Ao mirar Judiciário, operação atinge ex-Timbalada e joalheiro de celebridades – 22/02/2021 – Poder

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Na varanda de seu apartamento, que fica em um dos bairros mais caros de Salvador, o joalheiro Carlos Rodeiro ergue o celular, liga a câmera e dá um giro de 360 graus para mostrar as pessoas ao seu volta: “Está bombando, está bombando, está bombando”.

Na sarau, que aconteceu em um sábado de Carnaval, os convidados bebericavam uísque ou espumante sentados em torno de uma mesa de meio repleta de arte sacra ou debruçados na sacada com vista para a baía de Todos-os-Santos.

O regabofe se repete em praticamente todos os Carnavais, quando empresários, artistas, políticos, desembargadores e outras personalidades do mundo jurídico da Bahia vão ao encontro do joalheiro.

Com relação próxima com grande parcela do poder na Bahia, Rodeiro se tornou personagem da Operação Faroeste depois de ter sido níveo de mandados de procura e mortificação da Polícia Federalista.

​Principal operação do Ministério Público Federalista contra venda de decisões judiciais, a Faroeste se ramifica em investigações que envolvem outros Poderes e ajudou a desmontar um suposto esquema de vendas de decisões por meio de advogados que operavam para interessados.

Com a primeira tempo deflagrada há menos de um ano e meio, a operação teve origem em uma disputa de terras na lema da Bahia com o Piauí e o Tocantins e se expandiu com a ajuda de delações premiadas.

Até fevereiro de 2021, oito desembargadores já haviam sido afastados do Tribunal de Justiça da Bahia por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), além de outros três juízes. Três desembargadoras estão presas preventivamente, e uma quarta está em prisão domiciliar.

Carlos Rodeiro foi níveo de procura e mortificação sob suspeita de que suas joias eram um meio de lavar moeda do suposto esquema de venda de sentenças e também de que subornava autoridades.

Em seu celular, os investigadores encontraram diversas conversas com a logo procuradora-geral de Justiça do Ministério Público da Bahia, Ediene Lousado.

Isso indicaria, na tradução do Ministério Público Federalista, “que ela defenderia seus interesses e receberia joias e empréstimos, uma vez que, diante de a magnitude do missão ocupado, não se revela crível que a poder máxima do parquet faça assessoria jurídica pro bono para ele”.

Ediene, por exemplo, intermediou a relação de Carlos Rodeiro com o secretário da Quinta da Bahia, Manoel Vitório. Ainda entregou, em uma viagem para Brasília, um grudar de Rodeiro de presente para a logo procuradora-geral da República Raquel Dodge.

Para a investigação, uma “sistemática que aparenta verosímil tentativa de cooptação da máxima poder do Ministério Público brasílio, responsável, em última instância, pelo desfecho da Operação Faroeste”.

“Raquel amou o presente! Depois te mando as fotos”, disse Lousado antes de enviar uma imagem com Dodge usando o grudar. Depois, Lousado pede a Rodeiro que lhe faça uma transferência bancária porque estava “precisando muito”.

“O áudio do gerente hj [hoje] me assustou. Meu limite já caiu, cartões atrasados e demais compromissos também. Td pq [Tudo por que] não posso pegar empréstimo, sequer vender minhas férias ao banco posso, por pretexto do missão e da licitação.”

Rodeiro, aponta o material apresentado pelos investigadores, pediu a Lousado que interviesse em um processo ligado a um jurisperito investigado na operação.

Além do joalheiro, as investigações também miraram personagens do meio artístico baiano, incluindo Amanda Santiago, ex-vocalista da filarmónica Timbalada.

A cantora é filha da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, que está presa desde 2019. Em dezembro, ela também foi níveo de procura e mortificação no contexto da Operação Faroeste.

Amanda, segundo as investigações, é suspeita de ser receptora de recursos ilegais destinados à desembargadora, que é ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia. O Ministério Público Federalista diz que Socorro usava suas filhas “uma vez que vias de captação de vantagens indevidas, demonstrando preocupação com a incorporação de bens em seu nome”.

Os investigadores usam, para provar isso, relatórios financeiros, trocas de mensagens em aplicativos de celular e informações sobre ligações telefônicas trocadas com outros suspeitos.

Segundo relatório do Coaf (órgão federalista de perceptibilidade financeira), Amanda Santiago teve movimentações suspeitas de aproximadamente R$ 8 milhões “numa ensejo de absoluta incompatibilidade financeira, visto que sua renda declarada é de R$ 1.000”.

Amanda esteve na risca de frente da Timbalada entre 1999 e 2007, e dividiu os vocais com cantores uma vez que Ninha e Denny. Depois que deixou a filarmónica, ainda seguiu por um tempo em curso solo.

