Até seguro do sege sofre com a crise de provisão no setor automotivo – 27/02/2021 – Mercado

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A subida no preço dos insumos e a falta de componentes nacionais e importados, fatores que se refletem nos preços dos veículos, já influenciam também os setores de pós-venda e de seguros.

Donos de oficina, revendedores de autopeças e representantes de associações ligadas à indústria falam em aumentos seguidos e escassez de componentes para reposição.

O problema atingiu um outro patamar nesta semana: a General Motors confirmou a paragem da produção em Gravataí (RS) entre os 1º e 20 de março devido à falta de peças, principalmente semicondutores. É um efeito do progressão tecnológico dos carros, que cada vez mais precisam de componentes eletrônicos para acionar seus diversos sensores, por exemplo.

Os funcionários da fábrica que produz o Chevrolet Onix, sege mais vendido do país, entrarão em férias coletivas. Além dos atrasos na distribuição de carros Brasil afora, a paragem aumenta o risco de falta de peças para reposição.

Antonio Carlos Fiola, presidente do Sindirepa (sindicato dos reparadores), diz que as oficinas têm sofrido dois impactos. O primeiro é a escassez de componentes, principalmente na secção de latarias (portas, capô e para-lamas, por exemplo). A segunda vaga é a subida dos preços.

“Houve reajustes preocupantes, algumas peças tiveram aumento superior a 20%”, afirma Fiola.

A desvalorização do real e a subida do aço são os fatores que mais têm impactado o setor de reposição. Segundo a Anfir (Associação Vernáculo dos Fabricantes de implementos Rodoviários), o insumo acumulou elevação de 86% ao longo de 2020.

De convénio com Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, os reajustes estão relacionados ao boom das commodities.

As matérias-primas para produção do aço tiveram uma sequência de altas em 2020, porquê ferro-gusa, zinco e minério de ferro. Os valores subiam dia em seguida dia nas bolsas internacionais, e o revérbero na indústria começa a ser sentido agora.

“O setor automotivo tem uma exigência peculiar, que são os contratos anuais. As montadoras passaram 2020 sem ter pressão de preço”, diz o executivo.

Mas chegou o momento de renegociar os contratos, e as fabricantes de veículos, devido à enorme demanda, compram aço diretamente das siderúrgicas. É a tempestade perfeita: as empresas, que já têm problemas com o fornecimento de componentes importados cotados em dólar e euro, não encontram alternativas para reduzir os custos dos insumos –que seguem cotações globais, porquê o próprio aço e a borracha.

Lopes diz que empresas menores, que compram insumos de distribuidores, podem ter problemas pontuais de fornecimento. Isso não significa, no entanto, que haja problemas na produção vernáculo de insumos, mas, sim, uma explosão da demanda.

“Estimamos que houve um aumento de pelo menos 40% a 50% no preço do aço no mercado global. Devido a isso, temos tido muitos problemas de fornecimento e preço, uma vez que levante insumo é responsável por grande secção do dispêndio do resultado concluído, em torno de 60%”, diz Moacir Godinho, gerente de Suprimentos da Takao, que fornece componentes internos para motores.

A empresa teve que renegociar contratos e viu o dispêndio das peças aumentar pelo menos 30%.

As falhas de fornecimento estão relacionadas à própria dinâmica do setor. Se as montadoras aumentam o volume de pedidos feitos diretamente às siderúrgicas, há o risco de os distribuidores receberem menos material, o que resulta em dificuldades aos fabricantes de peças de reposição. E muitas dessas empresas fornecem componentes manufaturados para as montadoras. O ciclo, portanto, não se fecha.

Lopes lembra que os setores ligados a diferentes áreas da indústria do aço –sinterizações, altos fornos, aciarias e laminações– ajustaram a produção à demanda em abril, mês em que foi registrado o maior trambolhão da história na masmorra automotiva. Logo veio a recuperação rápida a partir de junho, com a retomada dos pedidos.

De convénio com dados do instituto, a produção está sendo voltada para o mercado vernáculo. As vendas internas de aço bruto cresceram 2,4% em 2020 na confrontação com 2019, enquanto as exportações caíram 16,1% no mesmo período. O setor segue veloz, com seguidos recordes.

Essa recuperação em “V” Pode se transformar em um “M” no setor automotivo, com uma depressão no meio dos picos de venda. Essa é a visão de Matías Fernández Barrio, diretor-executivo da Karvi, plataforma global de venda de carros novos e usados.

O movimento assinalado por Barrio se deve justamente às dificuldades nas linhas de montagem– não é exclusivamente a General Motors que está interrompendo a produção por falta de insumos.

Paradas pontuais têm sido registradas por outras montadoras. O resultado aparece nas vendas de fevereiro. Números registrados até esta quarta (24) indicam queda de 13% na confrontação com o mesmo mês de 2020. O oferecido inclui veículos leves e pesados e se baseia no Renavam (Registro Vernáculo de Veículos Automotores).

Rafael Constantinou, diretor de marketing do portal Webmotors, do banco Santander, diz que as buscas por carros têm suplantado recorde neste ano, o que mostra o interesse do consumidor. Mas, ao mesmo tempo, o volume de veículos anunciados está 40% menor do que o normal para o site. Ou seja, há aumento de demanda, mas o mercado de novos e usados não consegue seguir.

Isso ocorre apesar da subida de preços. Segundo a KBB Brasil, empresa especializada na precificação de carros, os valores dos 13 veículos zero-quilômetro mais vendidos de 2020 tiveram um aumento médio de 9,4% na confrontação entre os meses de janeiro e dezembro do ano pretérito.

Problemas de fornecimento também afetam empresas que cresceram em meio à crise, porquê a Iveco, que produz veículos comerciais e caminhões. A montadora teve subida de 30% nas vendas em 2020 na confrontação com 2019 e abriu novas concessionárias. Em paralelo a isso, teve de buscar soluções para trazer componentes para o Brasil.

A empresa foi a primeira a voltar a produzir em seu segmento em seguida o período de fechamento das fábricas. As linhas foram reativadas no dia 22 de abril, apesar dos problemas de logística.

Segundo Márcio Querichelli, líder da Iveco para a América do Sul, foi necessário gastar mais com transporte leviano para trazer peças que deveriam vir de navio.

Para o porvir, o executivo se preocupa com a falta de previsibilidade. “Estamos tendo surpresas no campo político todos os dias. Consigo ter uma visibilidade do que acontece hoje, mas o que vai intercorrer daqui a duas semanas ou quatro meses, não sabemos.”

Para o consumidor final, além do aumento de preços de carros e peças, há o impacto na hora de utilizar o seguro do veículo.

“Considerando o aço porquê principal matéria-prima para a fabricação de itens porquê capô, para-lama, porta, lateral, tampa traseira etc., o setor de seguros é altamente impactado, pois essas peças são necessárias, com subida frequência, no conserto de veículos que se envolveram em um sinistro”, diz Frank Ohi, diretor de Sinistros da HDI Seguros.

De convénio com Ohi, a indisponibilidade de peças de reposição tem sido um grande duelo, com aumento do tempo médio de entrega dos componentes nas oficinas. A HDI tenta contornar o problema por meio de compra direta de peças em concessionários e distribuidores.

Para Paulo Cardomone, sócio da Bright Consulting, todos esses problemas devem perdurar pelos próximos meses, com melhora no segundo semestre. Mas alguns fatores não devem mudar, e um deles é a redução dos estoques de veículos.

“Os estoques das montadoras nunca foram tão baixos quanto agora, e não deverão voltar a atender 40 dias de vendas porquê antes. As empresas aprenderam a trabalhar melhor a logística”.

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