A pandemia e a fadiga do Zoom

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Foto: iStock

O ano de 2020 ficará marcado porquê o ano do Zoom. A empresa por trás da plataforma americana de videoconferências não inventou as reuniões virtuais, assim porquê a Google também não inventou as ferramentas de procura, e o Facebook não criou as redes sociais. Mas é generalidade que uma empresa decole e acabe emprestando o seu nome a uma ação, tornando-se quase sinônimo dela: nesse caso, o que tem sido chamado mundo afora de “zooming”.

Já é generalidade usar o termo “zooming” mesmo quando a reunião virtual ocorre via Skype, WhatsApp, Signal, Teams, entre outros serviços concorrentes. Mas o que todas essas plataformas têm em generalidade, de concordância com os pesquisadores do Laboratório de Interação Humana Virtual da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, é que elas provocam a chamada “fadiga do Zoom”.

“Há um tanto de extremamente fadigoso em permanecer o dia todo em chamadas de vídeo”, escreve Jeremy Bailenson, professor de psicologia e notícia e diretor fundador do Laboratório em Stanford.

Razões para a “fadiga do Zoom”

Segundo Bailenson, existem quatro razões principais para a fadiga do Zoom:

1. cansaço visual por olhar para a tela à curta intervalo;

2. efeito espelho (olhar para a própria imagem o dia todo);

3. mobilidade reduzida;

4. notícia não verbal excessiva (ex: gestos).

Esses quatro fatores são característicos da notícia virtual e podem ocasionar uma “sobrecarga não verbal”. Olhar de perto para um computador durante horas, com pequenas janelas de vídeo de outras pessoas, e ao mesmo tempo enxergar a si mesmo, é exaustivo, afirma Bailenson.

Se você já esteve em uma reunião presencial com, digamos, oito indivíduos ao volta de uma mesa, você se lembrará (ou será que já faz tanto tempo?) que não é verosímil olhar todos nos olhos ao mesmo tempo.

Em uma videochamada, é porquê se você estivesse o tempo inteiro em um palco, atuando. E isso não é fácil. Muitas vezes essa sensação de proximidade é típica de uma intimidade que reservamos para relacionamentos íntimos – família e amigos – ou quando nos deparamos com uma sensação de imediação, porquê quando estamos em um elevador apertado com outra pessoa. Mas, mesmo nesses casos, há maneiras de desviar o olhar.

Em reuniões presenciais, nós muitas vezes não nos damos conta dos gestos que fazemos, diz Bailenson.

Mas quem nunca sorriu exageradamente no início ou no término de uma videoconferência, ou abanou porquê se estivesse quase se afogando ao invés de simplesmente fazendo um gesto?

“As pessoas nunca ficaram tanto tempo em reuniões virtuais”, diz Bailenson, por e-mail, à DW. “É importante documentar essa transição do ponto de vista psicológico. Em segundo lugar, [é importante] encontrar soluções que as pessoas possam botar em prática, em mansão, para diminuir o cansaço.”

Falaremos sobre essas soluções mais adiante.

Sobrecarga não verbal

Durante as videochamadas, você envia e recebe uma quantidade enorme de informações adicionais. Primeiro, você sente a premência de provar que está presente e se conferir que você apareça no enquadramento da chamada.

Se você trabalha com um laptop, vai focar os olhos na pequena câmera no topo da tela, a uma intervalo de 30 a 50 centímetros da sua cabeça. Isso por si só já é um esforço.

Digamos que você precise desviar o olhar para fora da chamada. Trata-se de uma ação muito dissemelhante do que se você estivesse conversando com um colega e outra pessoa por casualidade aparecesse na sala para proferir oi. Seu colega provavelmente não se sentiria excluído, mas, em um envolvente online, você pode se sentir forçado a gratificar.

“Até a forma porquê falamos em vídeo exige esforço“, descreve Bailenson. Ele cita um estudo de 2019 que comparou a interação face a face com reuniões virtuais. A pesquisa concluiu que as pessoas falavam 15% mais cima no computador. “Pense nas consequências de gabar consideravelmente a voz durante um dia inteiro de trabalho”, diz Bailenson.

Ou por outra, durante a chamada de vídeo, é preciso realizar várias tarefas ao mesmo tempo. A posição e o tamanho dos rostos que você vê em uma tela também podem afetar a sua sensação de bem-estar durante a relação.

Pesquisa a longo prazo é necessária

A pesquisa realizada em Stanford é baseada em relatos, e não em análises neurocientíficas durante videoconferências, ou qualquer outra evidência que seja numericamente quantificável.

O estudo questiona se as pessoas se sentem mal-humoradas, mentalmente esgotadas ou com incômodo nos olhos depois as chamadas de vídeo. As respostas variam de “não” a “um pouco”, “moderadamente”, “muito” e “extremamente”.

Pesquisas empíricas são legítimas, mas é relativamente difícil averiguar as respostas de um participante ou replicar o estudo de país para país, cultura para cultura e entre grupos de diferentes idades e gêneros.

Ou por outra, o limitado período estudado até agora limita a capacidade dos pesquisadores de declarar se os nossos corpos e cérebros são capazes de se ajustar e mourejar melhor com as chamadas de vídeo à medida que elas se tornam mais presentes em nosso dia a dia.

“Se obtivermos amostras maiores num espaço de tempo prolongado, poderemos inaugurar a responder a essas perguntas”, afirma Bailenson. “Estamos adaptando [a pesquisa] para crianças e planejamos inaugurar a estudá-las nos próximos meses.”

Soluções possíveis

Bailenson quer “encorajar as plataformas a fazerem mudanças de longo prazo nos softwares”, mas, por enquanto, recomenda algumas soluções que todos podem colocar em prática:

evitar usar os programas de chamada de vídeo em tela-cheia;

– usar um teclado extrínseco para alongar a tela e/ou câmera do rosto;

– certificar-se de que você está bem-posicionado em frente à câmera e clicar em “hide self-view” (para que você não precise olhar para a sua própria imagem o tempo todo);

permitir-se desligar a câmera de vez em quando e permanecer exclusivamente com o áudio ligado;

Quanto a quebrar as convenções sociais e fazer chamadas de vídeo enquanto caminha em público, em um parque, por exemplo, zero feito: “Segurança em primeiro lugar”, alerta Bailenson. “Andejar e olhar para o telefone pode ser muito perigoso.”

Veja também:

Previsão Brasil – Temporais no centro-sul do BR

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