Logo posteriormente ser níveo de operação, no ano pretérito, disse em vídeo que iria provar a sua inocência.

“A minha família é puro, eu sou puro, minha mãe é puro. Eu digo isso porque minha mãe já está numa preventiva há mais de um ano e já apresentamos provas e perícias para provar a inocência dela e a minha sensação é a de que não estamos sendo ouvidos”, disse Amanda.

Joalheiro e ex-Timbalada negam irregularidades

Procurado, o joalheiro Carlos Rodeiro afirmou à Folha que Maria do Socorro era sua cliente há exclusivamente dois anos e que as peças apreendidas pela Polícia Federalista na morada da desembargadora eram itens de valor grave, em sua maioria peças de prata banhadas a ouro.

Ele afirma que a sua loja, a CR Joalheria, tem pouquíssimos clientes no Tribunal de Justiça da Bahia e que a desembargadora não comprou zero de grande valor e que não fosse de negócio com sua profissão.

Rodeiro classificou a procuradora-geral Ediene Lousado uma vez que “uma amiga muito querida” e confirmou que fez um empréstimo a ela no ano pretérito, de forma lícita e pronunciado em seu Imposto de Renda.

Ele também confirmou que presenteia artistas, celebridades e personalidades com suas joias, mas destaca que não se tratam de joias de valor.

“São coisas simbólicas, brindes mesmo. Tenho certeza absoluta que as coisas estão ficando muito claras. ​Tenho uma trajetória de mais de 30 anos e na minha profissão é muito importante que eu mostre e divulgue meu trabalho”, diz Rodeiro.

O jurisperito de Amanda Santiago, Victor Minervino, afirma que “destaca que acredita nas instituições deste país” e que, ao final do processo, será demonstrado por meio de provas e documentos “a regularidade em relação ao seu patrimônio e dos recebimentos enquanto artista”.

“Em tudo sendo esclarecido, será verosímil a sua remissão, seja por meio de documentos, seja por meio de comprovações de rendas, de perícias e outras diligências que serão feitas ao longo da instrução em momento próprio”, afirmou Minervino.

A resguardo de Maria do Socorro, mãe de Amanda, afirma que não há qualquer participação da magistrada em qualquer ato de lavagem de moeda ou em uma eventual organização criminosa.

O jurisperito dela, Bruno Espiñeira Lemos, tem dito que apesar de Socorro estar presa preventivamente há mais de um ano, a arguição não foi capaz de indicar que ela tenha “exercido qualquer papel, muito menos de destaque dentro do esquema de funcionamento da organização criminosa de venda de decisões judiciais para legitimação de terras no oeste baiano”.

O jurisperito de Ediene Lousado, Milton Jordão, afirmou que a procuradora tinha uma relação de amizade com Carlos Rodeiro, mas que não cometeu irregularidades. Ele não deu mais detalhes da resguardo sob alegado de que o processo está sob sigilo.

Outras operações e escândalos que envolveram o Judiciário

Operação Naufrágio

Em 2008, prendeu três desembargadores, posteriormente suspeitas de venda de sentenças. Foram denunciadas 26 pessoas.

Operação Expresso 150

Investigação apurava suspeita de vendas de sentença por desembargador do Ceará. Segundo denúncia, um grupo negociava pelo WhatsApp decisões favoráveis a presos durante o plantão judiciário, nos fins de semana em que o magistrado estava escalado para atuar​.

Operação Cosme

Em novembro, a Polícia Federalista e o Ministério Público Federalista cumpriram procura e mortificação ligados a desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas, em apuração sobre suposto recebimento de propina para influenciar na solução e no curso de processos judiciais.

Operação Plantão

Operação sobre suspeita de venda de liminares levou ao solidão de um desembargador do Rio de Janeiro. Ordem foi dada pelo ministro do STJ Luiz Felipe Salomão, egresso do Tribunal de Justiça do Rio.

Operação Appius

Tempo da Lava Jato de São Paulo, a Appius cumpriu em 2019 procura e mortificação em endereços ligados ao ex-presidente do STJ Cesar Asfor Rocha, reformado em 2012. A intenção era investigar suspeita de pagamentos de propina com o objetivo de suspender e anular a Operação Forte de Areia, considerada uma prévia da Lava Jato. A investigação acabou suspensa.

Caso Lalau

Protagonista de um dos maiores escândalos do Judiciário brasílio, o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo Nicolau dos Santos Neto, que ficou espargido uma vez que Lalau, foi réprobo em 2006 com o ex-senador Luiz Estevão pelo ramal de quase R$ 170 milhões do Fórum Trabalhista de São Paulo. Ele morreu em 2020, aos 91 anos.

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