposta do governo australiano – que recebeu luz verdejante da câmara baixa, mas ainda terá de ser aprovada pelos senadores – tem por objetivo prometer a retribuição monetária às organizações de notícia social pelo teor produzido.

Prevê-se, com o Código da Negociação para a Informação Social, que as plataformas digitais cheguem a entendimento com as empresas de media para o pagamento de um determinado valor. Caso não haja um entendimento, esse valor será definido por lei.

A News Corporation, gigante dos media controlada por Rupert Murdoch, chegou a entendimento com a Alphabet Inc para a espalhamento e partilha de notícias por meio das ferramentas da Google, e passa assim a receber “pagamentos significativos” da plataforma para o uso de conteúdos multimídia.

Robert Thomson, presidente da News Corp, elogiou o governo australiano pelo “suporte firme ao país e ao jornalismo” ao promover a partilha das receitas dessas plataformas com as empresas de notícia social. Na Austrália, a Google já chegou a entendimento com a Seven West Media e continua a negociar com a Australian Broadcasting Corp o pagamento dos conteúdos.

Facebook
“Entendemos que muitos possam perguntar por que é que as plataformas respondem de forma dissemelhante. A resposta é que as nossas plataformas têm uma relação fundamentalmente dissemelhante com os conteúdos noticiosos. A instrumento de pesquisa da Google está intrinsecamente ligada às notícias, e os editores não providenciam leste teor de forma voluntária, diz o Facebook em expedido. Por outro lado, os editores optam, de boa vontade, por partilhar as notícias no Facebook, uma vez que isso lhes permite obter mais subscrições, aumentar a audiência e as receitas de publicidade”, lê-se no expedido da empresa da Mark Zuckerberg.

Oportunidade para a desinformação
O porta-voz do Facebook frisou que a empresa foi “forçada” a bloquear o teor noticioso uma vez que o projeto de lei, ainda por subscrever, “não fornece orientações claras sobre a definição de conteúdos de notícias”. Acrescentou que foi adotada uma definição ampla para respeitar a lei.

“A nossa ação concentra-se na limitação de editores e utilizadores na Austrália em partilhar ou ler noticias australianas ou internacionais”, esclareceu o porta-voz, citado pela escritório Reuters.

Sobre as páginas governamentais, de emergência, meteorologia ou de humanitarismo que foram indevidamente bloqueadas, o porta-voz garante que a informação desses sites afetados será revertida em breve.

*Com informações da RTP – Rádio e Televisão de Portugal

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui