A vez dela: vida e arte de Artemisia Gentileschi – Vogue

0
16

Retrato de Artemisia por Simon Vouet (1623-26) (Foto: Divulgação)

Em 2018, a National Gallery de Londres arrematou o Autorretrato uma vez que Santa Catarina de Alexandria, pintado em 1615 pela artista italiana Artemisia Gentileschi (1593-1654), por US$ 4,7 milhões. A obtenção se desdobrou na sua maior retrospectiva em Londres, ocasião até 24 deste mês e secção de um interessante revival da pintora barroca, que ganhará ainda uma série de televisão produzida pela Viacom CBS International Studios leste ano.

A compra da pintura se junta a uma grande revisão mundial dos acervos de museus ao volta do planeta, que buscam incluir obras de mulheres esquecidas ou pouco valorizadas pela história em suas coleções. Mas esse não é exatamente o caso de Gentileschi. Dissemelhante de muitas colegas, ela chegou a tornar-se uma notoriedade em seu tempo não só pelo talento e por quebrar muitas barreiras machistas, mas também por uma assombroso história pessoal de superação.

Tilda Swinton em frente a Vênus e Cupido (1626) em A Voz Humana, de Pedro Almodóvar.  (Foto: Divulgação)

Tilda Swinton em frente a Vênus e Cupido (1626) em ‘A Voz Humana’, de Pedro Almodóvar. (Foto: Divulgação)

Original de Roma e noviço do próprio pai, o renomado pintor Orazio Gentileschi, Artemisia tinha 17 anos quando foi estuprada pelo seu portanto professor, o artista Agostino Tassi. O pai processou Tassi, que foi sentenciado, mas nunca cumpriu pena. Além das pinturas desse período, a retrospectiva apresenta os documentos do duro julgamento.

“As descrições são muito detalhadas e é verosímil perceber que Tassi era um predador sexual”, aponta a curadora da mostra, Letizia Treves. Mas a secção mais cruel é que a Artemisia concordou em ser torturada para provar que estava falando a verdade: “Amarraram seus dedos em cordas que foram puxadas até quebrá-los. Era o único jeito de acreditarem nela, sua termo não valia zero!”, explica Letizia.

A vida seguiu (não sem deixar marcas) e Artemisia conseguiu produzir uma curso independente e luzente. Casou-se com o também artista Pierantonio Stiattesi e mudou-se para Florença, onde conquistou uma clientela notória, uma vez que a golpe dos Médici, e tornou-se a primeira mulher a entrar para a Accademia delle Arti del Disegno.

“Ela era uma lutadora, uma sobrevivente e incrivelmente obstinada. As mulheres de seu status social não aprendiam a ler e a redigir, mas ela aprendeu sozinha e nos deixou cartas escritas para os seus amantes e patronos – para os primeiros, escreve textos íntimos e, para os segundos, fala sobre o seu trabalho, o mercado de arte, defendendo os seus preços”, relata Treves, sobre a ousadia da pintora.

Judith Decapitando Holofernes (1620).  (Foto: Divulgação)

Judith Decapitando Holofernes (1620). (Foto: Divulgação)

“Não à toa, ela foi resgatada uma vez que ícone feminista nos anos 1970, por teóricas uma vez que Linda Nochlin, e agora está vivendo um novo momento por ser muito visceral, um símbolo de força e resistência”, defende a curadora Katy Hessel, idealizadora do @thegreatwomenartists, que se dedica a elencar os grandes nomes femininos da arte. “Há um fantástico movimento dentro dos museus para restabelecer pintoras renascentistas e barrocas, mulheres uma vez que Artemisia”, completa a curadora Julia Lima, líder do projeto @elasestaoaquinaarte, também devotado a ressaltar a produção artística feminina.

O interesse reaceso em torno da artista, quatro séculos depois, ecoou no cinema e na televisão. Pedro Almodóvar lançou, no último Festival de Veneza, o curta A Voz Humana, com Tilda Swinton e Artemisia uma vez que protagonistas: os tons de azul profundo e vermelho vivo da última coleção de verão da Balenciaga no corpo da atriz inglesa dialogam diretamente com Vênus e Cupido, pintada em 1626 por Artemisia.

O filme, inspirado num poema homônimo de Jean Cocteau, traz um solilóquio de Tilda interpretando Uma Mulher à Extremo de um Ataque de Nervos – o mesmo poema que serviu de referência para o longa de 1988 – à espera de seu amante há três dias. A escolha não é uma surpresa: a vida da pintora é tão ou mais dramática que as das personagens de Almodóvar.

A artista, que já havia sido tema de um filme de 1997, (Artemisia), estrelado por Valentina Cervi e dirigido por Agnès Merlet, também retorna às telas – a Viacom CBS International Studios já começou a produção de uma série sobre a artista, inspirada na biografia escrita pela historiadora americana Mary Garrard. “Agora, mais do que nunca, se faz necessário inspirar-se em sua história de vida e sua arte”, incita Frida Torresblanco, coprodutora da série, cuja estreia está prevista para leste ano ainda. “Será uma obra feminista contemporânea, ao mesmo tempo provocante e transgressora, invocando o espírito do nosso momento, presente de forma grandiloquente e elegante na vida e obra de Artemisia”, adianta.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui